Na semana de mais uma paragem para compromissos das seleções (Outra vez? – dirão alguns), deixo aqui uma reflexão que se prende com uma velha questão: gostas/sofres mais do/pelo clube ou da/pela seleção?
Como tudo hoje em dia, levará provavelmente a respostas polarizadas e com algum desrespeito pela opinião contrária, como se fosse uma ciência exata. Pois bem, eu julgo que é até algo complexa e tem vários fatores e contextos. Primeiro, é preciso entender que a resposta a esta pergunta é normalmente orientada em parte por racionalização e por outra parte por paixão, portanto irracional, seja em que caso for. Em segundo lugar, até para cada um nós, pode ser fluído e variável no tempo. Alguns poderão em tempos ter sofrido pela seleção e com o tempo, por este ou aquele motivo, perderam a paixão ou deixaram de se sentir representados pela mesma. Outros poderão torcer mais pela seleção consoante o seu clube está numa fase de mais ou menos vitórias ou melhor ou pior gestão. E não será estanque, poderá ainda mudar, eventualmente. Será mais ou menos consensual que a paixão pela seleção, em Portugal, teve o seu pico no Euro 2004. Ter-se-á perdido algum interesse, mas não tanto, a meu ver, como muitas vezes é apregoado, facto verificável no epifenómeno nas fases finais de Mundiais ou Europeus em que o trânsito nas ruas quase faz lembrar o malfadado confinamento da Covid-19, e pelas audiências reportadas aquando desses jogos. Por outro lado, o futebol de clubes ocupa o interesse do consumidor de futebol diário, seja ao fim de semana, em dia de jogo, seja nos programas diários, redes sociais, etc. Os clássicos, os dérbis, as rivalidades, as cores, os jogos europeus. Há também a questão dos sócios, que contribuem com a sua quota parte financeira para o seu clube do coração, num patamar de dedicação ao mesmo assinalável. Depois há particularidades culturais/sociais, que não são lineares a 100%, mas que podem ditar uma preferência: sentimento de regionalismo (normalmente associado a preferência pelo clube), patriotismo ou nacionalismo (preferência pela seleção). Daquilo que é a minha experiência como adepto, de pesquisa em fóruns internacionais e da minha própria visão do assunto, considero alguns “mitos”:
– Pessoas que são adeptos de clubes grandes preferem o clube e adeptos de clubes pequenos preferem a seleção: Não. Há adeptos de clubes grandes do seu país que também sofrem com a seleção e que inclusive trocaram uma Champions/Libertadores por um Mundial. Por outro lado, há adeptos de clubes mais modestos que preferem ver o seu clube vencer o jogo seguinte seja em que competição for e não ligam à seleção.
– Adeptos que são naturais de países com seleções que não lutam por títulos, preferem todos o clube: Não. Não faltam imagens brutais de claques de países como Islândia, Hungria, Dinamarca (embora esta já tenha ganho um título), seleções africanas, asiáticas, etc., onde a paixão pelo seu país é fantástica.
– Se sofres pela seleção não és um adepto verdadeiro do teu clube: Discordo desta opinião em particular. É possível sofrer apaixonadamente pelo clube e também pela seleção e ninguém deveria ter o direito de acusar o outro de ser menos apaixonado pelo clube em função do que torce pela seleção. Tal como um ferrenho adepto clubístico não deve ser considerado à partida tendencioso quando defende esta ou aquela convocatória, embora, como sabemos, isto acontece não raras vezes.
Na minha opinião, as seguintes posições são respeitáveis:
– Os que torcem pelo clube e não ligam à seleção e nem sequer vêm os jogos.
– Os que torcem mais pelo clube, ligam à seleção, mas não sofrem tanto com os seus resultados.
– Os que torcem mais pela seleção (comum em adeptos mais casuais ou até em pessoas que só vêm futebol nas grandes competições de seleções).
– Os que sofrem e são apaixonados por ambos – nos quais eu me incluo, não me posicionando com nenhuma superioridade moral ou desrespeito pelas anteriores.
