Concluída mais uma época desportiva, traçam-se novas metas e objetivos tendo por base ambições e sonhos cada vez maiores. Deste modo, aos recentemente consagrados Campeões Nacionais de Juniores, talentosos atletas do Sport Lisboa e Benfica, não se pode pedir menos do que ainda mais ambição e mais fome de títulos. Nós, apaixonados adeptos, desejamos o melhor aos nossos jovens atletas e queremos sempre acreditar que as evidentes qualidades técnicas, táticas e físicas são mais do que suficientes para que todos aqueles campeões possam integrar, sem exceção, o plantel principal da equipa sénior do nosso Clube, porém, é indiscutível que um fervoroso adepto consegue ter, mesmo que legítimos, sonhos por vezes utópicos.
Hoje, é incontornável a classe e o virtuosismo do João Félix, a técnica apurada do João Filipe, a leitura de jogo e confiança em campo do Florentino Luís, salta-nos à vista a disponibilidade física do David Tavares e Gedson Fernandes tem todo o potencial para vir a ser um box-to-box perfeito. Incontornável é também a inteligência tática e segurança de Miguel Nóbrega, a velocidade e agilidade de Umaro Embaló, sendo que estes dois ainda são juniores na próxima época e foram titulares em grande parte dos jogos disputados ao longo da temporada que agora finda. O cenário montado em redor destes miúdos é extraordinário e vemo-nos assim embebidos de grandes expetativas em torno do futuro risonho que eles poderão ter, contudo a ascensão a sénior, nunca foi, e ainda está longe de ser um mar de rosas.
Recuemos um pouco no tempo. Qualquer adepto atento do Benfica recordar-se-á de ver as pomposas capas de jornais onde figuravam jovens promissores como Miguel Rosa, Miguel Vítor, André Carvalhas, David Simão, Nelson Oliveira entre outros. Infelizmente a carreira destes jogadores no Benfica não foi nem longa, nem suficientemente brilhante para nos fazer sentir saudade em relação aos mesmos. Relativamente aos nomes mencionados, relembro que Miguel Rosa foi considerado por duas vezes, entre 2010 e 2013, o melhor jogador da segunda Liga. Distinção que de nada lhe valeu, pois nem assim se se estreou pela equipa principal do Benfica, nem nunca ingressou num clube com dimensão similar ou superior à do mesmo. Miguel Vítor conseguiu acumular algumas dezenas de jogos ao serviço da equipa principal do Clube, tendo até envergado a braçadeira de capitão em algumas ocasiões. Contudo, não conseguiu voltar, até à data, a representar um clube tão grande, nem tanto deixar saudade no Estádio da Luz. André Carvalhas chegou a ser apontado, por vários jornais desportivos, como o ‘Próximo Rui Costa’ e David Simão acumulou inúmeros empréstimos deixando os adeptos benfiquistas em suspense relativamente à sua afirmação, isto porque a sua qualidade técnica era sem dúvida muito acima da média. Por fim, Nelson Oliveira chegou até a fazer vibrar os adeptos com um golo marcado ao Zenit, que garantia dessa forma a qualificação do Benfica para a eliminatória seguinte da Champions League. Mas os golos foram sempre muito escassos e nunca se conseguiu afirmar no onze titular, tendo eventualmente acabado por rumar a outras paragens ainda que sem o sucesso suficiente para que o seu regresso pudesse vir a ser equacionado.
Poder-se-á argumentar que a situação do Clube e aposta na formação na altura em que surgiram estes jogadores, em nada é comparável com a conjuntura atual do mesmo. É certo que sim, porém relembro que o quadro dos jogadores como Romário Baldé, Nuno Santos, Raphael Guzzo, Sancidino Silva ou João Teixeira, alguns vice-campeões da Youth League e todos eles considerados jovens promissores, não tem sido muito díspar dos anteriormente mencionados. Em contrapartida, muitos jovens jogadores, formados no Seixal, alcançaram patamares de sucesso invejáveis, tais como André Gomes, Nelson Semedo, Ederson, Lindelof, Gonçalo Guedes, Renato Sanches, jogadores que antes de se despedirem da cidade Lisboeta já tinham inscrito, de forma brilhante, o seu nome na História do Benfica. Outros, mesmo sem terem marcado presença em jogos oficiais da equipa sénior, refiro-me a Danilo Pereira, ao incontornável Bernardo Silva, a Mário Rui, a Rony Lopes e Bruno Gaspar, conseguiram mesmo assim alcançar altos níveis de êxito e serem hoje conhecidos internacionalmente no mundo do Futebol.
