É desta? Parece apenas o desespero do Real, Barça e Juve a falar por não conseguirem acompanhar a capacidade financeira dos clubes da Premier League.
O projeto da Superliga está de volta e a nova proposta parece mais ‘simpática’. No documento, intitulado ‘Dez princípios para uma Liga europeia de futebol’, a A22 Sports Management, empresa responsável pelo projeto, começa por frisar que “o futebol europeu está à beira do abismo” e que “têm surgido enormes desequilíbrios no nosso continente relativamente a clubes europeus tradicionais com um glorioso passado, que hoje são incapazes de competir”. Neste sentido, a ideia é criar uma uma Liga aberta, com várias divisões e composta por entre 60 a 80 equipas. Além disso, como base para a participação estaria o mérito desportivo de cada equipa em cada temporada, não existindo membros permanentes, sendo que cada clube faria pelo menos 14 jogos. Tal como na Superliga proposta inicialmente, esta ‘nova Superliga’ seria uma competição à parte, com as equipas participantes a continuarem a disputar as competições domésticas. Recorde-se que a ideia original da Superliga pretendia a criação de uma prova disputada pelos seus 12 clubes fundadores (AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, FC Barcelona, Inter de Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham), aos quais se juntariam mais oito, mediante determinados critérios. Esse projeto, no entanto, foi inviabilizado em 2021 e a maioria dos clubes fundadores desistiram do mesmo, com exceção para o Barcelona, Real Madrid e Juventus.


26 Comentários
Stravinsky
Parece-me que isto não resolve problema nenhum.
O que eu gostava de ver era limite de 3 transferências de jogadores por ano.
Só assim poderia haver surpresas nos campeonatos, que levariam equipas “improváveis” à liga dos campeões, que lá poderiam ganhar algum dinheiro extra para continuarem a desenvolver jogadores e de vez em quando comprarem um fora.
Mas isto trazia mais variedade de clubes vencedores porque o dinheiro não ficaria sempre nos mesmos (porque os melhores jogadores não iam todos para os mesmos 3 ou 4 clubes)…
Ou seja não trazia a eternidade no poder que estes clubes fundadores querem, substituindo uma lógica de competição desportiva por uma de espetáculo.
Tiago MR
Sera este o futuro, um modelo global europeu para que todas as semanas do ano tenhamos pelo menos “meia duzia de bons jogos”, daqueles que nao sao para ver no estadio mas sim na TV, em pay per view, criando cada vez mais um fosso entre os clubes para que haja a elite, estilo NBA, e depois os clubes locais na sua parvonia. Isto é o que interessa para cativar paises que nao tem futebol e querem ver como as Arabias, a India, etc. e transformar num modelo de negocio viavel ao bom estilo piramidal por “mérito”.
é valido, claro que é, no entanto, no longo prazo estimo que vai ser um modelo que se vai cansar rapido pois o interesse pelo jogo cada vez é menor. As novas gerações nao conseguem consumir filmes de 1h30, como vao consumir futebol? Por outro lado a distancia de ter semana sim semana nao a sua equipa a jogar em paises diferentes, um barcelona ou mesmo um Porto ou Benfica a jogar tao longe, vai afastar as pessoas que gostam de estadio e vai aproximar estas pessoas, as que financiam os clubes, dos seus clubes locais, mais amadores para esta experiência mais local. Chamem-me velho ou desactualizado mas acredito que os clientes disto nao serao os Europeus e que os Europeus vao procurar alternativas.
Santander
Sinceramente, parece-me o futuro.. Mas enquanto a lógica for substituir a liga dos campeões, não me faz de todo sentido.. O problema parece-me estar mais nas competições nacionais do que nas internacionais.. O que faria sentido, na minha opinião seria criar 4/5 divisões Europeias com 20 equipas cada e jogar um campeonato a 38 jornadas.. O nacional passaria a estar para o continental, como o distrital está para o nacional.. sendo que o principal estudo teria de passar pela forma de subida dos diferentes campeonatos nacionais para última divisão europeia..
Tiago Silva
Concordo, esse seria o cenário mais interessante na minha opinião.