Não consigo respeitar, lamentavelmente:
– Os que torcem contra a sua seleção por motivos de ter mais jogadores do clube A, B ou C.
– Os que acham que as competições de clubes não deviam existir (não sei se existe, mas aqui fica)
– Os que passam a vida a dizer que não ligam à seleção e que devia perder, mas nos Mundiais e nos Europeus estão lá batidos a dizer que sempre torceram, ou seja, incoerência.
Excluo aqui a fluidez e a particularidade de cada competição, uma vez que como sabemos o formato e importância das competições é complexa, nomeadamente a questão Mundiais e Europeus versus Amigáveis e qualificações sem história muitas vezes ajuda a que haja alguma “hipocrisia de preferência”. Independentemente da posição, é difícil não considerar o Mundial de Seleções um evento completamente à parte e acima de todos os outros, o que leva em alguns países, nomeadamente no Brasil, a que tenham opiniões como: “Prefiro o time, mas na Copa viro animal torcendo pra seleção”, o que é compreensível, dado o contexto. Obviamente, há fatores que têm vindo a deteriorar esta dicotomia, nomeadamente, a toxicidade que os clubes por vezes fomentam por não convocar jogadores seus (ou quando convocam, quando são jogos amigáveis), os jogos de interesses, que são reais, infelizmente, e principalmente é necessária uma reformulação profunda das datas FIFA, que leva a muitas vezes a acentuar este divórcio.
Concluindo, não há uma opinião/preferência certa ou errada, até porque o que cada um sente internamente é pessoal e intransmissível e não deve escolher um lado por “pressão de grupo” ou moda e é da paixão interna aliada a alguma racionalidade que deve surgir a resposta a este binómio. Gostaria de ver a discussão, saudável, nos comentários, sendo a minha resposta à pergunta “Clube ou Seleção?”, e mais uma vez, reitero, sem qualquer superioridade moral: “Porque não ambos?”
Visão do Leitor: Rúben Meireles


18 Comentários
Silvestre
O meu desencantamento com a seleção começa quando vemos que se transformou num negócio controlada por JM e seu muchachos. A naturalização de muitos jogadores também não ajudou.
Obviamente que quero que Portugal ganhe sempre, não me é indiferente. Mas vibro com a seleção como vibro com o clube? Nem pensar. Costumo dizer à minha mulher, não troco uma taça da liga com o meu clube por um mundial com a seleção. A seleção serve outros interesse e pura e simplesmente não me emociona. Para bem ou para o mal…só o meu clube me dá alegria, euforia, tristeza e desânimo…
É a vida.
Cumprimentos a todos.
DNowitzki
Clube sempre e apenas desde 2012.
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Mas isto também coincide com um desencanto por determinadas coisas na vida, as quais se vão relativizando.
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Ainda era muito criança, mas ouvi pela rádio o Mundial de 1978 e fiquei fascinado pela Holanda e por Rensenbrink.
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1982 é o ano em que me apaixonei em definitivo pelo futebol. Até aí eram o atletismo, o ciclismo e o hóquei em patins,sobretudo graças à Comercial da altura, com Fernando Emílio, Costa Monteiro, Abel Figueiredo, etc. Mas ver aquela seleção do Brasil, os deliciosos Camarões, o festejo de Tardelli, a tristeza profunda pela eliminação do escrete…
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1984 é o ano do Euro, em que todos então sonhamos com Bento, Chalana e Jordão, até àqueles cinco minutos finais. Que ingrato é o mundo da bola!
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Depois vem um futebol cada vez mais retranqueiro e feio, só entrecortado pelo génio (e a trapaça) de Maradona e os mundiais dos putos portugueses, então mais ou menos da minha idade, bem como pela sua transição para a adultez.
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2004 é o ano em que nasce outro filho e Portugal se une no sonho. Não deu mais uma vez. Paciência! Com a saída da malta dessa geração, corta-se o fio com uma seleção que é outra coisa, muito distante da meninice: o egocentrismo, a negociata, o “marketing”. Finito!
