O esloveno nem esteve particularmente forte no final, mas até num nível médio consegue ganhar tempo a esta concorrência. A exceção foi Mas, que mesmo assim não fugiu ao ciclista da Bora.
O surpreendente Pablo Castrillo bisou na Vuelta ao ser o mais forte no Valgrande-Pajares. Cuitu Negru. O espanhol destacou-se na última subida e ficou à frente de Vlasov. Já Enric Mas foi o mais forte dos favoritos, tendo terminado em 4.º com Roglic. Ben O’Connor, por sua vez, perdeu mais 39 segundos para Primoz e tem agora apenas 43 de vantagem.


16 Comentários
Bayern de Monchique
Entretanto, após a etapa, o Roglic foi penalizado (20”) – e O’Connor recebeu uma pequena injeção de oxigénio para terça-feira. Próxima vez podem sempre simular um furo. É capaz de dar menos nas vistas…
Paulo Roberto Falcao
Bom há sempre duas formas de olhar para o que se passou.
Por um lado toda a gente faz ou tenta fazer aquilo, já houve tempos nos idos anos 80 em que ciclistas se agarravam ao carro da equipa, e simulavam lesões para ganhar vantagem descansando enquanto os outros pedalavam.
Por outro foi uma chico espertice, Roglic confiou demasiado no seu estatuto enquanto estrela e imaginou que as regras não eram para ele.
AndreChaves9
Ainda há bem pouco tempo houve ciclistas desqualificados por irem agarrados ao carro
Paulo Roberto Falcao
Certo mas nos anos 80 não havia controlo e quase não havia televisão, haviam duas camaras e o helicopetro, eram tempos de fraude generalizada. Lembro-me de vários peritos em estarem sempre “lesionados”, alguns bem famosos como Bernand Hinault.
AndreChaves9
Se simularem um furo não tem de parar ?
Levou os 20 segundos porque para recuperar foi bastante tempo atrás do carro da equipa simplesmente
Bayern de Monchique
Os comissários de corrida são bem mais permissivos com infortúnios do que com jogadas tácticas. Se ele tem furado ou tivesse um problema mecânico, acho que os comissários teriam fechado os olhos àquele drafting. Não seria a primeira, nem vai ser a última vez que isso acontecerá. Mas lá está.. isto é só a minha forma de ver as coisas. É raro ver estas penalizações quando os ciclistas não ser armam em smart-ass.
P. Pereira
Dizer que o JA é melhor que o Remco é parolice porque é provado por váriosfactos que o belga é muito melhor; dizer que podia ganhar esta Vuelta não é principalmente pelo que foi visto no Tour,no período pré-Vuelta e até à etapa que antecede o abandono. Já que foi falado desse Giro em 2020, é muito diferente dizer que o João podia ter ganho nesse ano e dizer agora que podia ganhar esta Vuelta. Nunca se sabe onde estaria neste momento da prova mas em 2020 a “queda” dele era tão anunciada como a do O’Connor nesta Vuelta, ou seja não se sabia bem até quando nem como (principalmente no caso do português porque era a primeira grande volta e fica de rosa quase por acidente) ia resistir mas a ideia era que acabaria por ceder.
Posto isto o australiano tem feito uma grande prova e tem-se superado para tentar ganhar mas continuo convicto que tal não vá acontecer.
Paulo Roberto Falcao
Ah e outra coisa a estreia do João Almeida ao mais alto nível foi BRUTAL, não deve desvalorizada de modo nenhum, mostrou a fibra do grande ciclista que é. Deu trabalho aos outros apanhá-lo, não foi assim como descreves, claro que foi especial. E claro que foi isso que projetou todo o resto do seu percurso, não pode ser desvalorizado desse modo, muito pelo contrário, um puto ir ao Giro e fazer quarto, claro que é especial. Mas para vencer são precisas coisas que ele não tem, e repara que eu não tenho nada contra o rapaz, eu gostava que ele tivesse, mas simplesmente não tem.
P. Pereira
Eu não quis de todo desvalorizar o que para mim foi um feito épico dele, acho que é um dos momentos altos do ciclismo português sem dúvida, mais de metade da prova com a camisola rosa e a combatividade que mostrou fez crescer a notoriedade dele no público português. Claro que o coração enquanto português acreditava no sonho dele talvez conseguir ganhar mas a razão apontava para uma quebra que era perfeitamente natural. Aliás esse Giro é curioso porque foi onde se viu mais um João a tentar ser explosivo a disputar ao sprint etapas em grupos mais compactos e que é algo que agora lhe é apontado como lacuna.
