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Playoffs ou algo mais?

sem-tituloBulls e Pistons são equipas remodeladas. A equipa de Chicago finalmente cortou com o passado e entra na sua primeira temporada pós-Rose, enquanto que Detroit entra em mais uma fase da construção cuja fundação Andre Drummond. Ambos os conjuntos pretendem o acesso ao playoff, o que no caso de Chicago seria um regresso, depois do desastre do ano passado, enquanto que no caso de Detroit seria uma repetição.

Chicago Bulls

A era de Derrick Rose está oficialmente terminada. Há muito que o ex-MVP não trazia muito de positivo à equipa, mas o seu contrato e historial de lesões, bem como algum sentimentalismo, mantiveram intacta a ligação entre ambas as partes. Mas sabia-se que era uma questão de tempo até ele sair, até porque objectivamente a equipa já pertencia a Jimmy Butler. O negócio proporcionou-se, e Rose seguiu para New York. Pela porta de saída passaram também Pau Gasol, Joakim Noah e Mike Dunleavy, levando o plantel de Chicago a uma verdadeira revolução.
Rajon Rondo foi o escolhido para a posição de organizador de jogo; o base mostrou em Sacramento manter as capacidades de passador (liderou a Liga em assistências), mas está longe de ser uma ameaça no jogo exterior. A sua função passará por ser um facilitador, ao invés de um marcador. Para a tarefa de colocar a bola no cesto, os Bulls contrataram Dwayne Wade, que deixou a sua equipa de sempre para rumar à cidade natal. Longe de ser o jogador explosivo de outros tempos, Wade continua a ser uma ameaça ofensiva, embora os seus totais e percentagens de eficácia venham descendo, sendo natural que esse percurso se mantenha. Para lá disso, Fred Hoiberg terá não só de gerir os seus minutos em campo, como também dar-lhe algumas noites de folga para evitar lesões.
Mesmo com estes reforços de peso, a ambição de Chicago não passa por destronar Cleveland, mas antes por terminar entre os oito melhores. O conjunto de nomes pode impressionar no papel, mas existem demasiadas interrogações, a começar pela capacidade de Wade em jogar mais de 70 jogos a alto nível. Os Bulls devem apostar em Rondo e Wade como bases, desviando Butler para SF, o que limita o conjunto em termos de tiro exterior. Rondo não é um lançador, Wade e Butler são mais eficazes no ataque ao cesto do que longe dele. A falta de atiradores perigosos permitirá às defesas adversárias concentrarem-se perto do cesto, o que dificultará o processo ofensivo de Chicago. Por outro lado, os três jogadores necessitam de ter a bola em seu poder, o que também constitui um problema. A falta de ameaças exteriores deve obrigar à titularidade de Mirotic a PF, e a um aumento de minutos de Doug McDermott. Outra questão é saber qual o rendimento obtido a partir do banco, no qual não parecem existir muitas alternativas válidas. Se existem dúvidas ofensivas, defensivamente os Bulls devem continuar competentes. Butler é dos melhores defensores da actualidade, e a presença perto do cesto fica assegurada com Taj Gibson e Robin Lopez.
Chicago parte para esta temporada com muitas questões por resolver; se encontrar as respostas rapidamente pode obter algum sucesso, mas se não enquadrar Rondo, tirar alto rendimento de Wade e conseguir que alguns suplentes se destaquem, irão sentir bastantes dificuldades para alcançar o seu objectivo.

Objetivo: regresso ao playoff
Força: defesa de perímetro
Fraqueza: falta de ameaças exteriores