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Pelo meio, o próprio Benfica é visto de forma mais distante, um pouco por causa do fim de gerações fenomenais (no hóquei de Luís Ferreira, o basquetebol de Lisboa e companhia, o andebol de Mário Gentil e Bunze, o atletismo de Leitão, Rita, Campos, etc.), mas sobretudo pelo lamaçal em que tudo se transformou e a que o clube não foi alheio. Fernando Martins, Damásio, Azevedo, o próprio Vilarinho, tudo culminando nesse ser intratável de apelido Vieira.
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Fiquei cerca de 20 anos sem pôr os pés num estádio e só voltei por causa dos miúdos, para vivermos um momento a três. Mas nada é hoje como já foi. Os olhos enxutos da inocência perderam-se há muito.
Slayer666
Clube só e apenas.
Eu gosto de deixar sempre bem claro: quero lá saber da seleção, só me interessa ver o Benfica.
Isso de brincar às seleções é um tédio e sou totalmente contra pararem os campeonatos para andarem os jogadores a fazer X km, com desgastes de viagens, fusos horários e arriscar lesões!
diasz
Parabéns pela excelente reflexão.
É um sentimento estranho, enquanto miúdo fantasiava com os jogos da seleção, era o único momento em que os amigos do Sporting e Benfica estavam todos pelo mesmo (na minha aldeia não há portistas). Não existia a discussão «o Pote não vai portanto não vou ver os jogos», era mágico.
Tive a sorte de crescer nos early 2000s e acompanhar todo o trajeto de Deco, Ronaldo, Fig, todos se juntavam para contemplar as estrelas que um país tão pequeno conseguia juntar, festejar as vitórias e chorar os desaires, que por sinal não foram poucos.
Hoje em dia não podia ser mais ao contrário, desliguei por completo do campeonato português, quase choro quando se aproxima uma paragem para seleções, inconscientemente assimilo o jogo com a gronelandia como a discussão de se o Inácio é melhor que o António Silva, que o Toti Gomes só vai porque é do Mendes, que se o Pote fosse do Benfica era titular da seleção há 3 anos, entre tantas outras tramas.
Gostava de voltar a viver a Seleção com entusiasmo, mas não creio que volte a passar num futuro recente.
rmatos24
Em primeiro lugar, parabéns pelo texto, reflexivo, completo, aberto a uma discussão saudável, que é como tudo deveria ser no futebol (e não só).
No meu caso, não foi diretamente por ele, mas acabou por ser mais ou menos nessa fase, quando Scolari deixou de treinar a seleção portuguesa, a minha ligação com a mesma foi diminuindo consideravelmente. Não tenho dúvidas que se Portugal tem ganho o Euro 2004, teria sido o momento mais apoteótico que alguma vez passaria enquanto adepto (e o Euro 2004 teve muitos desses momentos, faltou efetivamente o título). Scolari, lá com as suas fés e crenças, conseguiu unir a maioria dos portugueses como quase nenhum outro selecionador alguma vez conseguiu. Além disso, Scolari foi o homem certo no período certo. Após aquela fase, como alguns users já aqui mencionaram, em que Portugal pouco ou nada produzia (anos 90 foi para esquecer em termos de grandes competições, salvou-se o Euro 2000 com uma grande prestação), vem o Mundial 2002 com toda polémica do murro do JVP, eis que aparece um brasileiro que apelando à emoção, une Portugal como raramente aconteceu. Isto transitou para o Mundial 2006 e no Euro 2008 ainda se sentiu qualquer coisa, mas já estávamos na fase de cansaço de Scolari e no surgimento do fenómeno CR7 que transformou a seleção daí para a frente. Deixou de ser um grupo para passar a ser CR7 + os outros. Não tiro o mérito a Ronaldo, estava numa fase brutal da carreira, mas a Federação passou a tornar isso numa imagem de marca e os restantes passaram a ser mais figurantes que outra coisa (jogadores e selecionadores).
