Duas críticas que tem sido recorrentes sobre a prestação de Portugal no Mundial, são a falta de atitude e principalmente a fraca condição física dos jogadores. Ora, neste capítulo, e apesar dos números não traduzirem propriamente o que se passa, pois correr muito não é sinal de correr bem, verificamos que a selecção nacional (que ficou apenas no 16º lugar neste “campeonato) fez uma média de 107,7 km na fase de grupos, menos 10,4km que a Austrália (a que correu mais nos 3 primeiros jogos), mas mais 7,4 que por exemplo o Brasil, que conseguiu a qualificação para os oitavos-de-final com 7 pontos. A nível individual, Michael Bradley dos EUA foi o jogador que mais distância percorreu, cerca de 38 km, mais 5,1 km que Moutinho e 5,7 que Nani, os 2 elementos de Portugal com mais Km’s na fase de grupos.



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Antonio
A falta de jogadores como Antunes, Adrien ou Quaresma fez-se notar sobretudo por causa do elevado número de lesões que a equipa teve e que veio pôr a nu as carências dos polivalentes quando um Mundial é uma coisa demasiado exigente, que pede especialistas. Uma coisa é Portugal trazer apenas um defesa-esquerdo – Coentrão – e ter alternativas pouco rodadas na função sentadas no banco para qualquer eventualidade e outra, bem diferente, é vir para o Mundial só com um defesa-esquerdo, perdê-lo logo no primeiro jogo, e ter de experimentar duas adaptações nos dois jogos que restavam. E aqui se chega a um segundo erro da equipa técnica, um erro para o qual Paulo Bento e os seus adjuntos terão de procurar explicações em debate interno. A quantidade de lesões musculares que a equipa sofreu neste Mundial não pode ser só azar. Ou é provocada pela forma como se trabalhou ou é porque se assumiu riscos excessivos na chamada de jogadores que, de acordo com os tais testes que qualquer equipa faz, não estariam em condições para jogar um Mundial. E aqui o problema do julgamento popular é que é feito com base em palpites, quando o que vale mesmo são os valores encontrados na saliva e na urina dos jogadores.
O resto, a necessidade de sucessivas reorganizações da equipa, nasceu da consciencialização das insuficiências descritas atrás. Sem alguns dos seus jogadores fixos disponíveis desde o início da preparação, Paulo Bento optou por baralhar tudo nos três amigáveis que a equipa disputou nesta fase. No início da competição, porém, voltou à fórmula de Novembro, do “play-off” com a Suécia. Com uma diferença: Ronaldo não estava como há seis meses. E aqui, tanto a eliminação precoce da seleção como aquilo que se ouve no Brasil da boca de jornalistas estrangeiros tem de servir para que os portugueses enfrentem a realidade. Esta equipa portuguesa vale tanto como vale o seu melhor jogador: com Ronaldo em grande nível, Portugal poderia chegar longe na prova; com Ronaldo limitado, a equipa não é capaz de mascarar a sua “ausência”. “Ronaldo estava machucado e também há que reconhecer que não está muito bem acompanhado”, dizia com leveza Marcelo Barreto, condutor do programa “Seleção” com que a Sportv do Brasil encerra diariamente a sua programação sobre o Mundial. É inútil debater se Portugal é ou não a quarta melhor equipa do Mundo, como diz o último ranking FIFA antes da competição. Com um bom Ronaldo, talvez seja. Mas sem o Ronaldo dos melhores momentos fica muito aquém.
Antonio
O muito que falhou no Mundial português
Muito se tem falado dos três penteados diferentes que Cristiano Ronaldo exibiu em outros tantos jogos do Mundial, mas até o tradicionalmente conservador Paulo Bento mudou mais vezes de organização na equipa. E esse, sim, foi um problema real que a seleção nacional não conseguiu superar de forma a evitar a queda na primeira fase da competição. Na base das mudanças estiveram muitos fatores, nem todos voluntários, mas esse é um argumento que os que exigem a queda de um selecionador ao qual sempre chamaram “teimoso” ou “casmurro” não estão preparados para apresentar. Paulo Bento cometeu erros, é verdade, mas não foi o único e até já foi confirmado pelo presidente da FPF até 2016. Agora é altura de introspeção, de identificar aquilo que se fez mal, para evitar errar de novo. E é aí que a conferência de imprensa do selecionador após a vitória de Pirro sobre o Gana me deixa preocupado – porque fico com a ideia de que, se tivesse que fazer a convocatória hoje, Bento voltaria a escolher os mesmos 23.