Detroit Pistons

A experiência das Duas Torres durou pouco tempo, os Pistons abdicaram de Greg Monroe e escolheram Andre Drummond como o centro do processo de construção. Stan Van Gundy criou em Detroit um esquema semelhante ao que usara em Orlando, centrando o seu ataque num jogador interior e rodeando-o de lançadores, e com semelhante sucesso. A troca por Tobias Harris revelou-se determinante, com o ex-Orlando a encaixar perfeitamente na filosofia colectiva, trazendo algum atleticismo ausente em Ilyasova.
Os Pistons estiveram cautelosos no mercado, limitando-se a trazer alguma força ao seu banco, nas figuras de Jon Leuer e Boban Marjanovic, um gigante que deixou boa impressão nos minutos limitados que teve em San Antonio. A grande aquisição foi Ish Smith, uma das surpresas do ano passado, para tirar algum peso das costas de Reggie Jackson, um dos grandes dínamos do ataque. Mas Jackson vai perder o início da temporada, o que vai obrigar Smith a tomar conta das operações mais cedo que esperado, e a eliminar o factor “Ish” que saltaria do banco. Detroit é uma equipa em formação, e em progressão, e o que vier a alcançar depende de como os seus jogadores evoluírem. Drummond ainda é bastante jovem e está longe de atingir o seu máximo potencial, tal como Morris, Harris e Caldwell-Pope. Van Gundy conseguiu rapidamente apagar anos de má gestão de Dumars e juntou um grupo de atletas muito atlético e rápido, e que se encaixam na sua estratégia colectiva. Daí também a movimentação calma no mercado, pois o objectivo passa pela evolução do que já existe, ao mesmo tempo que acumulam escolhas de draft e mantêm espaço salarial para o que for necessário.
Ou seja, Detroit está numa posição em que pretende uma época positiva, mas não a qualquer custo. Falta alguma profundidade ao nível do talento, em especial no que diz respeito aos bases. Com a lesão de Jackson, Detroit ficou sem alternativa fiável na posição de PG, Caldwell-Pope tem melhorado a sua participação mas está longe de ser o atirador letal que fora prometido (embora o seu papel defensivo tenha aumentado), e não existem muitas alternativas nas posições exteriores. A prova de que não existe grande sentido de urgência é que este problema foi resolvido através do draft, com Michael Gbinije, ao invés de ser resolvido no mercado.
Detroit tem talento e juventude, talvez não em quantidade suficiente para chegar aos lugares cimeiros, mas deve conseguir no mínimo, fazer algo semelhante ao ano anterior. E esse parece ser a principal meta.

Objetivo: alcançar playoff
Força: presença de Andre Drummond
Fraqueza: posições de base

Nuno R.

VM
Author: VM

20 Comentários

  • vfcquiterio
    Posted Outubro 17, 2016 at 3:31 pm

    Acredito que ambas poderão estar nos playoffs! Como adepto dos Bulls, gostaria de os ver novamente na ribalta, mas concordo no facto de o plantel parecer curto e as opções exteriores não serem as melhores!

  • João Ribeiro
    Posted Outubro 17, 2016 at 2:45 pm

    Estou curioso por ver como é que uma equipa cheia de jogadores que gostam de ter a bola e com jogo exterior quase inexistente irão coexistir. Mais do que uma 8th seed será uma surpresa pois duvido muito que estes jogadores se encaixem, e nesta era uma equipa sem lançamento exterior, tem tudo para dar para o torto…

  • To Madeira
    Posted Outubro 17, 2016 at 11:57 am

    Fazendo um pequeno update ao texto, a trade de MCW para os Bulls por troca com Tony Snell parece vir agravar ainda mais este problema de terem demasiados jogadores q gostam de a ter na mão.. (a bola claro :p)

  • João
    Posted Outubro 17, 2016 at 11:38 am

    Uma coisa que lamento tremendamente é ver num blog desportivo com desta dimensão a perpetuação de dogmas. Não se leva a mal a um escritor português escrever Dwayne em vez de Dwyane – mas a ideia de que Rondo é um péssimo lançador de triplos não se adequa a quem escreve numa plataforma deste relevo. Rondo lançou com uma percentagem de 36,5% no ano passado de triplo. Não é um J. J. Redick, mas é perfeitamente respeitável. Wade nunca teve luz verde para lançar do perímetro, mas na pré-época tem tido boas percentagens agora que o treinador lhe indicou que investisse mais nesta parte do seu jogo. E é fundamental perceber que não é o 5 inicial que estará 48 minutos em campo conjuntamente. Há Mirotic (que funcionaria potencialmente como stretch-4 a titular) e McDermott, bons triplistas. Até Canaan se pode dar melhor nesta área com uma equipa talentosa à volta.
    Dito isto, é difícil assegurar que os Bulls cheguem muito longe sem um big man de elite (ainda que Gibson tenha um óptimo footwork e talento no low-post, e Lopez seja um bom defensor do cesto, o que é fundamental na NBA atual). Mas espero que consigam um lugar entre o 5o e o 8o posto no Este.

