O Natan Fox, no seu recente texto aqui publicado, lembrou outros tempos em que o futebol, no caso em particular a Canarinha, representava interesses de teor político e tinha um significado muito maior que o simples pontapé na bola. Faz parte dos livros de História que o desporto em geral, e o futebol em particular, sempre foi um veículo privilegiado de propaganda ou de exaltação das massas, fosse através de clubes ou de selecções nacionais. Existem inúmeros casos em que uma partida de futebol é mais do que um simples jogo, sendo o Old Firm um exemplo paradigmático. O Athletic foi e é um símbolo de uma região que se acha subjugada pela Coroa Espanhola, e mesmo em Portugal, o FC Porto sempre assumiu uma postura regionalista em contraponto com o centralismo de Lisboa e a dinâmica nacional de Benfica e Sporting. A nível de selecções, não poucas vezes rivalidades e conflitos foram transpostos para o relvado. Um Inglaterra-Argentina cheirava a Malvinas, e qualquer encontro em ingleses e franceses era Agincourt revisitado, apenas sem cotas de malha. Em 1998 o Irão finalmente vergou o Grande Satã, e em 1978 a vitória pertenceu tanto a Videla como a Kempes. Entretanto o Mundo foi mudando, e como tal, o futebol foi perdendo a pouco e pouco a sua ligação à política, e enveredando pela vertente do entretenimento. Com a globalização, a finança tomou conta das operações, pois cada vez mais os interesses económicos se foram sobrepondo a todos os outros. A televisão veio disponibilizar espectáculos a um nível global, os patrocinadores disseram presente, injectando grandes verbas nos clubes e nas instâncias que organizam as competições. A livre circulação de jogadores atenuou, ou eliminou, as rivalidades, e hoje em dia um França-Inglaterra já não é uma batalha, mas apenas mais uma partida entre jogadores que até convivem diariamente no mesmo campeonato, senão no mesmo clube. A pouco e pouco, o conceito de emblema foi sendo substituído pelo conceito de marca. Os jogadores passaram de guerreiros a veículos publicitários. Os adeptos, em boa parte, não seguem o clube do seu coração (até porque escolher um clube nada tem de racional), mas sim a marca que está em alta, seja porque ganhe títulos, seja porque possua nos seus quadros o jogador da moda. Torcer ou sofrer por quem está condenado a perder é um sinal de fraqueza de espírito, de um romantismo que até parece pitoresco mas que não tem lugar nesta sociedade competitiva. Muitos dos emblemas “clássicos”, alguns com fortes ligações a determinados sectores da sociedade, foram ultrapassados pelo projectos liderados por homens endinheirados, que se revelam bons seguidores da filosofia do célebre William A. Clark. Mas não foram apenas os clubes que perderam a identidade, as selecções não ficam atrás. Antes vistas como bandeira de uma nação e embutidas de uma réstia de espírito patriótico, hoje são encaradas como antros de interesses de empresários e corporações diversas. Os poucos casos em que ainda existe ligação sentimental entre a Selecção Nacional e o adepto resumem-se a países cuja fúria nacionalista está viva, demasiado viva, mas nestes casos, os jogos internacionais acabam mais por funcionar como uma arma de indignação, de extravasar sentimentos de revanche, e como uma desculpa para ajustar contas com o passado não esquecido. Tal como nos clubes, a selecção é também ela um negócio, em que se integram jogadores através de processos de naturalização que mais parecem contratações dignas de um qualquer defeso. A integração do imigrante, que deveria ser um procedimento digno para o país que tem a honra de acolher quem o escolheu para fazer vida, em tudo se assemelha a uma mera assinatura de contrato de trabalho. É fácil imaginar que, enquanto em 1998 a selecção multicultural de França ajudou a marcar uma posição perante um emergente LePen, em 2015 Patrick Vieira veria a escolha da selecção que iria representar como mais uma decisão de carreira. Para quem se habituou a ver e analisar os fenómenos adjacentes ao futebol, são tempos estranhos. Não deixa de ser esquisito que, numa altura em que qualquer pequeno acto pode ter um impacto global imediato, o futebol pareça ter perdido a sua importância social, o seu poder de representação. Por vontade própria, esvaziou-se de conteúdo e remeteu-se ao seu papel de Circo, o que não deixa de ser curioso, numa era em que o Pão escasseia cada vez mais.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito



0 Comentários
Filipe Ribeiro
Podem da mesma forma que apoias o Real Madrid,se por sentido nacionalista porque não apoias o Corunha?Tem mais portugueses.
