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Qatar’2022: O principal outsider

A Dinamarca ofereceu-nos a história mais bonita do último Europeu. Desde o trágico incidente com Eriksen à incrível resiliência dos seus companheiros, os dinamarqueses conquistaram adeptos em todo o mundo e corresponderam dentro de campo, só caindo no prolongamento das meias-finais e praticando o melhor futebol que se viu na competição. O objetivo agora é dar continuidade no Mundial, prova na qual nunca superaram os quartos-de-final, sabendo que o fator surpresa já se foi. Ainda assim é a seleção, fora das habituais candidatas, que reúne mais condições para brilhar no Qatar, contando com uma geração apetrechada em todos os setores e que nos últimos 6 meses derrotou por duas vezes a França, seleção que voltarão a enfrentar neste certame. A inclusão no grupo D, juntamente com os franceses, a Austrália e a Tunísia, deverá permitir a passagem aos oitavos, mas a partir daí é uma incógnita (ficar em 1.º tem importância acrescida devido aos cruzamentos). A qualificação foi um passeio (1.º lugar com 27 pontos em 30 possíveis, sendo que única derrota foi já no último jogo, 30 golos marcados e apenas 3 sofridos) e na Liga das Nações também deixaram boa imagem (1 ponto separou os nórdicos da Croácia, que seguiu para a fase final). O plantel tem vários jogadores a jogar nas melhores equipas do Mundo, como Eriksen, Kjaer, Höjbjerg e Christensen, outros também já muito rodados (Schmeichel, Andersen, Wass, Delaney, Braithwaite), vários talentos a mostrarem-se na alta roda (Maehle, Skov Olsen, Lindström) e em Damsgaard um craque que, apesar de tardar a afirmar-se a nível de clubes, foi uma das sensações do Euro’2020. São ainda das seleções onde mais se nota o dedo do treinador na forma de jogar. Hjulmand tem alternado entre vários esquemas táticos, ora organizando a equipa em 3-4-3, 3-5-2 ou 4-3-3, mas os dinamarqueses destacam-se sempre pela vontade de ter bola, procura de combinações em jogo apoiado e largura dos laterais, que têm muita influência no jogo ofensivo. Por último, o facto de algumas das referências dos últimos anos deverem estar a fazer a última grande competição pela seleção pode também servir como um tónico motivacional adicional.

Estrela: Christian Eriksen (Médio ofensivo, 30 anos, Manchester United) – Protagonista da história que marcou o último Europeu, o craque dos Red Devils viveu dois anos muito conturbados, com a sua situação clínica a ser alvo de muita incerteza. No entanto, a sua recuperação superou todas as expectativas e regressou a um grande clube muito antes do esperado e a este nível é sem dúvida a grande figura dos dinamarqueses. Dono de um pé direito invejável, pode atuar em todas as posições do meio-campo para a frente, emprestando a sua inteligência, criatividade e qualidade no passe em qualquer zona do terreno. As bolas paradas são igualmente um ponto forte (é um exímio batedor de livres).

Jogadores em destaque: Joakim Maehle (Lateral direito/esquerdo, 25 anos, Atalanta) – Da escola dos laterais destros adaptados à esquerda, Maehle destaca-se pela qualidade técnica e capacidade que tem para se entrosar no ataque. Aparece frequentemente na área adversária e tem um registo de golos anormal para a posição (fez 5 na qualificação); Pierre-Emile Höjbjerg (Médio defensivo, 27 anos, Tottenham) – A viver o melhor momento da carreira, é o médio responsável por oferecer equilíbrio à equipa. Agressivo e forte nos duelos, é um dos líderes do plantel e homem de confiança de Hjulmand (fez todos os minutos na última Liga das Nações); Andreas Skov Olsen (Extremo, 22 anos, Club Brugge) – Outro que chega ao certame em ponto rebuçado. Encontrou na Bélgica o contexto ideal para brilhar e com isso ganhou também o seu espaço na seleção. No último Euro jogou pouco, mas neste Mundial tem tudo para deixar a sua marca e contribuir com golos e desequilíbrios.

XI Base: Schmeichel; Christensen, Kjaer, Andersen; Wass, Delaney, Hojbjerg, Maehle; Eriksen, Skov Olsen, Dolberg

Jovem a seguir: Jesper Lindström (médio ofensivo/extremo, 22 anos, Eintracht Frankfurt) – O jovem do Frankfurt ainda tem pouco currículo na seleção (vai estrear-se em fases finais de competições internacionais) e, à partida, não deverá fazer parte das escolhas iniciais de Hjulmand, mas o impacto que tem tido na Alemanha leva a crer que poderá ser uma arma secreta de muito valor. Jogador muito rápido, atua preferencialmente à esquerda e destaca-se pela sua agressividade e notável sentido de baliza (7 golos em 20 jogos esta época). Bate muito bem na bola.

