algo “franzino”, era chamado de “Maradona”, um rótulo que fazia jus à elevada técnica
do seu pé esquerdo e ao que evidenciava ainda muito jovem quando despontava nos
escalões jovens de Vitória de Guimarães. Não tardou em dar o “salto” para um dos
clubes, ditos grandes, o FC Porto (juntamente com Vieirinha e Rabiola numa troca pelo
avançado brasileiro Rafael), ainda com 15 anos, onde viria a completar a sua formação
futebolística. O ponto alto da sua ainda curta carreira (tem actualmente 26 anos) foi sem
dúvida o memorável Europeu de sub-17 de 2003, realizado em Portugal. “Maradona”
(a estrela da equipa) foi um dos principais destaques da competição, juntando boas
exibições a dois golos marcados (ambos na Final contra a Espanha, vitória de Portugal
por 2-1) numa equipa que contava já com bastante qualidade, principalmente no meio-
campo e os extremos. A selecção de Sub-17 Portuguesa contava então com jovens
que hoje são jogadores de reconhecida qualidade e alguns que representam inclusive
a selecção principal clubes, como Miguel Veloso, Bruno Gama, Vieirinha, Paulo
Machado, Hélder Barbosa e João Moutinho (o actual médio do FC Porto na altura era suplente de João Coimbra). Num
ano memorável a nível pessoal, foi ainda campeão nacional de Juniores B pelo Porto na
época 2002/2003. Participou no Mundial de Sub-17 2003, na Finlândia onde Portugal
foi derrotado pela Espanha nos quartos-de-final.
deixavam antever um futuro risonho e extremamente promissor e era considerado um
dos grandes valores da formação portista, e a expectativa depositada era extremamente
elevada. A posição que ocupava no terreno, medio ofensivo (“10”), tornava-o uma
autêntica “pérola” para o futuro do futebol portista e do futebol nacional, pois
apresentava características tidas como pouco comuns num jogador tão jovem. Era um
craque que empolgava com o seu toque de bola e evidenciava-se pela sua elevada
qualidade técnica, um bom pé esquerdo, uma capacidade de construção assinalável,
fantástica visão de jogo, velocidade de execução, bom remate (e de remate fácil),
qualidade na marcação de livres. Sendo um jogador algo rápido e de toque fácil, era
um “10” ao estilo do próprio Diego Maradona, protegendo muito bem a bola e
driblando com facilidade os seus oponentes, fortíssimo no um-para-um. Um
predestinado, diria com facilidade, quem o visse jogar, tal era a classe e desenvoltura
com que se movia em campo. Diz-se muitas vezes que um jogador mais forte
fisicamente sobressai mais facilmente nas equipas jovens, mas “Maradona” era a
perfeita antítese disso, servindo-se bem da sua relativa baixa estatura (não que fosse
muito mais baixo que os restantes) para ultrapassar os adversários. Despertou as
atenções com as exibições do Europeu Sub-17, sendo que, muitos foram os clubes
europeus de olho no craque portista, enviando olheiros com alguma regularidade, e
seguindo o jovem craque de perto.
alcunha
Após a vitória no Europeu Sub-17, continuou a brilhar nos juniores do FC Porto, tendo
tal motivado a convocatória para a equipa principal pelo José Mourinho, num jogo da
Taça de Portugal frente ao Maia, ainda no antigo estádio das Antas, embora não tivesse
sido utilizado. Tudo parecia encaminhado para o jovem, inclusive as épocas em que
ainda júnior, era regularmente chamado à equipa B do FC Porto, da II Divisão B. O
seu percurso enquanto sénior começou a adivinhar que todo o potencial e demonstrado
não seria cumprido, tendo começado precisamente pelo FC Porto B, e posteriormente
emprestado ao Sporting da Covilhã e ao Vizela, clubes onde a escassa utilização (que
é algo incompreensível, embora estejamos a falar de campeonatos mais físicos que
técnicos) prejudicou claramente a sua evolução. Em 2007 rescinde com o FC Porto
e chega a Rio Maior e através do seu empresário tenta a mudança para o Deportivo
da Corunha, que não se terá verificado por não se ter chegado a acordo entre todas as
partes. Segue-se meia época no Nelas, outra meia no Penafiel, depois muda-se para
Esmoriz e em 2010 chega ao Tondela, clube que actualmente representa (sendo titular a
10, a médio interior ou na ala esquerda) e que se encontra na Segunda Liga Portuguesa.
nacional (e mesmo internacional), ser titular na selecção nacional e poderia ter atingido
um nível próximo de Nani, p.e., e jogar numa equipa grande nacional ou mesmo numa
equipa de Top europeu.