E é aqui que me desligo da seleção. Vejo os jogos, acompanho apuramentos, fases finais e mesmo amigáveis, mas mais por uma questão de gostar de futebol e de alguns jogadores que vestem a camisola das quinas, não propriamente com aquele sentimento da fase que falei em cima. Vibrei com a vitória no Euro 2016, mas ainda hoje fico mais emocionado ao relembrar o Euro 2004 do que propriamente os milagres que o Engº conseguiu em França.
Portanto, atualmente, claramente que vibro mais com o meu clube, o Benfica. Acompanho tanto clube, como seleção, mas os valores que hoje em dia transparecem no seio da seleção, não são algo com os quais me identifico. Pode não ser assim, mas é o que parece para fora. Jogos de interesse, pouca valor dado ao facto de se representar o nosso país (vai sendo cada vez mais banal), selecionadores que aparentam ser paus mandados, futebol resultadista (que posso perceber em alguns jogos, noutros nem tanto face ao elenco que temos). A tendência parece ser continuar, portanto, adepto continuarei a ser, mas sem a emoção de outros tempos.
Fireball
Acho que nunca consegui explicar muito bem o porquê do divórcio que sinto com a seleção, mas acho que tu conseguiste tocar no ponto principal. Ronaldo. E não o estou a culpar a ele, estou a culpar o endeusamento que se faz a ele. Deixou de ser a seleção portuguesa, passou a ser a seleção de Ronaldo. Para os adeptos, para os mídia, para tudo. Como disse o César Mourão, até não se importa que a seleção perca desde que Ronaldo jogue sempre. E 2008 marcou de facto a transição seleção/Ronaldo, quando Scolari sai e Ronaldo ganha a Bola de Ouro. Torcer pela seleção passou a ser torcer por Ronaldo. E isso não me desperta qualquer emoção.
Neville Longbottom
Ate concordo em grande parte. Mas gostava apenas de dizer que o mundial 2002 foi muito mais do que o murro do JVP. Foi o culminar de uma preparação miserável com decisões estapafúrdias da FPF da altura. Portugal tinha condições para, juntamente com o Brasil, ser a figura desse mundial e estavam todos em péssimas condições físicas (mesmo considerando a longa época que foi).
Filipe__Santos
2 notas:
1 – O “egoísmo” de preferir ver ganhar o clube em vez de preferir ver ganhar a seleção, vai muito daquilo que já se vivenciou com o próprio clube. Por exemplo, acredito que a % de adeptos entre os 30 e os 45 anos que prefere glória europeia do clube a um Mundial de Seleções é muito maior em Sportinguistas e Benfiquistas do que em Portistas. Isto porque os Portistas já puderam riscar esse desejo desportivo da sua lista. Da mesma forma que a % de adeptos a preferir um Campeonato Nacional por parte do clube a uma competição de Seleções, será muito maior em adeptos de Braga e Vitória do que nos adeptos de Benfica, Porto e Sporting.
2 – Apesar de muitos justificarem o seu desapego da Seleção com a “FPF do Ronaldo” e as “convocatórias do Mendes”, isso são mais desculpas que o lado racional de cada um cria, do que verdadeiros drivers de motivação: basta ver que sobre todos os 3 maiores clubes de Portugal, choveram nos últimos anos suspeitas éticas e legais mais ou menos comprovadas de foro tão ou mais grave do que aquilo que se passa na FPF. Alguém que não sente a Seleção por causa desses casos de postura organizacional, nunca poderia ser adepto ferrenho de Benfica Porto ou Sporting.