Lista de convocados: Guarda-redes: Kasper Schmeichel (Nice) e Oliver Christensen (Hertha Berlim); Defesas: Daniel Wass (Brondby), Rasmus Nissen Kristensen (Leeds United), Jens Stryger Larsen (Trabzonspor), Joakim Maehle (Atalanta), Andreas Christensen (Barcelona), Simon Kjaer (Milan), Joachim Andersen (Crystal Palace) e Victor Nelsson (Galatasaray); Médios: Pierre-Emile Hojbjerg (Tottenham), Thomas Delaney (Sevilla), Christian Eriksen (Manchester United) e Mathias Jensen (Brentford); Avançados: Mikkel Damsgaard (Brentford), Andreas Skov Olsen (Brugge), Jesper Lindstrom (Eintracht Frankfurt), Martin Braithwaite (Silkeborg), Kasper Dolberg (Sevilla), Jonas Wind (Wolfsburg) e Andreas Cornelius (Copenhaga).

Selecciondor: Kasper Hjulmand

Prognóstico VM: Oitavos-de-final

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

14 Comentários

  • Borsalino
    Posted Novembro 8, 2022 at 9:27 am

    Só 21 porquê? Alguém sabe dizer? Faltam o entusiasmante Rasmus Höjlund e o Alexander Bah.

    • Goncalo Silva
      Posted Novembro 8, 2022 at 9:52 am

      Só são 21 porque o selecionador ainda está à espera de ver alguns jogadores que estejam com problemas físicos. Também acho que deveria ter levado Bah, mas não ficam mal servidos com Kristensen, Stryger Larsen e Wass.

  • Dario Nunes
    Posted Novembro 8, 2022 at 10:09 am

    Já é a segunda vez que o VM se refere à Dinamarca como principal outsider, algo que com todo o respeito não consigo concordar. Não vejo nada de especial nesta equipa. O Erikssen já foi um grande jogador, mas hoje em dia já não é.
    O Schmeichel também já teve dias bem melhores a meu ver, e o resto são os apenas jogadores que variam entre o mais ou menos e o bonzito.
    Concordo com a previsão, acho que passam o grupo e fica pelos oitavos.

    • AndreShevchenko
      Posted Novembro 8, 2022 at 1:56 pm

      Tal e qual também não entendo o fetiche da maioria pela Dinamarca seleção mediana só e apenas só isso, o registo que traz da qualificação foi num grupo ridículo dos mais fracos que já vi.

      • kiterioVFC
        Posted Novembro 8, 2022 at 9:34 pm

        Sim… No último europeu foram somente às meias finais, tendo sido eliminados num jogo com uma arbitragem vergonhosa.Mas sim são medianos…

        • AndreShevchenko
          Posted Novembro 9, 2022 at 9:14 am

          E quem eliminou nos oitavos e nos quartos? Grandes colossos o país de Gales e a chequia, pode ter sido roubado nas meias mas que equipa de topo ganhou mesmo??
          Ganhou a França na liga das nações uma competição que a maioria dos selecionadores nem quer saber.

  • JFN
    Posted Novembro 8, 2022 at 10:14 am

    Ainda não superei a 100% a eliminação da Dinamarca pela Inglaterra no Euro. Cheguei às meias finais a querer ver a final Dinamarca – Espanha e saiu completamente ao lado.

  • Jeco Baleiro
    Posted Novembro 8, 2022 at 12:18 pm

    Sem dúvida das selecções europeias em melhor forma e das que melhor joga. Sempre a quererem a bola, pressionantes, literais muito ofensivos. Acredito que darão continuidade no mundial.
    Passar a fase de grupos é “obrigatório” depois depende se passam em primeiro (acho que o podem fazer embora a França seja favorita) podem almejar os quartos de final (melhor classificação em 1998), se passarem em segundo já é mais complicado pois cruzam com o grupo da Argentina (partindo do princípio que a celeste passa em primeiro).
    Arrisco os oitavos de final mas são uma selecção que se pode bater com qualquer um dos candidatos.

    E já agora um apontamento histórico interessante: sempre que Dinamarca e França se enfrentaram na fase de grupos de um Mundial ou Europeu, com excepção de 2002, o troféu foi sempre para uma das duas (1984, 1992, 1998, 2000 e 2018).

  • AndreShevchenko
    Posted Novembro 8, 2022 at 1:53 pm

    Não levar o bah deveria dar crime, wass joga na liga dinamarquesa mesmo sendo bom jogador é um contexto inferior a liga portuguesa e Champions, mesmos os outros não acho nenhum superior ao que bah tem jogado…

  • Antonio Clismo
    Posted Novembro 8, 2022 at 2:34 pm

    Dinamarca é talvez a única seleção a ter feito alguma coisa para chamar a atenção para os crimes que foram cometidos por detrás da organização deste Mundial.

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