Goncalo Silva
Era essa a minha ideia exatamente, a maior diferença é que só seria uma liga continental e as subidas de divisão era decididas através da final-4 de uma verdadeira “Liga dos Campeões Nacionais” do ano anterior. Nessa nova Champions, não participaria nenhuma equipa da liga continental. Desceriam 2 equipas diretamente, e as outras duas eram decididas num play-off a 4 entre os perdedores da meia final e o antepenúltimo e ante-antepenúltimo. Os 8 primeiros da liga continental participariam de uma Taça no ano seguinte com quartos, meias e final, só para haver mais competição a meio da tabela.
AntMac
Fiz um estudo sobre esse modelo com inquéritos e a maioria das pessoas continuavam a preferir o modelo atual.
Kafka
É normal a maioria preferir o modelo actual, porque nesse modelo a grande maioria dos clubes europeus iria perder relevância, porque com uma divisão europeia única (e passagem dos nacionais para o equivalente às distritais europeias) passaria a haver apenas 8/9 clubes na Europa q podiam ganhar títulos, todos os restantes nunca mais ganhariam título algum
Até clubes como Benfica, Porto, Ajax que msm q não ganhem na Europa, pelo menos a nível nacional conseguem-se vencer, nesse modelo nunca mais ganhariam título nenhum, pois deixavam de ter as competições nacionais para vencer títulos e passaríam a clubes médios/médios baixos na Europa, portanto andariam pelo meio da tabela e luta pela manutenção na Liga Europeia de clubes
Kafka
Certo, gosto desse cenário
Ou então fazer como já acontece no Brasil (que na prática é um Continente, apesar de oficialmente ser um País), e eles têm o Brasileirão (a “Superliga”) e depois cada estado tem o seu estadual (q é como se fosse a liga “nacional”)
Marcus Tulius Cicero
Vamos colocar isto em contexto com alguns pontos que o VM não refere.
No passado mês de Dezembro, no European Court of Justice o Advocate General, no caso entre a A22 e a UEFA (a A22 alega que a UEFA é um monopólio e esse monopólio é contra as regras de concorrência da União Europeia) revelou a sua opinião. E afirmou que, na sua visão, a UEFA não é um monopólio e que a ECJ deve recusar os argumentos da A22. A opinião do Advocate General não é vinculativa mas é muito raro os juizes decidirem contra a opinião do Advocate.
Tendo em conta este contexto legal, o anúncio de hoje é o que é. Uma jogada de PR sem qualquer substância ou possibilidade de existir.
Todos os donos de clubes da Premier League assinaram o Owner’s Charter onde é claro que nenhum clube da Premier pode juntar-se a uma Superliga Europeia (fora dos quadros da UEFA). Aliás, o Governo inglês irá lançar nos próximos dias o White Paper para reforma do futebol onde irá ser proposto um regulador que, para qualquer de dúvida legal, irá proibir clubes da Premier juntar-se a isto.
Sem os clubes da Premier isto não existe.
Até já existe uma Superliga… é o novo formato da Champions a partir de 2024. É ridículo porque é um jogo mas o FM23 mostra bem como o novo formato é uma Superliga com selo da UEFA…
Ou seja, tudo isto é só PR…
AntMac
Aquilo que o Advocate General defende é que o monopólio regulador da UEFA é justificável, não o monopólio de organizador. Assim sendo, segundo ele, se uma competição for criada cumprindo os princípios estabelecidos pela UEFA (entre eles está a solidariedade e o mérito), a UEFA não poderá impedir a emergência de tal competição.
Ainda assim, concordo que uma Superliga não irá emergir sem os clubes da PL.
AntMac
O que mudaria isto no futebol europeu? À primeira vista, teríamos 4 divisões europeias em vez das 3 atuais (Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Conferência), mas agora geridas pelos clubes em vez de ser a UEFA. Se por um lado agrada-me que a entidade reguladora deixe de ser também a entidade organizadora, não posso deixar de questionar o seguinte: a gestão da competição seria assumida por todos os clubes participantes ou apenas por um grupo muito restrito de clubes?