Na minha opinião, um dos principais motivos para que a Seleção seja apenas qb no que toca a gerar paixões, é o facto de só de 2 em 2 anos (com uma ou outra exceção pelo meio) ter jogos “a sério”. Ou seja, enquanto no Campeonato os adeptos sabem que o clube joga “a vida” todas as semanas, e às vezes até 2x por semana, que qualquer deslize vai dar vantagens aos rivais e motivos de chacota… Na Seleção 80% dos jogos são “para encher chouriços”. Mais: a Seleção até acaba por trazer inadvertidamente um fator de frustração aos adeptos por quebrar o ritmo das épocas (“então agora que o campeonato anda a ser semanalmente decidido nos minutos de desconto e em jogos de margem mínima, vamos ficar 15 dias sem jogos por causa de um Portugal x Eslováquia que nem dá para aquecer?”)
É tudo um processo de habituação psicológica. As sensações diárias que os clubes trazem, marcam sempre mais que o “longe a longe” em que a Seleção nos faz vibrar.
Amigos e bola
Nem mais. Concordo em tudo.
Jeco Baleiro
Clube. Sempre. Aliás é um sentimento incomparável. Nem nos momentos mais negros da história do Sporting a minha paixão esmoreceu. Não há comparação possível.
Não troco uma vitória do meu clube por um título da selecção.
Eu sempre fui assim agora admito que hoje em dia, pelo estado em que se encontra a Federação, o apego à selecção vá diminuindo.
E estou à vontade para falar porque considero o Mundial o maior evento futebolístico do planeta e a sua conquista, ainda é, o apogeu do futebol.
Manel Ferreira
Não me parece que seja uma questão de adeptos dos “grandes vs pequenos”, mas mais o que o Kafka disse, de pessoas que vivem muito o futebol de clubes tem tendência a colocar o clube por cima, enquanto adeptos mais casuais, tendem a viver mais a seleccão.
Nunca tinha mesmo ouvido isso dos adeptos dos “pequenos” serem mais pró-seleccão, até porque os adeptos “exclusivos” dos clubes não-grandes tendem a ser muito ferrenhos.
No meu caso em particular, estou no grupo do “vejo jogos da selecção, mas não consigo vibrar”. A razão para isso é que quando comecei a ver bola (93-94-95) a seleccão era irrelevante e isso fez com que não ganhasse muito apego. Não era uma coisa que existisse na minha vida. Aliás, o primeiro jogo que me lembro de ver foi o Portugal-Irlanda, do chapéu do Rui Costa, e já tinha uns 12 anos! Mesmo o Euro 04 passou-me relativamente ao lado, exceto passar o tempo todo a dar direções dos estádios aos estrangeiros.
Mas compreendo que, para pessoas que vivam muito a seleção, deve ser exaustivo ver adeptos ferrenhos de clubes a diminuírem a seleção apena porque foi convocado o jogador X e não o Y.
Jeco Baleiro
Pois é muito como dizes, também comecei a ver futebol em 93/94 (deveremos ser mais ou menos da mesma geração) e nessa altura a selecção portuguesa não existia. Além de que os nossos clubes nessa época ainda tinham bastantes craques de nível internacional até, o que dava um sal diferente. Eu queria era ver o Brasil do Romario, a Itália do Baggio, a Argentina (ainda) do Diego e do Batistuta, a Alemanha do Klinamann, a Holanda do Bergkamp…
Neville Longbottom
É verdade que a seleção não era um supra-sumo mas desde 94 que falhamos apenas o mundial 98. Depois disso foi sempre a somar.
Hirok "The Truth"
Clube claro.. ainda para mais quando a seleção nos últimos anos tem servido para agentes desportivos colocarem a render o seu peixe.. pela seleção apenas sofri no Euro 2004 e Mundial 2006, de resto claro que festejei a conquista do Euro 2016 mas não foi a mesma coisa..