João S
Não percebi a história de não apoiar o clube do coração… Estás a dizer que as "novas gerações" não apoiam SCP, SLB, FCP, etc? Apoiam Barcelona, Madrid e afins? Se é isto que estás a dizer então fico chocado, não consigo imaginar putos na escola em PT a discutir o "seu Real Madrid" ou Barça, em vez de SCP, SLB, FCP…
Eu estou fora e de vez em qd la vejo jogos do RM com a malta estrangeira… Eles pensam que eu sou adepto do RM, mas faço questão de deixar claro que sou adepto do Sporting. Que só apoio o RM porque joga lá o Ronaldo, o Coentrão, o Pepe. E sinceramente é algo que nunca fui capaz de entender, como algumas pessoas, incluindo comentadores assíduos do VM, se tornam defensores acérrimos de BCN, RM, e outros clubes estrangeiros.
Elias Martins
"… o futebol parece ter perdido a sua importância social"
Nuno Ranito tens de acordar para a vida, o desporto e em particular o futebol é o sector de actividade que mais tem contribuído para tirar as pessoas da mediania, senão mesmo da pobreza ao longo dos últimos 100 anos em todo o Mundo, ou seja, tornou-se um verdadeiro pesadelo para os esquerdalhos.
JMF
É por isso que o maior erro de CR7 foi deixar (em 2009) a asa de um dos melhores treinadores/managers do mundo (Ferguson), deixar a estabilidade de um dos clubes mais ricos e bem administrados do mundo (Manchester United), largar a fidelidade de uma das massas de adeptos mais apaixonantes e fiéis do mundo, virar as costas a um balneário onde era respeitado como uma referência e um futuro capitão, deixar o campeonato mais competitivo, disputado, e espectacular do mundo (Premier League), e trocar isto tudo pelo “Real Marketing Club” de Madrid, o ridículas “camisolinhas cor-de-rosa-ou-com-dragõezinhos” para fazer mais uns trocos, o clube “Colo-Colo” de Espanha, o “queridinho” dos árbitros, o “Trampas” de Madrid, o “tem de vencer de qualquer maneira, e com qualquer mergulho para penálti” (na mesma semana perdeu a Liga de Espanha e a Liga dos Campeões mas beneficiou de penáltis nos dois jogos, e o mergulhador-James viu cartão amarelo por tentar ainda mais um…), o clube-manipulador de massas que tem a imprensa-canina a comer na mão (Marca/A Bola), o clube cujos adeptos são mais conhecidos por assobiar toda a gente, incluindo alguns dos melhores futebolistas do mundo, do que por apoiar minimamente a equipa (nem sequer têm uma claque em condições e muitos preferem passar os tempo a tirar fotos equipados com as suas camisolas rosinhas da Hello Kitty), o clube-dos-favores-políticos (a Câmara de Madrid apoia tanto os “blancos” como a de Lisboa os “encarnados”), o clube do presidente-contrutor-civil que mistura o futebol com os negócios (deixa-me trocar o feio Di Maria pelo belo James, ainda por cima o mercado colombiano interessa-me mais que o argentino), o clube que não aposta na formação (Morata-2015 repetiu Morientes-2004), o clube-símbolo-de-uma-ditadura (Franquista), o clube que roubou o Eusébio/Di Stéfano ao FC Barça; o clube-político-desportivo onde se contratam os belos (Beckham, Kroos, James Rodriguez), e se desprezam os feios (Ronaldinho, Di Maria, Ozil e Luís-Vampiro-Suarez), o clube onde o menino-bonito da baliza diz que “não precisa de treinar muito” nem “ir ao ginásio” porque “tem um dom natural”, mas depois acumula frangos e ninguém lhe pode tocar porque “controla o balneário”, manipula a opinião pública através dos jornais (a começar pela sua mulher-jornalista), despede treinadores (Mourinho), afasta guarda-redes titulares (Diego Lopez) para fora do país (Itália), e possíveis titulares (Keylor Navas) para o banco, o clube onde o egoísmo dos