Mas lá eu também já vi ciclistas que parece que têm um motor a diesel que aparentam não sair do mesmo sítio (explosividade muito fraca) e a disputarem senão até a ganharem GV
Paulo Roberto Falcao
Quando é o João é tudo à épica, e temos o Canto XI dos Lusíadas, com o herói a aguentar estoicamente as investidas dos rivais, com o seu nobre coração lusitano a saltar-lhe no peito. Quando é o Ben O’Connor é tudo uma merda, o gajo é um velho, o gajo é uma merda, um ciclista mediano que tem tido sorte( já li aqui esse argumento extraordinário!), e o que ele está a fazer não é nada de especial, tal como o Landa, o Mas, e todos os que diariamente ofendes dizendo que não prestam.
Em resumo para ti só o Roglic( creio que por vergonha, enfim desse ridículo tens medo) e o João é que são bons, os outros são todos uma merda completa, e iriam ser todos facilmente comidos de cebolada pelo motor a disel, que claro está que na alta montanha iria dar cartas.
Sede de vencer
Verdade.
O Almeida é bom, mas não é um fenómeno capaz de lutar pela vitória em qualquer GT. Ponto.
Aliás, há uma diferença significativa num pequeno detalhe: o Roglic, por exemplo, não beneficia particularmente da desistência dos adversários. Isto é: não sobe lugares na classificação pelo azar alheio; pode “ganhar” tempo à concorrência, mas não tem essa escada.
O mesmo não se pode dizer do Almeida.
O gajo é combativo, o melhor tuga em décadas, mas falta-lhe estaleca. No entanto, para sermos justos, pode ser que o puxão de orelhas público ao ayuso seja sinal que ele se esteja a transformar interiormente.
Já para não falar do seu péssimo posicionamento…
P. Pereira
Desistências fazem parte do ciclismo e principalmente das Grandes Voltas. O João já foi “beneficiado” com isso mas também abandonou o Giro em 2022 quando estava no 3° lugar ali taco a taco com o Landa para garantir o pódio e perto de Carapaz e do Hindley (menos de 1′ de diferença para os dois salvo erro) e com isso o “deus Landa” ficou com o pódio garantido porque o Nibali estava longe já. O mesmo voltou a acontecer este ano (curiosamente com o Landa à mistura outra vez). Depois claro teve por exemplo este ano no Tour o abandono do Roglic, no ano passado o Carlos Rodriguez acaba a Vuelta todo em pedaços e permitiu também ali uma subida de lugares mas é como digo isso é das coisas mais comuns na modalidade.
Espero que consiga concretizar o sonho do ciclismo português e vença uma GV ou que pelo menos esteja na luta até final, caso não aconteça não vai apagar em nada a “lenda” dele e tudo aquilo que já atingiu até agora.
1. Quanto ao posicionamento acho que tem vindo a melhorar, apesar de ainda não estar aquelas coisas, e a experiência como gregário do Pogacar contribuiu para esse upgrade.
2. Voltou hoje aos treinos juntamente com o António Morgado.
3. A propósito disto só de realçar o facto de termos 4 portugueses numa das equipas de topo, um Rui Costa e um Nelson Oliveira (este então é um gregário de luxo mesmo) ainda no ativo e no World Tour e agora com a transição do Afonso Eulálio diretamente também para uma equipa do WT só mostra que é uma excelente fase para o ciclismo nacional (isto só falando do ciclismo de estrada e dos ciclistas porque o que não falta são portugueses nas “equipas técnicas” no World Tour).
Paulo Roberto Falcao
Tens que aprender a ler antes de escrever, se me queres responder metes reply, é inglês mas não é assim muito técnico, adiante.
No fundo estamos da acordo, à parte da parolice de dizeres uma coisa, que obviamente não se irá demostrar, ele não está. E não estaria, na primeira montanha mostrou logo que não vinha fino e foi largado por Mas e Roglic, e depois estes esperaram, mas segundo a tua tese mirabolante isso nunca mais iria suceder… As coisas simplesmente não assim no ciclismo, se não estás perdes tempo, mais tarde ou mais cedo. Tu vês as coisas em função dos invidividuos, tipo para ti o João é um super homem, porque obviamente a nacionalidade portuguesa lhe confere essa qualidade, e o Ben uma merda, para mim são dois excelentes ciclistas, e ciclistas outsiders, que para vencer têm que estar a Top e ter um percurso favorável- coisa que esta Vuelta não era, nem para um nem para o outro.