    • João Ribeiro
      Posted Outubro 17, 2016 at 2:40 pm

      36.5% num jogador que lança 2/3 triplos por jogo, é só horrivel

      • João
        Posted Outubro 17, 2016 at 4:06 pm

        Se tu o dizes, quem sou eu para refutar. Convém fundamentar o que se diz, havendo possibilidade disso, mas podemos todos atirar postas.
        Mas é perceptível pela tua foto que preferes volume shooters.

    • Kafka
      Posted Outubro 17, 2016 at 11:57 am

      O Rondo tem 28,9% no total da carreira da linha de 3 pontos, é cá um atirador de 3 pontos que vai lá vai…upa upa.

      • João
        Posted Outubro 17, 2016 at 1:37 pm

        Esse argumento é tão forte como dizer que o Vince Carter foi um péssimo lançador de triplo porque lançou abaixo dos 30% na sua primeira época; ou como dizer que o Kobe Bryant foi toda a carreira um jogador atlético que preferia finalizar perto do cesto do que desenvolver o seu post footwork; ou até que o LeBron James foi sempre um péssimo lançador de meia distância por inicialmente ser fraco nessa componente. O facto de um jogador não ter sido sempre competente numa área não o impede de progredir e melhorar, especialmente com o avançar da idade.
        Portanto, esse é um argumento de quem, neste caso, não está a interpretar o jogo.

        • José
          Posted Outubro 17, 2016 at 2:38 pm

          O kobe em termos de footwork deve ser dos melhores de sempre…

          Nem sabia a % de lançamento, mas vejo os jogos do rondo e tudo o que seja jumpshoot ele não é fiável e da linha de 3pt face à oposição que os adversários lhe dão é miserável…

          • João
            Posted Outubro 17, 2016 at 4:04 pm

            Exactamente. Mas no início da carreira era um jogador menos polido, com menos fundamentos. Por isso não podemos estipular que aquilo que um jogador faz durante grande/maior parte da carreira determina o que vai fazer até ao fim. Por isso, se o Rondo tiver mais uma temporada como esta última, é perfeitamente aceitável olhar para ele como um atirador razoável/fiável. Não um fora de série, mas competente.

      • José
        Posted Outubro 17, 2016 at 12:22 pm

        Por seres fan de chicago não quer dizer que o que se escreve é errado.

        Ao rondo já nem defendem qual ele está na linha de 3 pts e mesmo assim a percentagem dele é hórrivel. O wade é preciso lembrar que ele teve meses na época passada sem marcar de 3pt?

        Por algum motivo a alcunha dele é flash e não é por estar parado na linha de 3 pt…

        • João
          Posted Outubro 17, 2016 at 1:45 pm

          Por acaso sou fã dos Suns, não sou particularmente apreciador dos Bulls.

          Considerar que 36,5% é uma “percentagem horrível” é um pouco grave. Se calhar há tendência a pensar que lançar acima dos 40% é normal para quem vê os Golden State e os toma como referência, mas acima dos 35% é respeitável. E se essa percentagem se manteve ao longo de 82 jogos, não é mera coincidência.
          Relativamente ao Wade, como referi, é óbvio que é um jogador que nunca apostou nos triplos e tem uma mecânica de lançamento algo peculiar. Lança raramente mais do que um 1 ou 1,5 triplos por jogo. Se tiver permissão para lançar mais e trabalhar esse lançamento pode perfeitamente surpreender.

  • Meneses
    Posted Outubro 17, 2016 at 11:14 am

    Ousmane Dembele
    Gabriel Jesus
    Marcus Rashford
    Embolo
    Emre Mor
    Renato Sanches
    Thiago Maia
    Enes Unal
    Malcom
    Gérson

  • troza
    Posted Outubro 17, 2016 at 10:40 am

    Os Bulls não têm uma equipa preparada para o jogo de hoje. Pouca ameaça exterior e Rondo… bem, Rondo não tem sido bom para as equipas onde joga.