jogadores atinge níveis estratosféricos (o empresário de Bale diz que não lhe passam a bola antes do jogo mais importante da época), o clube onde os avançados se acham demasiado importantes para defender, o clube onde o trio de ataque tem a sigla BBC (Bye Bye Champions), o clube onde “Benzema, Bale e Cristiano” são “Karim-Gareth-Ronaldo”, os três que “Ka-Ga-Ron” mais uma época, o clube que todos os anos rebenta o tecto dos orçamentos (600 milhões para 2014/15), o clube que mais uma época fica sem campeonato, sem Liga dos Campeões, nem Copa del Rey, o clube que nos últimos 23 anos ganhou 2 Taças de Espanha, nos últimos 7 anos ganhou uma Liga espanhola, e nos últimos 13 anos ganhou uma Liga dos Campeões, foi este o clube que CR7 erradamente escolheu, mas não há problema, estes números finais nunca aparecem nas capas dos jornais, a nova camisola de marketing fluorescente já está vai ser lançada nas “oficinas” de Madrid, as novas máscaras com a cara de CR7, essenciais para mais uma campanha rumo à “quarta bola de ouro”, também já estão em preparação, e o CR7 já está com um olho nesse grande campeonato de “soccer” norte-americano, e naquela ansiada carreira como “estrela” de Hollywood…
Filipe Ribeiro
Nos últimos 20 anos nenhuma equipa venceu mais taças dos campeões que o Real como dizes isso.
Pedro Silva
O Real não ganha porque existe o melhor Barcelona de sempre (equipa formada há anos e que praticamente mantém os melhores jogadores com uma ou outra excepção).
O Ferguson em Portugal não duraria 6 meses em qualquer equipa.
Kacal I
RFS,
Estamos em 2015, a verdade é que nós últimos 20 anos não foi assim tão positivo.
Bandicoot,
É verdade, agora mais vale tarde do que nunca, eu falo por mim e já na altura fiquei com pena porque o Man Utd é o meu clube preferido no estrangeiro e o Ferguson um dos meus treinadores preferidos.
Bandicoot
JMF e Kacal I, concordo com o que dizem, mas permitam-me discordar.
Fazer essa analise agora é fácil, mas na altura quantos se opuseram à saída dele de Manchester? Para muitos o melhor jogador do mundo ia para o melhor clube do mundo, alem de que era um sonho do CR7 jogar no Real. Tenho pena que as coisas tenham corrido desta forma.
RFS
O clube com 10 troféus de campeão europeu.
Filipe Ribeiro
Os adeptos do Real Madrid também são conhecidos pelo desportivismo e apreço pelos artistas e bom futebol não me lembro de rivais ou equipas adversárias ou jogadores adversários a fazerem uma grande actuação e serem aplaudidos de pé.Isto falando de clubes latinos é claro.
Kacal I
Já agora, na parte em que falas dos belos, feios, etc, é por essas razões que o Real Madrid vai continuar a ter dinheiro e afins mas desportivamente vai continuar a ganha ali e acolá enquanto vê o Barcelona a festejar, tenho pena do Ronaldo.
Kacal I
Excelente comentário, subscrevo.
O Ronaldo cometeu um erro, ganhou Bolas de Ouro e quebrou recordes, no entanto a nível de troféus colectivos, estabilidade e adoração dos fãs de futebol ficou a perder, além de todos esses aspectos que falaste.
LuisRafaelSCP
Os adeptos da maioria dos clubes ajuda à festa. Interessa é ganhar, seja de que maneira for… o resto é treta. O futebol moderno tem mais condições para os intervenientes, seja jogadores, ou adeptos, mas às vezes penso que gostaria de ter visto e vivido futebol de outra geração, onde os clubes portugueses (e os outros) mantinham os seus activos, havia sentimento pelo clube e criava-se uma identidade.
Hoje em dia, safa-se o Atlhetic, o Dortmund e mais um ou outro, que por um ou outro motivo, ainda podem ser considerados clubes com identidade e diferentes dos restantes.