Estou-te a dizer isto porque não vejo o João Almeida a evoluir no mais importante, o futuro ninguém sabe. Enquanto ele não aprender a ser mais agressivo nas montanhas será muito dificil deixar o nível que tem atualmente. Ele o O’Connor, uma vez que têm mais ou menos o mesmo nível.
Por isso o engraçado seria ver-vos a falar se, na vez de O’Connor fosse ele a ganhar cinco minutos primeiro, e a perder dia a dia a vantagem. Estarias a dizer o mesmo?!
#parolos
P. Pereira
A ideia era responder ao comentário, não tenho culpa que o blog seja menos funcional numa plataforma mobile do que na web. Mas eu volto a dizer o que ando a repetir, eu não disse que o australiano não valia nada, o que eu digo desde o início é que não está ao nível do Roglic nem lá perto. Segundo isso do Mas e do Roglic terem esperado não me convence e eu volto a frisar também que não disse que o JA não ia ter quebras ou que não ia vacilar. Agora já o acompanho à tempo suficiente para acreditar que sem o COVID ele não ia estar longe do nível deste(!) Roglic e além disso o esloveno também já teve dias piores como foi o caso da etapa em que o Yates ganha onde o Roglic só não perdeu tempo porque a concorrência não estava/foi melhor que ele (com o bónus do Mas que ia era no mínimo acabar a sua participação na Vuelta se não tivesse aquela escapatória na descida), isto para dizer que ter quebras não implica perder minutos e ficar arredado da luta pela vitória. Sei bem que o português não é um ciclista explosivo e que a Vuelta é caracterizada pelos “muros” com pendentes altas em durações mais curtas onde o fator surpresa e explosividade é fundamental para ganhar vantagens.
Para acabar esse cenário do João estar na mesma posição do O’Connor é irrealista porque desde o início da prova que é tido como um candidato à vitória logo nunca o deixavam ganhar tempo numa fuga quanto mais o tempo que o australiano ganhou. Pondo esse “pormenor” de lado, se isso acontecesse era provavelmente porque o português não tinha condições para lutar pela vitória logo ia ter o mesmo discurso que tenho agora – é uma questão de tempo até à vermelha voltar para o Roglic. É a minha convicção e portanto no fim se estiver errado não tenho problemas nenhuns em admitir isso.
Luke Skywalker
Concordo com muitas coisas, mas uma das quais não concordo é querer comparar o Ben ao João…além do primeiro ter quase mais 3 anos, nunca ganhou uma prova por etapas (se não me engano), ao contrário daquilo que o português já fez e por mais do que 1 vez – estando perto da vitória ou do pódio em várias outras provas por etapas. O Ben já ganhou uma etapa em cada uma das 3 Grandes Voltas e tem mérito nisso, mas nem se compara ao ciclista que o João Almeida, neste momento, é e ainda se poderá tornar, porque acredito que ainda poderá evoluir mais um patamar – nunca chegará ao nível dos 3 melhores da atualidade, claro.
Paulo Roberto Falcao
Grande Vuelta, grande etapa, extraordinária a forma como Mas desta vez respondeu a Roglic, e como O’Connor, sem equipa e sem forças, se agarrou de corpo e alma ao que tinha. Mas Lagos de Covandonga, onde em 711 se deu a batalha que evitou que os Mouros conquistassem toda a peninsula ibérica, vai ser o local decisivo desta Vuelta, como quase sempre é.
A Vuelta parece cada vez mais inclinada para Roglic, mas é impressionante o trabalho que o australiano está a dar aos melhores trepadores da Vuelta. É engraçado que hoje me lembrava de um exemplo semelhante, de alguém fora dos favoritos principais que aparece. ganha uma boa vantagem e depois se agarra de corpo e alma à vantagem que venceu, e o exemplo que me ocorreu foi o de João Almeida no Giro de 2020, aquele em que esteve 16 etapas vestido de Rosa, sendo ingloriamente apanhado a terminar a prova, primeiro por Kellderman, depois por Hindley e Geoghegan Hart. Quem vir o resultado no Flashscore, tipo os analistas das dúzias, pensa: “olha o João Almeida foi 4.º”, na realidade o seu esforço merece ser valorizado, porque isso também é ciclismo. É ciclismo, parolice é querer fazer mais do que é, então li as coisas surrealistas, tipo que o João Almeida era melhor ciclista que o Remco Evenepoel, um pouco na linha das que agora leio, do podia ter ganho… O que o Ben O’Connor está a fazer, sem equipa, sem nada está provavelmente destinado ao mesmo, talvez com a diferença de vir a ter o prémio de ser 2.º atrás de Roglic, uma vez O’Connor que se defende melhor no contrarrelógio que Mas e Caparaz.