Ora, ao recordar todos estes casos, pretendo eu relembrar a todos os que hoje fantasiam com o ingresso destes miúdos na equipa principal do Benfica, que o salto dado de uma equipa de juniores ou até mesmo de uma equipa B para o principal escalão do futebol profissional é um salto complexo, exigente e que está sujeito a muitas variantes, sendo que muitas delas nem se quer dependem da qualidade dos jogadores em causa. Esta transição está dependente da situação financeira do clube, as oportunidades muitas vezes estão dependentes dos resultados da equipa e mesmo quando surgem, uma boa exibição individual pode vir a ser esquecida devido a um mau resultado ou a uma má prestação coletiva. Sem esquecer que em muitos casos o deslumbramento pode impossibilitar o salto, pois hoje, com um longo caminho ainda por percorrer, estes atletas tornam-se mediáticos, vêem-se constantemente retratados como craques em todo e qualquer meio de comunicação, são aliciados a se mudarem para outros clubes constantemente e por vezes são sugados por ‘amigos’ e companhias que em nada contribuem para o seu sucesso individual.
Blindar estes miúdos de todas estas eventualidades seria uma perspetiva perfeita, porém impossível. O melhor que podemos fazer para contribuir para o sucesso destes jovens é tão somente continuar a exigir empenho, mantê-los focados e ao mesmo tempo transmitir-lhes segurança e confiança para que possam assim expor o seu melhor futebol! Mais, é importante também, quando tudo parecer estar a tomar o rumo errado, acalmá-los e fazê-los ver que cada um percorrerá o seu caminho a seu tempo, e que tal, não invalida que cheguem todos ao mesmo destino! Gonçalo Guedes e Nelson Semedo passaram longos períodos fora do onze que entrava em campo, Ederson esteve em clubes menores antes de voltar ao Benfica e Yuri Ribeiro está agora a viver uma situação semelhante. Ederson, Lindelof, Ruben Dias, mesmo depois de estarem no plantel, tiveram de esperar por lesões dos companheiros para terem a devida oportunidade e isto sem nunca deixarem esmorecer os índices de empenho e de dedicação. Portanto, Campeões Nacionais de Juniores, nunca baixem os braços, nem nunca virem a cara a luta, pois mais tarde ou mais cedo as oportunidades bater-vos-ão à porta para dessa forma vós fazer ver que ‘o sucesso é ir de fracasso em fracasso, sem nunca perder o entusiasmo’. Muita coragem e resiliência, têm todo o Universo Benfica a torcer por vocês!
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): João Ricardo Nunes


4 Comentários
PAAG
É muito injusto comparar as gerações que despontavam nas camadas jovens do Benfica (e em Portugal) com as de hoje em dia. O nível de acompanhamento é melhor, é tudo mais profissional, valoriza-se outras coisas nos jogadores e, sobretudo, a própria estrutura do futebol jovem nacional evolui muito. A equipa B faz milagres. Um Nélson Oliveira ou um André Carvalhas poderiam ter chegado muito mais longe caso existisse essa equipa B à época em que eles apareceram. Muito talento foi desperdiçado devido à inexistência desta.
Eusebio
A nível de formação o benfica esta 10 anos à frente da concorrência. Normal porque também investimos mais mas prefiro ver o meu clube investir nisto do que nas modalidades. Nas seleções jovens dominamos as convocatórias todas so para se ter a noção.
Tiago Silva
Excelente texto que revela a realidade da formação. E tem havido melhorias nesse aspeto, os jogadores estão a ser melhor formados e a inclusão das equipas B ajuda nesta adaptação.
Dos jogadores do Benfica vejo João Félix e Gedson pelo menos a brilharem na Luz. Eles mais o Ferro, o Yuri Ribeiro e talvez o Heriberto deverão fazer parte da equipa principal para o ano. Willock e Zé Gomes devem ser emprestados. Depois João Filipe, Florentino, Nóbrega, Embaló, David Tavares, Pedro Álvaro devem integrar a B e terem bastantes minutos. Também gostaria que começassem a integrar o Tiago Dantas também.
Looper
Para mim que joguei futebol muitos anos, percebo perfeitamente o texto aqui.
Sem duvida que o gap é enorme no salto para os seniores!