Além disso, como iria tal projeto melhorar a atratividade das competições europeias? É questionável que transformar 3 divisões em 4 baste para criar competições mais atrativas, logo, a maior atratividade deste projeto apenas pode emergir através de outro princípio anunciado pela A22: regras de sustentabilidade financeira bem aplicadas. Não sendo explicado o método, é impossível entender se é realista e como iriam os clubes ingleses aceitar. Claro é que é de todo interesse de clubes como Real Madrid, Barcelona e Juventus limitar os gastos dos clubes ingleses.
Depois, é muito bonito dizer que os campeonatos nacionais continuam a ser a fundação do futebol, mas como é que este projeto contribui para resolver a crescente polarização dos recursos a nível interno? Hoje em dia, um clube que participa na Liga dos Campeões ganha uma receita extra muito significativa que outros clubes do mesmo campeonato nacional não ganham, logo, podem investir muito mais na equipa para conseguir novamente o acesso à Liga dos Campeões na época seguinte, assim criando-se um efeito bola de neve. A A22 anuncia pagamentos de solidariedade aos clubes não participantes, ao futebol amador e a causas sociais no valor de 400 milhões de euros. Mais uma vez, trata-se de uma projeção e o valor é bastante vago. Não sabendo quanto irão receber os clubes participantes, continuamos sem saber se o problema anteriormente referido seria amenizado. A A22 argumenta ser o dobro daquilo que é pago hoje em dia pelas competições europeias, no entanto a Associação Europeia de Clubes defende que é metade… Conhecer a verdade é um aspeto muito relevante aqui.
Por fim, outros aspetos a notar no anúncio da A22 são as ideias de subsidiar as deslocações dos adeptos visitantes ou de colocar o desenvolvimento do futebol feminino enquanto um dos princípios do projeto. Se a primeira ideia parece-me mais uma flor aos adeptos (“vejam como estamos preocupados com os adeptos”), a segunda ideia tem potencial mas é apresentada de forma tão vaga (não foi especificado se uma Superliga seria também criada no feminino) que não permite tirar conclusões.
lipe
É uma questão de tempo. Algo que quando foi anunciado provocou repúdio generalizado hoje em dia já é defendido por algumas pessoas. Amanhã já serão muitas e para a semana a maioria.
Antonio Clismo
Não concordo. Creio que os verdadeiros adeptos do Barcelona, por exemplo, preferiam criar um novo clube a começar nos distritais e demorar 5 ou 6 anos para chegar à LaLiga novamente do que apoiar uma eventual evolução do Barcelona em clube de Superliga que iria estar constantemente a jogar contra os mesmos clubes… Com o passar dos anos o projeto iria morrer porque os adeptos não iriam aguentar o tédio…
thiago97
Eu acho que devia ser um desespero da maioria , porque o fosso está cada vez maior.
Antonio Clismo
A única razão para o futebol europeu estar à beira do abismo é o ímpeto de todas as instituições (quando digo todas é mesmo TODAS, desde clubes, associações, federações, ligas, comissões, sindicatos, agências, claques, organizações e demais QUEREM SEMPRE CRESCER A TODO O CUSTO). De ano para ano, todos querem crescer, ter mais adeptos, mais ligações, fazer mais dinheiro, ter mais poder e tempo de antena, nunca ninguém quer menos, todos querem sempre mais!!!
Ora, o problema? Isto não é Wall Street!! Existem limites e esses limites já foram ultrapassados, mesmo organizações cujos mandatos nem sequer deveriam ter o poder que têm já dificilmente voltam para trás.
O futebol (desporto) passou para segundo e terceiro plano há muito tempo. Tem sido um fartote para o dinheiro mais sujo circular pelo mundo sem qualquer tipo de escrutínio perante os códigos penais e tributários das diferentes jurisdições. Nem sequer o direito internacional os consegue apanhar… É um paraíso para quem quer lavar dinheiro, encapotado sob transferências de jogadores e demais negócios no mundo do futebol.