André CG
Concordo com o teu texto, mas apesar de o teres levado para um nível bastante internacional, penso que em Portugal temos o extremo desta situação. Como em nenhum outro país, somos adeptos das vitórias, gostamos de nos distrair nisto do futebol, mas só quando a equipa ganha. E para isso, é necessário escolher uma das 3 equipas que dê mais probabilidade de vitória. Portanto, a questão do clube representar a nossa cidade, a cidade onde nascemos e crescemos, isso não interessa para nada.
E para isso, basta ver por aqui alguns comentários de utilizadores a falarem do Barcelona, Real Madrid, Bayern, etc utilizando a 1ª pessoa do plural, como se realmente fizessem parte destas equipas. O pessoal gosta é de vitórias, venham elas de Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha e, claro, também de Lisboa ou Porto…
A tendência será para piorar, sendo que um dia as "outras" equipas servirão apenas para bater em mortos ou ter jovens promessas emprestadas pelos clubes "maiores".
Apenas como curiosidade, gostava de um dia ver um campeonato em que as equipas só poderiam ter jogadores da região (todos os clubes como Athletic Bilbao basicamente). Só assim se veria realmente qual a cidade/região que tem mais talento futebolístico e os jogos seriam realmente aguerridos. Claro que isto é apenas uma utopia mas seria certamente emocionante de se ver.
Bandicoot
Essa questão de que somos adeptos das vitorias não é propriamente verdade para aqueles que realmente apoiam o clube e não dizem presente só quando se ganham clássicos, taças ou campeonatos.
Eu sou do FCP apenas e só por influencias familiares. Quando comecei a apreciar futebol, gostava do que via, grandes jogadores, jogadas e golos interessantes, vitorias ate que cheguei ao ponto de adepto incondicional do clube. É obvio que as vitorias e sobretudo o bom futebol contribuem e muito para um clube adquirir massa adepta.
Hoje em dia, quem é que esta disponível para apoiar uma Académica? Sem bons jogadores, bom futebol, vitorias ou entrosamento com a comunidade torna-se difícil. Quem não é adepto do clube, quer sobretudo ver um bom espectáculo, com bons intervenientes, boas jogadas, bom ambiente e se possível golos e vitorias.
Kafka I
Bom texto Nuno, concordo com o mesmo…
Acrescento ainda como complemento que a falta de identidade hoje em dia também se deve (na minha opinião) ao facto dos clubes hoje em dia serem "multinacionais" pois antigamente o Real Madrid tinha 20 espanhois e 3 estrangeiros, o Milan tinha 20 italianos e 3 estrangeiros, o Barça 20 espanhois e 3 estrangeiros, o United 20 Ingleses e 3 estrangerios etc……
E isso parecendo que não acaba por levar a que os clubes fossem de certa forma extensões das respectivas Selecções nacionais, ora isto hoje em dia não se passa, com os clubes a terem o inverso, ou seja, 3 jogadores nacionais e 20 estrangeiros, ora perante isto que identidade pode haver? nenhuma.
Como é que 20 estrangeiros se vão identificar com a identidade Espanhola, Italiana ou Alemã?
Antigamente um Benfica-Porto era disputado por 20 jogadores tugas e 2 estrangeiros, e desses 20 tugas para ai 12 ou 13 eram dos respectivos clubes (Benfica/Porto) desde pequeno, então digamos que eram a extensão do adepto em campo, hoje em dia um Benfica-Porto tem 3 ou 4 tugas e 18 estrangeiros, ora como é que 18 estrangeiros vão viver da mesma forma um Benfica-Porto? nunca cá viveram não conhecem a história a rivalidade etc, logo vão-se limitar a encarar isto como apenas mais um jogo e no fim até andam todos aos abraços, porque lá está é só mais um jogo nada mais que isso…
Atenção eu com isto não estou a criticar a abertura de fronteiras, Portugal a partir do momento que entrou na União Europeia sabia ao que ia, e a livre circulação de pessoas e bens é precisamente isto, e portanto as leis existem e nada a apontar, se Portugal queria ser um País fechado não tivesse entrado na União Europeia, mas isso já são outros assuntos…
PS: a titulo de exemplo a Fiorentina neste momento esta em campo com ZERO italianos, logo existe identidade com a "causa Fiore" por parte desses 11 estrangeiros que em pequenos mal deviam saber que a Fiorentina existia? evidentemente que não, portanto para estes 11 estrangeiros, vão lá fazer o trabalho deles mais nada, não sentem nem sofrem pela Fiore…
Filipe Ribeiro
Até no Brasil o país que mais exporta futebolistas para o mundo hoje em dia mudaram a regra para poderem ter 5 estrangeiros em vez dos 3.
