Vai imitar Pantani e vencer também o Tour? Passeou nestas três semanas (era óbvio que ia triunfar por esta margem), inclusive deu a ideia que até se podia ter poupado (não consegue controlar a ambição de ‘limpar’ tudo), mas em França a concorrência será muito diferente.
Tadej Pogačar sagrou-se campeão virtual do Giro ao vencer a penúltima etapa. O ciclista esloveno, que junta esta Grande Volta aos dois Tour, venceu na chegada a Bassano del Grappa, e somou assim a 6.ª vitória, praticamente um terço da competição. Além disso, o talento da UAE sentenciou o triunfo na camisola da montanha. A mais de 2 minutos chegou o grupo dos restantes favoritos, designadamente o restante top-5, composto por Daniel Felipe Martinez, G. Thomas, Ben O’Connor e Tiberi, ao passo que Bardet e Arensman, que estão no top-10, chegaram mais atrasados. Na geral Pogačar lidera com menos 9’57” que Daniel Martínez, enquanto Thomas completou o pódio a 10’26”.


17 Comentários
ohomemdabeirabaixa
Desde os tempos de Eddy Merckx que sigo o ciclismo até porque também sou praticante amador da modalidade. Já vi muitos campeões, corredores extraordinários (depois de Merckx, B. Hinault, G. Lemon, M. Indurain, A. Contador, C. Froome…) e agora T. Pogacar e J. Vingegaard.
Adoro a modalidade. Por paradoxal que pareça é um excelente espectáculo de TV bem melhor do que visto ao vivo dada a natural rapidez do contacto visual com os atletas neste último caso.
Neste contexto, para mim, a forma de correr de Pogacar é sem sombra de dúvidas mais espectacular e muito mais interessante de ver do que a que observamos em Vingegaard.
É entusiasmante a forma de correr do esloveno. Se é a que lhe traz mais proveitos em resultados, ou não, é-me indiferente.
Prefiro claramente ciclistas tipo Merckx, Contador, Pogacar (ou mesmo Pantani que ainda não tinha citado), que corredores resultadistas tipo Froome ou Vingegaard, a que óbviamente não posso tirar o extraordinário valor que estes também demonstram.
E depois Pogacar tem uma característica única (não me lembro de ver ninguém assim) que é a genuína felicidade que demonstra em cima da bicicleta.
Parece que é tudo tão fácil… E é de facto tão difícil.
Se gostam de ciclismo apreciem um dos momentos da etapa de ontem do Giro quando Pogacar em plena fuga a caminho da vitória, subindo uma montanha das mais difíceis, onde os outros ciclistas não encondiam o sofrimento, aceitou um bidon de água de abastecimento pelo seu lado direito e logo de seguida o entregou a um pequeno espectador que o seguia esbaforido e extasiado pela passagem do seu “herói”, no seu lado esquerdo. O desporto também é feito destas pequenas coisas lindas…
VaideMota
Obrigado por essa nota que mostra o lado mais humano dos ‘super-humanos’.
TJCS82
Relativamente à discussão Pogacar Vs Jonas, sou muito mais adepto do Esloveno e da sua irreverência. O Jonas é demsiado programado, sem grandes emoções e muito sinceramente tenho algumas dúvidas sobre a sua repentina evolução qualitativa.
O Pogacar sempre ganhou desde pequeno, o Jonas chegou a fazer lugar 105 na Volta à França do Futuro que o Tadej ganhou. As diferenças, até porque o Pogacar manteve o nível, dificilmente desapareceriam de uma forma tão gritante
PogOATacar
O Tour de l’Avenir que te referes que Poga ganha, Vingegaard 1 mês antes tinha caído e se lesionado numa prova italiana.