Estamos numa grande encruzilhada, e só temos 2 opções:
Ou aceitamos o futebol do futuro, estilo NBA, com os mesmos clubes de sempre, com 10 minutos de jogo antes de sermos bombardeados por publicidade para depois ver mais 10 minutos de jogo, e assim sucessivamente…
ou
metemos uma abaixo, e disfrutamos apenas dos nossos clubes modestos, com modelos sustentáveis de aproveitamento da formação e contratações cirúrgicas ao exterior, com um décimo do orçamento actual, onde podemos ir ao estádio ao fim de semana beber um fino e comer uma sandes de presunto com os amigos, tudo muito mais simples.
JFN
Não tenho problemas com a superliga enquanto conceito, mas acho que o contexto não funciona. Creio que só faria potencialmente sentido num contexto geopolítico de maior união europeia, nomeadamente com um regime fiscal conjunto em cima da moeda única, muito na direção de uns Estados Unidos da Europa. Como não existe nada que se aproxime disso, isto parece só uma tentativa de competir contra a UCL que ainda não se mostrou desinteressante… Nestes moldes não creio fazer sentido algum no contexto atual
Azra Bloom
Portanto, uma Liga dos Campeões com diferentes “donos”? Não vem acrescentar absolutamente nada a não ser quem lucra com a competição.
Antonio Clismo
Isto é apenas uma luta de galos para ver quem fica com o controlo da fonte.
Kafka
Há uma contradição nesta proposta, porque se a participação estaria condicionada ao mérito desportivo nas competições internas, então não faz sentido haver divisões
chuta dai
Sou super a favor de uma super liga com subidas e descidas de divisão! Este tem que ser o proximo passo para que equipas comos as Portuguesas e as Holandesas possam competir de uma forma mais justa com as equipas inglesas!
Antonio Clismo
E achas que será a Superliga a fazer com que as equipas portuguesas e holandesas fiquem mais competitivas? Vai sonhando. Seria o centralizar ainda mais do poder.
Isto só vai ao sítio quando proibirem as transferências de jogadores por 2 ou 3 anos. Só os clubes com bons processos de sustentabilidade e aproveitamento da formação sobreviveriam e seria uma nivelação ajustada, rápida e necessária ao futebol europeu.
Red Punisher
A partir do momento que as equipas com dinheiro decidem fazer algo, parto sempre da ideia, pela experiência de vida adquirida, que isso vai acontecer. A única incerteza é saber quando (se mais no imediato ou num futuro mais longínquo).
É triste, enfadonho e sempre repetitivo.
Espero que o futebol, inicialmente conotado como desporto do pobre, possa assim permanecer. O povo agradece e muito!
GabCel
o problema é que há equipas com ainda mais dinheiro que não querem/podem.
Fireball
Os clubes não querem meritocracia, quem quer isso são os adeptos. Os clubes e as suas direções / donos, queriam a Superliga fechada para terem receitas fixas enormes. Assim a coisa não é tão apelativa. E os adeptos não vão querer na mesma porque isto não acrescenta nada à competição que existe atualmente, é uma Champions com outro formato. Vai dar ao mesmo.
Antonio Clismo
Acho que o público de uma eventual Superliga nem sequer seriam os Europeus, mas sim os asiáticos e os árabes que viriam nos seus aviões privados para encher os estádios (provavelmente até organizariam os jogos nos estádios deles e tudo)..
Sinceramente acho que os europeus (público) não iriam achar muita piada a esta competição, talvez encheriam os estádios no primeiro ou segundo ano, mas com o passar do tempo iriam preferir o futebol regional (mais puro e mais saudável) do que essas americanices organizadas para um restrito grupo de pessoas encher os bolsos…
Veja-se as divisões secundárias inglesas? Estádios sempre cheios… a própria Premier League está a ter dificuldades em manter os estádios cheios porque os bilhetes estão cada vez mais caros… Nas divisões secundárias isso não acontece… Vejam-se as divisões secundárias da Alemanha, Holanda ou Bélgica? Sempre com estádios cheios a apoiar as equipas regionais..
Uma superliga Europeia vai contra aos próprios princípios europeus e não estou a ver a pegar a moda, sinceramente.
Trae_Old
Se a ideia for para ser como o basquetebol europeu. Até me parece uma grande ideia.
Vão começar a haver mais jogos grandes com maior frequência.