Problema global hoje em dia,
João L
Raramente comento os textos aqui publicado mas este não me foi nada indiferente. Uns dias atrás dei por mim a ver o canal história em horário nobre, e ainda bem que o fiz. Sporting vs Salgueiros em 1994. Muitos aqui se calhar ainda se lembram deste jogo mas sendo que foi nessa altura que nasci não tinha ideia do que o futebol era.. Ora bem, esse jogo fez-me perceber do quão guerreiros, lutadores, felizes, competitivos e acima de tudo apaixonados pelo desporto eram os 22 jogadores que estavam em campo. Por isso me revejo nas tuas palavras a 100 % Nuno Ranito, parabéns pelo texto e por não deixares que as pessoas esqueçam o negócio em que o desporto rei se tornou (sendo eu um grande apaixonado!) .
Por fim,clubismos e preferências á parte, vejam um vídeo que me foi mostrado por Pedro Barata : "Messi es un perro". A mim arrepiou, e não pretendo com isto dizer que ele é o único mas, na minha opinião,é um dos que ainda simboliza os valores que iniciaram o meu comentário.
Anónimo
Pois. O meu clube está como uma praga de estrangeirada e precisávamos de sangue novo e nacional. Formados no clube, com categoria para nos honrarem, como vários homens no passado. O problema é que não lhes dão oportunidades.
Ha aqui alguem q conheça o porto da formacao bem? mesmo a nível de iniciados, e por aí fora
obrigado
Pedro V.
Alexis
Bom texto Nuno R. Mas ainda há uns meses atrás vimos a Albânia e a Sérvia a reeditar confrontos político-sociais de outrora.. Se bem que em nada se compara ao jogo que iniciou a guerra dos Bálcãs (dezenas de jogadores profissionais até se alistaram para combater).. Portanto, novos tempos…
Kacal I
Excelente texto Nuno Ranito.
O Real Madrid é um dos exemplos, agora a gestão do clube é baseada no marketing e na popularidade, pelo contrário o Barcelona defende a sua região e apoiam a independência, além disso têm jogadores da formação e contratam com base no sucesso desportivo e não para vender camisolas, se for possível juntar os dois é o ideal mas a identidade do clube e o sucesso desportivo devem ser a prioridade.
O meu Porto está a perder essa mística e postura regionalista, é pena, tenho esperanças que essa situação se altere num futuro próximo mas é preciso haver mudanças.
De resto não tenho nada a dizer, subscrevo o teu texto.
Kacal I
Carlos Rodrigues,
Eu não me quis alongar tanto mas não podia estar mais de acordo, o teu comentário explica na perfeição e subscrevo.
Anónimo
Se me permitem, para mim mística é estar em sintonia com tudo o que é o clube, é viver o clube, é ter o clube no coração desde pequeno (claro que há sempre exceções), é conhecer a história e cultura do clube, é defender o clube até que rebentem os músculos, até ao apito do árbitro! É dar a cara pelo clube quando as coisas correm bem e também quando correm mal. É o que Jorge Costa e Baía representavam no Porto, o que Rui Costa e Nuno Gomes representavam no Benfica. Mística é muito mais que ter garra e lutar em campo.. Mística é sinceramente uma palavra bastante difícil de explicar, depende muito de cada pessoa. Concordo quando dizem que falta mística ao Porto, há cada vez menos jogadores portugueses e normalmente nortenhos que têm a reconhecida garra do Norte no corpo e que sejam verdadeiros portistas. Mas falta igualmente no meu Benfica, fazem falta portugueses com a tal de mística (era o Bernardo Silva..) espero que isto possa mudar dentro de pouco tempo.
Carlos Rodrigues
Kacal I
André,
Mística?? para mim é sentir a camisola, conhecer o clube e o que representa, "comer a relva" e defender o clube dentro de campo até à última com honra e determinação, posso estar errado e a dizer um disparate mas para mim é isto.