O primeiro erro do selecionador na abordagem a este Mundial não foi a escolha da amena Campinas como base de trabalhos. Como bem disse anteontem João Moutinho, “nenhuma seleção escolheu trabalhar em Manaus”. Esse é o argumento popularucho dos que encontram sempre na “atitude” a justificação para as vitórias e para as derrotas. Portugal passou pelos EUA e foi para Campinas porque era ali que se podia trabalhar melhor e não para fazer férias – ainda que, sobretudo nestas alturas do ano, muitas vezes a melhor forma de trabalhar seja dar descanso aos jogadores. O primeiro erro do selecionador foi a convocatória, com a insistência em jogadores fisicamente condicionados e o esquecimento de outros que podiam ter tido um papel importante na competição. Hoje em dia, qualquer treinador, qualquer equipa médica de um clube de média dimensão, faz testes aos jogadores para saber o que eles podem dar. A seleção portuguesa não será seguramente diferente, pelo que já se sabia em que estado se encontravam alguns dos fixos do grupo. As palavras de Bento, porém, funcionaram como um brusco puxar do travão de mão à renovação da equipa. Quando o selecionador fala em gratidão a quem fez muito pelo grupo no passado recente está a ver a questão – aqui sim – de forma excessivamente conservadora. Mantenho o que disse e escrevi antes do Mundial: uma convocatória para um Mundial não deve ser feita com base naquilo que os jogadores fizeram entre Agosto e Maio, mas sim olhando para o que eles podem fazer em Junho e Julho.
Kacal l
Portugal não correu muito, nem correu bem, aliás, nem jogaram bem e com a bola em sua posse nem sempre decidiam bem, mas foi um Mundial para esquecer, só gostei da exibição contra o Gana (tirando a parte da finalização e o CR7 ser perdulário), de resto, foi um Mundial abaixo de fraco.
Cesk Fazfebras
Este quadro só vem mostrar que o importante nao é quanto tu corres, mas como corres…
E é um facto que dos apurados metade estao no top16 das equipas que mais correram e a outra metade nao…
Fernando Martinho
Por norma quando se corre muito é quando se anda atrás da bola…
Gonçalo
Pelos vistos não foi um problema de capacidade física.
E se forem ver o lugar em que ficou o Bruno Alves ficam admirados.
Kafka I
Não dou interesse nenhum a estes dados, porque mais que correr, há que saber correr bem, e olhando por curiosidade para a lista, repara-se que dos actuais 16 finalistas, só 7 é que estão nas 16 primeiras equipas que mais correram, portanto não é por este dado que se pode aferir se o trabalho foi bem ou mal feito..
Kafka I
Rectificação 8 e não 7
Jeremy
Acho que isto pouco interessa…
O importante não é correr muito é correr para os sítios certos e foi aí que falhámos, na parte tática, como se viu na cobertura dada ao flanco esquerdo no jogo com os USA.
Basta ver a lista para perceber que correr muito pouco interessa. Nos 1ºs 16 apuraram-se 8 equipas, nos segundos outras 8.
A preparação física não me parece que tenha sido o problema, o mal foi levar jogadores que andaram a época toda lesionados como Postiga, ou que vinham lesionados, Patrício.
Depois naquelas condições de humidade e calor a probabilidade de lesões parece que aumenta 4x, pelo menos foi isso que disse o Bruno Prata na RTP ontem.
David
O que interessa não é a quantidade de Km que se corre, mas sim a qualidade. Prova disso é que os dois países que mais correram foram… corridos do mundial.
Ricardo Ricard
Correr é relativo,não demonstra a 100% nem mais nem menos empenho.Vejamos o Brasil,a Argentina,o México e o Uruguai por exemplo.