Cambiasso
Também podes dizer o mesmo em relação ao Froome e Thomas… O tempo de maturação dos corredores é individualmente diferente, apesar de agora estar a ser mais precoce que há 20 anos (talvez apenas o Contador entre nas contas), não muda nada. O Jonas tinha resultados pouco convincentes até 2021, se não estou em erro, mas nesse ano faz segundo no Tour, acaba a 5 ou 6 minutos do Pogačar, mas teve quedas na primeira semana (aquela famosa queda da espectadora com o cartaz). Depois veio o trabalho específico para conseguir resistir aos ataques de grande intensidade do Pogačar e principalmente treino para conseguir manter um ritmo de grande intensidade por vários minutos em subida…
Olheiro da 2ª
Um Giro, que por força da participação do Pogacar, “acobardou” as outras equipas.
Poucas equipas decidiram levar “artilharia” da pesada para o Giro. Com excepção da Astana (quem a viu e quem a vê), o resto levou as 2ªs linhas do plantel, ou seja, não levaram o melhor (seguindo o ranking da UCI, tirando o Pogacar não havia mais nenhum top-20 mundial na startlist deste Giro).
Neste sentido, também faço uma crítica à UAE, por não ter percebido os sinais da outra equipa para levar mais um “peso-pesado” ao Giro e assim tentar lutar por um 2º lugar (tem 5 corredores no top-20 da UCI), visto que no Tour serão demasiados “pesos-pesados” na mesma equipa que terão de dar primeiramente uma ajuda ao Pogi e depois lutar entre si pela alternativa mais fiável quando o Pogi não está (vai ser digno de uma telenovela mexicana, ver Yates, Ayuso, Almeida, Sivakov, McNulty a lutarem entre si pelo lugar de 2º chefe. Arrisco-me a dizer que vai ser cada um por si.), o que pode enfraquecer a performance da equipa nas etapas mais duras e até comprometer o objetivo principal.
Por fim acrescentar que neste giro que muitas equipas ficaram praticamente desfeitas na primeira metade da volta, o que levou a que este Giro perdesse o seu interesse (ex: Israel, Visma Lease, Astana, Arké).
Por fim os prémios:
MVP – Pogacar (obviamente), mas menção para Tiberi e Narvarez.
Revelação – Pellizzari (para o ano irá sem dúvida para uma WT Team) e Valentin Paret-Peintre;
Desilusão – Geraint Thomas. É verdade que a idade já “pesa”, mas nem uma tentativa de fuga (já nem falo contra o Pogi, mas contra os restantes ciclistas de Top-10) para se evidenciar como o melhor dos “humanos”. Não é inferior ao Daniel Martinez, mas perde o top-2 por essa questão.
PogOATacar
Só um aparte McNulty não vai ao Tour, vai fazer preparação 100% focada nos Jogos Olimpicos (lutar por uma medalha no CR já foi anunciado por ele).
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Quanto a outro homem para lutar pelo top3 no Giro não concordo porque os outros homens que referiste já fizeram top3 em GV (Almeida, Ayuso e Yates) e Sivakov é homem 100% de trabalho foi para isso que foi contratado e já o vimos a fazer isso para outros líderes em outras provas este ano.
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Quanto enfraquecer a equipa por não ter homens de trabalho acho que o único não irá trabalhar e irá ser poupado e ser o “Joker” da UAE é Ayuso. Almeida e Yates sempre que correm com Pogacar nunca pensam na ambição pessoal e trabalham para ele (exemplo, Almeida na Liege deste ano e Yates no Tour do ano passado).
PogOATacar
O fator principal deste 10 minutos foi o que mais critiquei: UAE.
O que a equipa manteve um nível superior a todos, não dando margem de deixar Pogacar sozinho foi fundamental (Majka é demasiado bom, o principal ombro direito do final de carreira de Contador e do inicio de Pogacar).
Agora o nível deste top10 é demasiado penoso, ninguém atacava ninguém, ninguém tentava fazer algo diferente, nem pela vitória final mas lutar por top3,5,10. Ninguém atacava, foi o grande ponto negativo. Mesmo na Vuelta’23 com a Super Jumbo, havia tentativas tanto de ataques como estratégias tentar contrariar isso.