Pedro Soares,
Tens razão, no entanto eu não comparei o Athletic ao Barcelona mas sim ao Real, o Barcelona é um colosso mundial, claro que tem que ter outros jogadores para ter sucesso desportivo, não seria possível só com jogadores da Catalunha, a meu ver, agora em relação ao Real Madrid nem há comparação possível.
Anónimo
O Barcelona tem comparação possivel em defender a sua região como faz o Athletic, senão não tinha
Neymar, Suarez, Mascherano, Rakitic, Dani Alves, Adriano, Bravo, Ter Steggen e até, posso bem dize-lo, Messi, e outros que agora não tenho paciencia para ir lembrar :-)
Pedro Soares
Anónimo
O que é a mistica?
Andre
Rúben Gomes
O Barcelona, não sendo tão rigido como o Bilbao, também é grande apoiante da Catalunha. Alias, até apoiam a sua independecia. Por exemplo, acho que nunca o Barcelona foi buscar jogadores ao Madrid… São muito orgulhosos. Mas já acontece o contrario.
Anónimo
É normal que haja mais jogadores a sair do Barcelona para o Real. É um clube com mais titulos e poderio financeiro, com excepção dos ultimos anos e alguns periodos, pelo que é normal os jogadores mudarem pra "melhor". Agora jogadores mais regionalistas, ou sentimentalistas, catalães, ou que por outras razões sintam mais o clube, a região e como tal a rivalidade com o Real é normal que nunca mudem.
Ec
Filipe Ribeiro
Posso estar enganado mas o Prosinecki era do Real estava no Oviedo emprestado por causa das sucessivas lesões.Mas posso estar enganado.
Alexis
Hehehe ja me esquecia de Schuster e do Alfonso, o homem das chuteiras "Joma" brancas.
Rúben Gomes
Era isso que queria dizer Kafka, são muitos mais os que trocam o Barça pelo Real do que o contrario. Existem casos especificos… Ja tive a pesquisar e o LE não era um super jogador na altura que saiu para o Barça. Foi uma saida pacifica. Por exemplo… Jamais iriamos buscar um Benzema ou algo assim.
Rúben Gomes
Por alguma razão disse "acho"… Peço desculpa. Nem se focaram no cerne do meu comentario, mas pronto obrigado pela informação… Não sabia.
Kafka I
É um facto que já ouve para ambos os lados, mas não deixa de ser verdade que já ouve mais trocas do Barça para o Real do que do Real para o Barça, numa pesquisa rápida aqui no google:
Players who played for both clubs:
Barça then Madrid
1902: Spain Alfonso Albéniz
1906: England Charles Wallace
1906: Spain José Quirante
1911: Spain Alfonso Albéniz
1911: Spain Arsenio Comamala
1913: Poland Walter Rozitsky
1930: Spain Ricardo Zamora – Through Espanyol
1932: Spain Josep Samitier
1950: Spain Alfonso Navarro
1961: Spain Justo Tejada
1962: Brazil Evaristo de Macedo
1965: Belgium Fernand Goyvaerts
1988: Germany Bernd Schuster
1990: Spain Luis Milla
1992: Spain Fernando ”Nando” Muñoz
1994: Denmark Michael Laudrup
1995: Spain Miquel Soler – Through Sevilla
2000: Portugal Luís Figo
2000: Spain Albert Celades – Through Celta Vigo
2002: Brazil Ronaldo – Through Internazionale
2007: Argentina Javier Saviola
Madrid then Barça
1905: Spain Luciano Lizarraga
1939: Spain Hilario Through Valencia
1961: Spain Jesús María Pereda – Through Real Valladolid, then Sevilla
1965: France Lucien Muller
1980: Spain Lorenzo Amador – Through Hércules
1994: Romania Gheorghe Hagi – Through Brescia
1994: Spain Julen Lopetegui – Through Logroñés
1995: Croatia Robert Prosinečki – Through Real Oviedo
1996: Spain Luis Enrique
1999: Spain Daniel García Lara – Through Real Mallorca
2000: Spain Alfonso Pérez – Through Real Betis
2004: Cameroon Samuel Eto'o – Through Real Mallorca
Ou seja, por estes dados apenas 3 jogadores foram transferidos directamente do Real para o BArça, ou seja, Lizarraga em 1905, Lucien Muller em 1965 e Luis Enrique em 1996, tendo outros 9 jogadores jogado primeiro no Real e depois no Barça, mas a transferência não foi directa de Real para o Barça, pois houve outros clubes pelo meio..