Kafka
Da ideia que tenho os Sul-Americanos (especial destaque para os Argentinos, mas não só, regra geral no resto da América do Sul não muda muito) devem ser o povo que mais se aproxima do 50-50 entre amor ao clube vs amor à selecção… No resto do Mundo uns países é mais pela selecção e outros mais para o clube…
Mas isso como o autor do texto diz e concordo, também pode variar com o tempo, até com a idade varia e também com as competições varia…
Agora há um ponto aqui que é inquestionável, é que nada se compara a um Mundial de Selecções, essa é a única competição (para os Europeus talvez o Europeu se assemelhe) que é capaz de até ir buscar todos aqueles que não gostam ou não ligam a futebol, portanto independentemente de haver países onde se gosta mais do clube ou da selecção, é o Mundial de seleções que consegue aglomerar o maior número de pessoas em volta do futebol… A minha namorada ou a minha mãe não ligam nada a futebol, mas de 2 em 2 anos lá estão batidas a querer ver os jogos de Portugal no Europeu ou Mundial , e não tenho a menor dúvida que há imensos casos iguais ao meu
Portanto em suma, quem gosta e segue futebol diariamente realmente pode haver divisão e uns gostarem mais do clube e outros mais da selecção, mas para todos os restantes que não gostam nem seguem futebol, sem dúvida que todos os gostam e seguem mais a selecção, nem que seja de 2 em 2 anos no Mundial e Europeu
Diogo Moura
O meu pináculo de seleção nacional terminou em 2006. Vibrei mais com as vitórias dos jogos da fase de grupos do Euro 2000/2004, e sofri mais com a derrota do mundial de 2002, do que com a vitória do Euro 2016 ou as derrotas todas juntas. Com o passar dos anos, desliguei-me da seleção. Meto o olho e vejo os jogos, e apoio de forma mais informal. Porém, se me derem um amigável de pré-época do Benfica ou um jogo da fase de qualificação da seleção, a resposta para mim é extremamente fácil para mim, Sport Lisboa e Benfica. A razão? Essa é simples. Sinto que os jogos da selecção são actualmente mais um convívio de jogadores, do que garra e vontade de representar o país. Vão ali, tiram umas férias, fazem meia dúzia de treinos e pronto. Não há vontade de agarrar o lugar, não há vontade de demonstrar que é melhor que o concorrente, não há vontade de representar o que quer que seja. O nome na camisola é suficiente para entrar no 11. Depois também a “Ronaldização” da seleção não ajudou em nada.
Por norma diz-se que nenhum jogador, treinador ou presidente, está acima de um clube. No caso da FPF (vulgo seleção), defendem que um atleta está acima de um País. Entrevistas? Ronaldo. Tema do estágio? Ronaldo. Lugar cativo? Ronaldo… Enfim. A seleção há muito que deixou de representar Portugal. Passou a ser uma meretriz que Ronaldo porque este lhes enche os bolsos.
Passou também a representar jogadores portugueses agenciados por um empresário. A convocatória não é baseada em qualidade ou momento de forma, mas sim se o agente é o Mendes ou não.
Os naturalizados também não ajudaram à questão. Entendi o Deco e o Pepe, de facto, eram extraordinários. Não entendi foi Liedson, Makukula, Diego Souza, Otávio e agora fala-se no Galeno. Para quê? Temos lá melhor! Nenhum deles deu um claro upgrade, bem pelo contrário. Foram só tapar buracos a outros Portugueses que poderiam lá estar.
Em suma, entre clube e selecção, prefiro o clube. Prefiro ver o Benfica a ganhar uma Champions do que a seleção a ganhar o Euro. Ou, prefiro ver o Benfica a varrer tudo num ano (Champions, Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga, Supertaça e Mundial de Clubes) a ver a seleção vencer um Mundial.
l.lopes92
Revejo-me muito aqui, apenas com diferença de alguns anos… Até 2014 mais ou menos. Mesmo não ganhando via-se luta e garra. E não é só a presença do Ronaldo, é de tudo à volta da federação como mencionas. O que eu festejei e sofri naquele Suécia x Portugal nos playoffs de 2013 com o Ronaldo a nunca baixar os braços!
Agora troco fácil um jogo da seleção por qualquer jogo num estádio aleatório da distrital.
Para responder ao Rúben Meireles: não estou mais apaixonado pelos clubes, continuo apaixonado por futebol, estou menos apaixonado pela seleção
Borsalino
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