O Liverpool, com um vendaval de futebol, intensidade, pressão, qualidade e agressividade positiva, derrotou a Roma por 5-2, na 1.ª mão das meias-finais da Champions. Um resultado que coloca os Reds em boa posição para chegar à final de Kiev, mas os italianos colocam as suas esperanças numa reedição da reviravolta da eliminatória passada contra o Barça. Destaques:
Liverpool – Noite quase perfeita para a equipa de Klopp. Os Reds conseguem uma vantagem invulgar a este nível e têm tudo para estar na final da competição, no entanto os dois golos sofridos na parte final colocam um “mas” na exibição do Liverpool (voltou a ficar claro que a incapacidade de gerir vantagens é, provavelmente, o grande defeito dos pupilos de Klopp), tendo os ingleses de encarar o duelo no Olímpico com máxima seriedade (o que aconteceu ao Barça serve de aviso). Ainda assim, e indo ao (muito) de bom que os Reds fizeram, é preciso destacar que a Liga dos Campeões voltou a viver uma noite épica em Anfield. Após a boa entrada da Roma, o Liverpool, empurrado pelo público (Anfield quando ruge começa a levar a sua equipa para a frente e a fazer o adversário encolher-se), começou a pressionar de forma extremamente agressiva e a ligar ataques rápidos e venenosos com uma velocidade para a qual os Giallorossi não tiveram argumentos. E toda esta vertigem dos Reds, que em certos momentos pode virar-se contra a equipa (ao não “congelar” os jogos), permite ver autênticos vendavais únicos no futebol europeu, voltando o Liverpool a marcar muitos golos (5) num período relativamente curto (33 minutos), algo que já havia sucedido nas eliminatórias anteriores contra FC Porto ou Manchester City. Individualmente, Lovren comprometeu no lance do 5-1 e revelou dificuldades contra Dzeko, ao passo que Milner foi um dos expoentes máximos da feroz reação à perda de bola do Liverpool (por vezes no limite das leis). Chamberlain saiu lesionado e veremos se não terá o Mundial em risco mas Wijnaldum entrou bastante bem no desafio. Na frente, como vem sendo hábito, estiveram 3 setas que conjugam inteligência de movimentos, agressividade ofensiva, técnica, capacidade goleador e disponibilidade para pressionar como poucos. Mané conseguiu marcar mas não só esteve perdulário como tecnicamente não teve a mais precisa das exibições, ao passo que Firmino fez um encontro que dissipa todas as dúvidas em relação à sua qualidade: o brasileiro é um autêntico arquitecto de ataques, baixando no terreno ou caindo nas linhas, analisando o jogo e servindo os companheiros da forma mais conveniente, juntando a isto uma grande solidariedade com a equipa e um bis. Finalmente, Salah voltou a ser a estrela, sendo o martelo que perfurou a muralha adversária e começou a dar sentido à superioridade do Liverpool. O egípcio leu os espaços de forma excelente e executou ainda melhor, com dois belos golos (um excelente remate em arco e mais um tento em que somou a uma longa corrida com bola discernimento para finalizar muito bem), uma assistência e diversas acções repletas de classe confiança.
AS Roma – Uma noite que teve contornos de pesadelo mas que permite sonhar. Os homens de Di Francesco entraram bem no desafio, com linhas subidas, bons momentos de pressão, circulação e aproximação à área rival, dando uma imagem de confiança. No entanto, a partir do momento em que Mané dispôs da primeira grande chance para o Liverpool, os visitantes não conseguiram responder à avalanche do seu adversário, vendo-se perfeitamente desnorteados perante a velocidade e precisão dos Reds. Na perspectiva da Roma, era essencial baixar o ritmo do encontro e o que se viu, durante cerca de 30 minutos, foram inúmeras perdas de bola das quais resultaram transições e espaço para que o Liverpool corresse, e neste contexto os golos foram chegando à baliza dos italianos com naturalidade. Na parte final, com as alterações de Di Francesco e o tirar do pé do acelerador por parte do Liverpool a Roma fez dois golos, ficou perto de outro e, apesar do resultado ser, naturalmente, bastante mau, os italianos ganharam a hipótese de sonhar com os tentos apontados nos derradeiros minutos, sobretudo tendo o precedente da eliminatória contra o Barça (sendo certo que será preciso uma Roma perfeita para conseguir estar em Kiev). Individualmente, Allisson sofreu 5 golos mas não foi propriamente culpado em nenhum, tendo ainda tido uma ou outra boa intervenção, ao passo que Manolas somou várias hesitações e erros defensivos, apesar de ter sido Juan Jesus o pior dos defesas da Roma, não tendo capacidade para lidar com as investidas de Salah. Mais à frente, Naingollan, como é seu timbre, mostrou qualidade e força mental para remar contra a maré, ainda que um pouco sozinho e sem apoio. Finalmente, Dzeko foi fundamental nos melhores períodos da Roma (o começo e o fim), sobretudo pela forma como domina o jogo aéreo e foi uma referência frontal para os passes dos seus companheiros, não só recebendo as bolas como dando sequência aos lances com técnica e visão de jogo, conseguindo ainda um golo que, juntamente com o penálti de Perotti, levará os adeptos a sonhar.


6 Comentários
Marcos
Bobby Firmino, que craque. Que continue em Anfield por largos anos, e a parceria da frente também.
T. Pinto13
Firmino não poderia ser considerado para o Real Madrid? Penso que conseguiria fazer ainda melhor o que Benzema faz.
Tiago Silva
O Di Francesco mexeu mal na equipa. O Juan Jesus deveria ter saido logo ao intervalo para entrar o Perotti.
Mas o importante é que foi um grande espetáculo e ainda nos permite sonhar!
Rivelino
Este Salah é o jogador mais parecido com Messi que tenho visto. Ainda faltam várias coisas, obviamente, mas dá muito gozo vê-lo jogar.
Firmino faz-me lembrar o melhor Benzema, o que marcava 30 golos por época. Inteligência, classe, técnica, jogo entrelinhas muito evoluído.
Quinhas
Exactamente o que penso!!!
Rodrigo Ferreira
Salah merece todos os elogios e mais alguns, está à vista de todos durante toda a época aquilo que tem feito, mas muita atenção à temporada do Firmino. Avançado total, cresceu muito este ano. Super completo, rápido, forte no passe, na finalização, na pressão e muito inteligente. A muleta ideal para qualquer companheiro e um elemento que, além de marcar, é fundamental para Salah e Mané.
Por outro lado, Dzeko e Nainggolan são jogadores de outro nível na Roma. Podiam estar em qualquer plantel da Europa. Já os centrais acusaram muito a dureza de rins e alinhando com uma defesa subida foram presas fáceis. Também Kolarov teve problemas, De Rossi idem. Na 2.ª mão será provável uma defesa a 4 com Perotti no 11.