Já no lado oposto, 17 jogadores foram directamente transferidos do Barça para o Real, e houve mais 5 jogadores que jogaram primeiro no Barça e depois no Real mas com outros clubes pelo meio.
Portanto de certa forma o Ruben tem alguma razão, não tendo total razão porque já ouve antecedentes, digamos que houve bem menos
Cesar Torres
A primeira escola do Luís Enrique foi a do Barcelona onde esteve dos 8 aos 13 anos. Depois foi para o Sporting Gijón onde ficou 10 anos e só depois disso é que foi para o Real Madrid(5 anos). Em 1996 voltou para o Barcelona e acabou lá a carreira em 2004.
Ricardo Ricard
Luís Enrique.
NS
Luis Enrique
Anónimo
Luís Enrique foi do Real para o Barca senão me engano!
Del Piero
Filipe Ribeiro
O teu treinador actual veio de onde?
Mas podia te dar mais exemplos como não estás correcto.
sergio jacinto
Luis Enrique foi do Madrid po Barca port exemplo
Anónimo
Isso é porque só vês futebol há meia dúzia de anos…vai ver de onde veio o luis enrique actual treinador…
Lizardking
João Magalhães
Luís Enrique.
Filipe Ribeiro
Excelente texto sem dúvida,completamente de acordo com tudo que foi escrito.
Luis La Liga
Sao tempos, onde os treinadores que jogam de forma aberta na LC sao criticados. Sao tempos onde o Benfica joga em casa à defesa e é elogiado (porque as vitorias estao acima de tudo e o espetaculo nunca). Sao tempos onde os principais clubes ingleses foram todos comprados por investidores privados e depois andam anos a falar do You Will never walk alone. Sao tempos onde um jogador fica mais de 5 anos num clube, mas tem que sair porque tem que provar que é bom noutro campeonato e noutra equipa. Sao tempos onde pessoas ja nao vem futebol, mas o que interessa é que o Mourinho (ou outro qualquer) ganhe, mesmo pondo um autocarro a defender. Sao tempos, onde a seleçao tem que ir a pressa naturalizar o jogador, porque senao pode ser frances. Sao tempos, onde o capitao de um clube historico diz que se quer ir embora a meio da epoca. E o pior é que quem fomenta isto tudo sao os adeptos.
Alexis
Sim porque o catenaccio nasceu no século XXI.. Assim como o 4-4-2 destronou o super ofensivo WM nos anos 90 (ironia).. And so on…
Anónimo
No que toca a clubes, o Real Madrid é o maior exemplo disso, na minha opinião: Deixou de ser um emblema, para se tornar numa marca. É visível que o marketing acaba por ter um peso enorme no clube.
E, já agora, aproveito para dizer que o Frankfurt acabou de se sagrar Campeão Europeu no futebol feminino. A equipa do PSG também esteve muito bem ao longo do encontro.
Daniel Salgueiro
druyda
Real Madrid? E o que dizer do Barcelona? Até alguns anos atrás nunca tiveram patrocinador na frente da camsola. E nos jogos no camp Nou sempre cheio de turistas e 'glory hunters'. E já nem na formação conseguem apostar, preferindo pagar milhões para buscar de imediato bons jogadores. O tempo da cantera catalã já lá vai (Puyol, Xavi, Iniesta). Futebol-negócio é o que rula.
Anónimo
Bom texto Nuno, sendo que a imagem está perfeita.
O Bilbau é o clube com mais identidade no mundo. Tenta contrariar o poder centralista de Madrid ao usar só jogadores bascos, sendo que atrevo-me a dizer que são das melhores formações do mundo.
Do outro lado o FC Porto, o clube atualmente sem identidade e sem ninguém que transmita a mística portista (Quaresma e Helton um pouco mas não é a mesma coisa de Jorge Costa ou Baia)
Henrique