    No entanto o que mais me preocupa é perceber para onde é que os Bulls caminham… admito que Warriors vs Cavs #3 não deixa dúvidas e que os Bulls não teriam hipóteses de chegar lá… mas será que isto é o adiar do regresso à lotaria numa época em que os rendimentos das equipas vão subir ou faz parte de alguma estratégia a longo prazo? Acredito ser a primeira…

  • Pedro Miguel S.M. Rodrigues
    Posted Outubro 17, 2016 at 10:05 am

    Tenho sérias, sérias dúvidas que os Chicago este ano consigam alguma surpresa digna de registo… Playoffs? Talvez, mas para além da primeira eliminatória dos Playoffs, não me parece.

    O leque de jogadores ao dispor de Hoiberg parece uma manta de retalhes sem um plano estratégico por detrás. Não coloco em causa a qualidade de Wade (quem sabe, não esquece) e não são exibições na offseason que me irão convencer que Rondo pode ser um joker.

    No fundo, acho que existe demasiada confusão, e até se orientares, os Bulls poderão ter jogos de registo, mas no final do dia, o nível não será suficiente para levarem de vencida os Cavs na final da Conferência… O que me deixa desgostoso, mas quando não se sabe como gerir…

  • Guilherme Silva
    Posted Outubro 17, 2016 at 1:07 am

    Como antes disse, os Bulls são o maior exemplo de como não gerir um plantel. Não critico a contratação de Hoiberg, mas todos sabiam, ou pelo menos deviam saber, que o seu esquema sempre exigiu atiradores. No primeiro ano, com o plantel que tinha seria difícil, mas depois da troca de Rose e com espaço salarial para atacar o FAP, as contratações de Wade e Rondo não fazem qualquer sentido. São dois jogadores que não são ameaças exteriores credíveis, e para além de isso voltar a bloquear todo o esquema ofensivo de Hoiberg, são dois jogadores que rendem apenas com bola na mão. E esse foi precisamente o grande problema entre Butler e Rose, que nunca souberam como dividir tempo de posse e serem úteis enquanto o outro controlava o ataque. Ou jogava bem um deles, ou outra. Agora, são 3 ball hoggers na mesma equipa, e a coexistência vai ser bastante complicada. Tem tudo para correr mal.

  • Prosporix
    Posted Outubro 17, 2016 at 12:53 am

    Disse-o no post sobre os hawks e boston pq perguntaram pelos bulls e volto a dizr q na minha opinião, vao aos playoffs… A irem não será nos primeiros lugares claro, mas acho que têm qualidade para seguir rumo aos playoffs.. Já os pistons… mt sinceramente não me dizem nada..por isso não os sigo mt e apenas dou a opinião de observador “distante”. Em comparação com chicago têm a vantagem de o ano passado terem chegado aos playoffs, e isso para mim acho que tem q ser tido em conta. até pq a equipa não perdeu as grandes armas que tinha..mas ainda assim acho q ficam abaixo dos 8 primeiros

  • Jordan
    Posted Outubro 17, 2016 at 12:52 am

    Vejo os Bulls como os mais fortes rivais dos Cavaliers.

    • João Ribeiro
      Posted Outubro 17, 2016 at 2:49 pm

      Quanto aos Pistons acredito que cheguem aos Playoffs. A equipa é a mesma, com a diferença de que Tobias Harris agora começará logo a época, pelo que a unica diferença em relação ao ano passado será mesmo um maior enquadramento de um jogador que poderá ser fundamental para a equipa. Como a equipa o ano passado conseguiu ir aos Playoffs, algo menos do que isso será uma desilusão, embora a Conferência de Este seja perigosa, e facilmente uma equipa com um plantel semelhante passa de um lugar de playoffs para um lugar de fundo de tabela (ex: Bucks)

    • João Ribeiro
      Posted Outubro 17, 2016 at 2:45 pm

      Sonhador

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