Que era este o estilo já todos sabiam, agora aplicá-lo tão rapidamente, e com este sucesso, num clube que estava algo moribundo e com maus vícios, é que está a impressionar tudo e todos.
A Marca falou com Jonathan Soriano para perceber o sucesso de Roger Schmidt no Benfica, e o avançado, que trabalhou com o alemão no Salzburgo e no Beijing, explicou que não está surpreendido. “Eu sabia que indo para um grande de Portugal ia triunfar. É distinto. Tem um estilo diferente do tradicional. É de ideias fixas: quer ser protagonista, agressivo, ofensivo. Independentemente do rival, quer sempre ir para cima. Conseguir marcar seis golos fora de casa na Liga dos Campeões é muito complicado“, começou por referir o espanhol, reforçando os elogios. “Tenta ser agressivo na pressão. Quanto mais perto da baliza contrária recuperares a bola, mais perto estás de marcar. Tem uma regra não escrita: quando a equipa ganha a bola, tem de chegar à área contrária em menos de 10 segundos. Treinávamos muito isso. Até tínhamos uns megacronómetros que nos indicavam o tempo que demorávamos em cada ataque“. O antigo goleador destacou ainda a intensidade é a imagem de marca de Schmidt. “A intensidade não se negoceia. Com Schmidt não existem ataques passivos nem treinos tranquilos. A mim, ao início, custou-me adaptar. De segunda a sexta-feira era intensidade pura e dura. A intenção é superar linhas muito rápido. O objetivo é fazer jogadas em quatro ou cinco passes“, concluiu.


9 Comentários
Khal Drogo
Grande trabalho de Schmidt. Para terem noção, percorrendo todas as equipas das 54 primeiras divisões da UEFA, só há 5 equipas totalmente invictas em 2022/2023 (ou 2022, nas federações em que o ano civil coincide com a época):
– Três que, no entanto, não estão nem estiveram envolvidas nas competições europeias no decorrer desta época:
— Pafos (Chipre)
— Swift (Luxemburgo)
— Glentoran (Irlanda do Norte)
– Duas que estiveram e continuam a estar presentes nas competições europeias:
— PSG (França)
— Benfica (Portugal)
Notável.
Miguel Mendes
A culpa não é das arbitragens?
Dca
Atenção que o Schmidt numa entrevista ao Benfica admitiu que o seu estilo mudou. Ele próprio disse que ele e Ralf Rangnick (e outros) no Salzburgo, criaram o modelo do Gegenpress, precisamente o que o Soriano descreveu, um jogo super vertical, quer na pressão quer no ataque. Disse que tentou replicar no Leverkusen o mesmo modelo mas que agora apesar de ter os mesmos princípios, atua de forma diferente, já tem um ataque mais temporizado e tudo mais. E este Benfica é muito mais uma equipa de posse do que de Gegenpress. Tem pressão alta, mas longe do atropelo que era o Salzburgo (e até a pré época curiosamente), tem contra ataques fortes, mas é uma equipa muito equilibrada e mais de gestão de posse.
Tem os MCs e a equipa super bem equilibrada no momento ofensivo que quando perde a bola é raro se ver o meio descoberto, e todos lutam pela bola e ao mesmo tempo recuperam.
Portanto, esta entrevista é interessante e será sempre interessante ver ex jogadores a falarem de treinadores, mas já não me diz tanto em relação aquilo que é o estilo do Schmidt a nível de jogo. A nível de treino, acredito que deverá ser muito intenso, ao próprio estilo alemão.
Joga_Bonito
Excelente comentário.
Filipe Ribeiro
Exactamente,eu era um critico dele na altura que andava tudo doido com o seu Salzburgo,por isso mesmo a equipa expunha-se em demasia e o seu Leverkusen pior ainda.
Este Benfica é bastante diferente,sabe cadenciar ,dá ao jogo o ritmo que ele está a pedir no momento.
Diogo Moura
Vejo e sigo o Benfica desde o final dos 90′, e este Benfica de Roger Schmidt joga muito, mas mesmo muito à bola. Para mim, é a melhor versão desde que sou adpeto do clube. Superou o Benfica de Jorge Jesus da época 09/10. Agora só espero que isto se traduza em títulos.
Antonio Clismo
Os treinadores portugueses que tenham a humildade de ver e tentar replicar em vez de estarem com as balelas da periodização tática e fórmulas que ficaram paradas no início do século.
Os treinadores portugueses são muito bons a NÃO JOGAR FUTEBOL. Nisso são top mundial. Fechadinhos, perder tempo, conjugando posse com pressão quando é preciso, correndo o menos possível.
Chega um Schmidt cá a Portugal e é avassalador em poucos meses. No mínimo obriga a pensar
Antonio Clismo
Ou então saem técnicos com um estilo kamikaze como o Miguel Cardoso ou o Silas que querem jogar alto e com pressão alta a todo o momento embora não saibam como o fazer, na verdade.
O segredo está na preparação física dos jogadores.
Arrisco-me a dizer que o plantel do Benfica está num nível físico que nunca nenhum plantel em Portugal esteve em toda a história. Isso permite-os correr o dobro dos adversários e ter sempre sobriedade em todas as ações.
KCL
Essa do nível físico que nenhum plantel esteve em toda a história… Calma.
Jimmy Hagan conseguiu feitos incríveis com muito menos recursos (tecnologia e estudo da condição física dos atletas. nutrição, etc).
Vamos deixar que se faça a época completa e depois tirar as conclusões.