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Quo Vadis Futebol?

“Em breve a Liga da Arábia Saudita poderá ser uma das 5 melhores ligas do mundo.”. Esta declaração de Ronaldo gerou polémica há praticamente 2 meses atrás. Visto como uma forma de autopromoção, o mundo sabia que iriam chegar mais craques ao golfo pérsico. Mas, com certeza, todos estaríamos longe de imaginar, que em tão pouco tempo, tantos nomes sonantes compusessem agora um campeonato, que há cerca de um ano, tinha em Marega uma das suas figuras maiores. É amplamente sabido, que a Arábia Saudita procura no desporto um escudo que permita uma melhor visão do país, escamoteando assim tudo aquilo que viola seriamente direitos humanos fundamentais.

Ao dia de hoje, esta realidade ainda está longe de ser uma verdade. Muitos nomes sonantes chegaram, mas a grande maioria das equipas está longe de ter um 11 interessante e mesmo nos principais clubes existem apenas 3/4 jogadores bandeira. Contudo, é preciso notar que às contratações sonantes, quase diárias, ainda se somam um sem fim de nomes que se podem seguir. Desde de Pogba a Bernardo Silva, passando por Lukaku, Salah ou Mané, ou outros “menores” como Otávio, ou Mitrovic, os nomes têm sido muitos e o dinheiro parece ser infinito. Lá, o sultão compreendeu, que hoje, a marca de alguns jogadores sobrepõe-se à marca dos clubes. Percebeu a perda de influência e audiência que houve na Liga Espanhola, com a saída de muitas das figuras dos últimos anos e percebeu o poder crescente da Premier, precisamente por cada vez mais reunir os grandes nomes do futebol mundial num só campeonato.  Para se ter uma ideia, os Glazers pediam mais de 6 mil milhões pelo Man United, um dos clubes mais mediáticos do mundo. O PIF dispõe (dentro do que é conhecido) de cerca de mais 250 vezes esse valor. Segundo dados do Transfermarkt, o valor conjunto das 20 equipas da Premier League ronda os 10 mil milhões de euros, o PIF poderia fazer 150 campeonatos com 20 equipas a valer o mesmo. A fortuna disponibilizada pelo PIF é maior que todo o restante top-10 de proprietários de clubes de futebol juntos. Na Ásia não existe qualquer tipo de limite ou teto salarial e o mercado é substancialmente superior (4,5 mil milhões de habitantes, para 750 milhões), o que por si só confere uma enorme vantagem competitiva relativamente aos clubes sob a alçada da UEFA.

O mundo está em mudança, e num momento em que a Ásia ganha poder político, económico e tecnológico, podemos estar perante uma transição para aquilo que é o futebol de topo ao nível de clubes. O que poderá acontecer, ninguém sabe bem, mas seria importante que se comece a prestar mais atenção a este fenómeno, pois ao que tudo indica as intenções são sérias. Poderá ser um epifenómeno, que em meia dúzia de anos desaparece, ou poderá ser uma mudança definitiva na realidade que sempre conhecemos. Nestes tempos pantanosos, uma questão impera, Quo Vadis Futebol?

Visão do Leitor: Santander

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

5 Comentários

  • coach407
    Posted Julho 14, 2023 at 10:09 pm

    Algures por aí comparam a China com Óscar, Hulk, Witsel ou Carrasco com a Arábia Saudita com Benzema, Kanté, Koulibaly, Mendy, Brozovic, Rúben Neves, Milinkovic-Savic ou Roberto Firmino.

    Há uma diferença muito grande. É que Óscar, Hulk, Witsel ou Carrasco não eram dos melhores do mundo nem nunca tinham sido.

    Benzema é obviamente top 5 mundial na sua posição e era candidato a Bola de Ouro. Rúben Neves, Brozovic, Kanté ou Milinkovic-Savic são médios que podem jogar em qualquer equipa do mundo logo também são dos melhores do Mundo. Koulibaly é dos melhores centrais do mundo, Mendy é dos melhores guarda-redes do Mundo e Firmino é dos melhores avançados do mundo.

    Estamos a falar de jogadores que, na sua posição, são todos, no mínimo, top 30 mundial e estou a ser muito modesto.

    É disto que se trata. De contratar jogadores que realmente estão num patamar de topo mundial e que ajudam qualquer campeonato a ser de topo mundial. Excluindo obviamente o Jota que é um bom jogador, mas seria “mais um” de um campeonato de topo, ao contrário dos outros que foram para a Arábia.