Hoje em dia mantem alguns traços que o caracterizaram, a técnica apurada e os “pés de
veludo” com que joga, a visão de jogo e a marcação de livres, mas está um jogador um
pouco mais posicional e menos virtuoso, sem o repentismo e a desenvoltura de outros
tempos, menos forte no um-para-um e revela pouca intensidade a nível defensivo. Fica a
certeza que não é o jogador que poderia ter sido, numa carreira onde, aparentemente, os
empréstimos a equipas que jogam em escalões inferiores e com um futebol mais duro e
mais físico, claramente não beneficiaram a evolução do jogador na fase mais crítica.
No entanto, com 26 anos e a jogar na competitiva Segunda Liga, sendo que esta
aumentou a visibilidade e interesse com a inclusão das equipas B, é possível que
Márcio Sousa dê o salto para um clube um pouco maior, mas dificilmente voltará a ser
o “Maradona”, o “10” que todos nós gostaríamos de ter na actual selecção nacional.



41 Comentários
HC
Boas,
Excelente Post.
Raiuga deves ter-te lembrado pela publicidade do Report TV ;)
https://www.youtube.com/watch?v=renhWgsE3fs
Dia 25 de Abril vai dar no Report TV, Sport TV
Já vi tb o Report TV sobre o Fábio Paím e o Pepa (sim, aquele júnior do Benfica que marcou golo quando se estreou) e demonstram que apenas o talento não chega… É preciso ter a cabeça no sítio e vontade de trabalhar.
HC
Peço desculpa, não tinha reparado na data do post :)
Raiuga
HC,
Curiosíssimo referires o Pepa! Dizia-se na altura que era um craque mas creio que queria outras coisas que não futebol. Dos poucos jogos que vi dele, pareceu-me que já estava a decair de qualidade. Nos escalões jovens, era um grande destaque. Sabe algum pormenor do percurso do Pepa depois da estreia pelos séniores??
Já em cima referiram o Ivanildo, mas quanto a ele, creio que a velocidade e o drible rápido eram as suas grandes armas, no futebol sénior, isso não bastou para se afirmar em definitivo. No entanto, a sua carreira foi até agora razoável.
Cumprimentos
Raiuga
Raiuga
Perguntei-lhe do percurso do Pepa porque não vi o Report TV sobre ele, vi sim o do Paím (infeliz história de quem ainda não tem cabeça para o futebol…enfim…). Sabe qual o motivo da sua não afirmação? Creio que andou uns anos em escalões inferiores, correcto?
Raiuga
odracir
Bom dia,
conheço o Daniel como tambem era conhecido por aqueles que lhe são mais próximos desde pequeno, e sem duvida alguma que desde muito novo sobressaia, mesmo quando jogavam com miudos muito mais velhos do que ele. Um verdadeiro craque.
Na minha modesta opinião, o grande problema do "Márcio" foi não ter encontrado as pessoas certas. Aqueles que Hoje em dia gerem e fazem as carreiras dos jogadores(empresários), ou se calhar ter nascido no Brasil, para poder, chegar a Portugal e ao Porto com Fama de craque e começar logo a jogar na equipa A e não na B, o que sem duvida alguma lhe permitiria uma evolução completamente diferente, como aconteceu aliás com o Moutinho no Sporting. E para finalizar, vou dar-vos um exemplo:
Tiago Rodrigues (VSC), no ano transacto, apesar de uma lesão, jogou pouquíssimo no Amarante IIB, este ano numa divisão e num futebol completamente diferente, teve uma evolução tremenda.
Talvez tenha sido isso que faltou ao "Márcio" uma oportunidade para evoluir num futebol diferente.
Cumprimentos
Ricardo Marques