Art Vandelay
6 Grandes Voltas até agora na carreira aos 25 anos:
– 2 Tours
– 1 Giro
– 2 segundos lugares no tour
– 1 terceiro lugar na Vuelta
Luke Skywalker
Por curiosidade, entre ele e o Vingegaard, qual consideraria o melhor ciclista? Não o mais completo, porque isso dá para perceber que é o Pogi. Ainda assim, sinceramente, depois do que se viu no Tour nos últimos 2 anos, diria que o Vingegaard é claramente melhor ciclista (vá…voltista, para ser mais preciso) e, entre os dois, até prefiro mais o estilo do homem da Visma, sinceramente.
Miguel
Melhor ciclista é o Pogacar, até comparando o palmarés, nomeadamente na questão das provas de um dia. Já melhor voltista parece ser o Vingegaard, atendendo ao que se passou nos últimos dois anos no Tour. No entanto, este ano é capaz de ser 50-50. O Pogacar tem o Giro nas pernas e a preparação do Vingegaard não vai ser a ideal com a queda no País Basco.
SportingFan1906
Parece-me claro que o Pogacar é o melhor ciclista do mundo apesar do Vingegaard ter sido o melhor voltista em 2022 e 2023. O Tour é a competição mais importante do ciclismo mundial mas não é a única e os currículos do Pogacar e do Vingegaard fora do Tour não têm nenhum tipo de comparação: qual foi a mais importante vitória do Vingegaard até agora fora do Tour? Um Dauphiné ou Tirreno Adriático?
torq
O Vingegaard treina e planeia a epoca focado apenas num objetivo: o tour. Todo o calendario dele é feito para chegar ao Tour no pico de forma.
O Pogacar em Abril ja esta em forma a ganhar Monumentos e classicas. Nos ultimos dois Tours a epoca dele ja ia a meio, e o Vingegaard estava a “começar”.
Este ano, quando o Tour começar o Pogacar ja vai levar um Giro, uma Liege-Bastogne-Liege e uma Strade Bianche no bolso.
Por isso é dificil dizer qual o melhor ciclista/voltista de grandes tours.
Art Vandelay
Para mim o Vingeggard é melhor voltista e é muito mais inteligente a correr que o Pogacar…
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O Pogacar ataca em todas as etapas sem critério nenhum, isso é giro para os adeptos mas é burrice quando se tem de gerir uma grande volta de 21 dias e especialmente tem adversários ao mesmo nível
Luke Skywalker
Sem dúvida, concordo. Principalmente na parte da inteligência de corrida (acredito que aí talvez também seja a “irreverência” do Pog a tomar conta dele e aquela “ânsia” de querer tudo e não saber dosear as coisas).
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Pois. Notou-se isso perfeitamente no Tour do ano passado e acredito que iria acontecer o mesmo este ano, não tivesse havido a lesão do Vingegaard…mas pode ser que ele esteja a 100% no Tour e seja uma Grande Volta bem mais interessante daquela que foi neste Giro.
MrRalboa
Para mim Pogacar melhor do mundo de longe porque ataca em vários tipos de prova sejam elas monumentos ,provas de 1 semana ou 3
Agora Jonas melhorou imenso no contra relógio e é o melhor do mundo em alta montanha sobretudo em pendentes agressivas e longas mas vamos ver em 2025 porque este caso esteja em forma para o Tour é sem dúvida uma recuperação soberba depois da queda e das fraturas que teve . Caso contrário vai ser vitória de Pogacar até porque vai com os tubarões montanha todos na sua equipa (Yates , Ayuso , Almeida , Sivakov )
Luke Skywalker
Sim, é verdade. São ciclistas diferentes e com propósitos diferentes, também. Espero mesmo que o Vingo recupere para o Tour para termos mais uma “batalha” épica. Ainda assim, não acho que se deva dar a vitória do homem da UAE como garantida, se o Vingo não estiver ao seu nível. A concorrência que terá no Tour não tem nada a ver com a concorrência que teve no Giro e será o único que terá o desgaste de já ter uma Grande Volta nas pernas.