    Depois há aquele argumento “Ah e tal, são trintões portanto já estão no topo das suas capacidades”.

    Como assim “no topo das suas capacidades?”. Se falarmos no Cristiano Ronaldo então estamos todos de acordo. Com 38 anos ainda não vi nenhum jogador que estivesse no topo das suas capacidades.

    Recordo as idades dos melhores jogadores do Mundo dos últimos anos:

    • 2022: Benzema, 34 anos
    • 2021: Messi, 34 anos
    • 2020: Lewandovski, 32 anos
    • 2019: Messi, 32 anos
    • 2018: Modric, 33 anos
    • 2017: Cristiano Ronaldo, 32 anos
    • 2016: Cristiano Ronaldo, 31 anos

    Nos últimos 7 anos consecutivos, a Bola de Ouro foi sempre para jogadores entre os 31 e os 34 anos. Bola de Ouro, estamos a falar do MELHOR do mundo a jogar ao mais alto nível do futebol mundial.

    Podemos assumir que jogadores como Firmino (31), Mendy (31), Kanté (32), Brozovic (30) e Koulibaly (32) estão longe de estar em idade de reforma e estão claramente com uma idade perfeitamente normal para jogar no topo do futebol mundial? O Benzema é o único que tem 35, mas literalmente acabou de ganhar a Bola de Ouro! É o melhor do mundo supostamente…

    Claro que a Arábia Saudita ainda não é (nem está perto de ser) um campeonato top 5 mundial, mas pelo menos já começa a ameaçar que realmente pode ser verdade em alguns anos caso haja consistência nessa aposta.

    Fabinho, Henderson, Aubameyang, Mitrovic, Otávio poderão ser outros dos jogadores a juntarem-se.

    Se conseguissem ter 4 equipas com jogadores deste patamar para todo o 11 titular já ficaria a ser discutível se o campeonato não é melhor que, p.e., o português que é candidato ao 6º lugar no ranking de campeonatos.

  • Neville Longbottom
    Posted Julho 14, 2023 at 11:25 am

    Cá está! Um grande texto do Santander, como habitual!

    SL

  • Jeco Baleiro
    Posted Julho 13, 2023 at 9:54 pm

    O país continuará a ser uma teocracia sanguinária.

    A liga poderá ter alguns highlights em face do mediatismo de alguns intervenientes, mas na minha opinião continuará desportivamente a ser irrelevante. O nível é ridiculamente baixo, não adianta uma equipa ter 3 ou 4 bons jogadores se os restantes são autênticos mecos.

    De todos só tenho pena da ida de Benzema , Milinkovic-Savic e Koulibaly, que ainda teriam muito a dar na elite do futebol. O resto, ou são estrelas decadentes, ou jogadores de nível médio.

  • Fantantonio
    Posted Julho 13, 2023 at 7:52 pm

    A imagem do país não há de mudar muito enquanto situações como a do Iémen continuarem como estão. Isto é atirar dinheiro aos problemas, não para resolvê-los, mas para varrê-los para debaixo do tapete.

  • Kafka
    Posted Julho 13, 2023 at 5:24 pm

    Já ontem abordei o assunto, é um tema interessante e que para mim será a questão de base a nível de formação a definir o rumo deste mega projecto

    A Arábia vai ter de começar a produzir 30/40 jogadores no mínimo por ano de um nível mínimo de Premier/La Liga/Bundesliga para que essa formação anual alimente o clubes mais fracos e componha os planteis dos mais fortes, que é isso que sucede nas grandes ligas.. O Elche, a Fiorentina ou o Luton não têm o dinheiro do Real ou City, mas como o nível médio do jogador produzido em Inglaterra, Espanha ou Itália é bom, isso permite alimentar as equipas mais fracas com qualidade a preços mais baixos

    É que ao dia de hoje, quantos jogadores árabes têm esse nível médio mínimo do nível de Lá Liga/Bundesliga/Premier/Série A? Basicamente nenhum, portanto isso ao dia de hoje levaria a que tivessem de ser contratados não apenas 20 ou 30 estrelas, mas ainda 200 jogadores de nível médio/médio alto e mandar embora todos os árabes que jogam na liga, ficando as equipas só com jogadores estrangeiros da Europa e América Sul ora isto por mais dinheiro que exista não é sustentável e é aí que vai ter de entrar a formação

    Mas os resultados na formação demoram sempre no mínimo 10/15/20 anos a obter resultados efectivos e com uma certa cadência

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