Os Estados Unidos da América desde o virar do milénio que têm prometido afirmar-se no mundo do futebol. Potências desportivas em quase tudo a que se dedicam, os quartos-de-final no Mundial de 2002 faziam antever que, mais cedo ou mais cedo, os norte-americanos juntariam o ‘soccer’ à sua extensa lista de conquistas. No entanto, e apesar da grande vontade que tal se suceda, como demonstra o grande investimento público em academias e programas para jovens, bem como na MLS, essa afirmação tem tardado e até se deu o inesperado, com a seleção nacional a falhar a presença no Mundial de 2018. O regresso às grandes competições ficou assim adiado para o Qatar, onde há um misto de expectativas a rodear este grupo. A qualificação não foi fácil (só garantida no último jogo, e em igualdade pontual com a Costa Rica) e não deu as melhores sensações, mas por outro lado saiu vencedor da última Gold Cup e também arrecadou a 1.ª edição da Liga das Nações da CONCACAF. Ainda assim, é um torneio que está a ser encarado principalmente como preparação para o Mundial de 2026, onde os EUA serão anfitriões (a par de México e Canadá), e esperam, com este grupo muito jovem (dos elementos utilizados na qualificação, é aquele com a média de idades mais baixa de todos os que vão estar no Qatar, e por larga margem), um novo seleccionador e bases a serem cimentadas, terem sucesso. Inserido num grupo interessante tanto a nível geo-político como competitivo, com Inglaterra, Irão e Gales, é difícil de prever ao que poderá aspirar este grupo tão pouco experiente a este nível (dos 26 convocados, só Yedlin já esteve num Mundial, em 2014, e apenas 3 elementos somam mais de 50 internacionalizações). No entanto, há talento para deixar boa imagem, com muitos dos elementos a atuarem em boas equipas da Europa, com destaque para os 5 jogadores a atuarem na Premier League (Pulisic, Aaronson, Adams, Tim Ream e Robinson), McKennie, que em condições normais é titular da Juventus, Reyna, já com períodos muito bons em Dortmund, Dest, com passagens por Ajax, Barcelona e Milan e Weah, figura importante no Lille. De fora, ficaram nomes importantes, com a defesa a sofrer o principal desfalque com as lesões do guardião do Man City, Zack Steffen e de duas das três principais opções para defesa central, Miles Robinson e Chris Richards. Também o jovem Ricardo Pepi, que já protagonizou uma transferência de mais de 16 ME, perdeu a corrida, tal como o jogador do Boavista Reggie Cannon e o benfiquista John Brooks.
Estrela: Christian Pulisic (Extremo, 24 anos, Chelsea) – Há muito anunciado como a joia da USMNT, Pulisic ainda não se afirmou totalmente na Europa, mas o seu talento não deixa dúvidas. Extremo desconcertante e com grande capacidade finalizadora, é a maior esperança dos Estados Unidos para esta competição.
Jogadores em destaque: Tyler Adams (Médio defensivo, 23 anos, Leeds) – O capitão e o médio que equilibra a equipa. Jogador muito fiável, é um elemento insubstituível para Berhalter e terá a função de organizar o jogo dos norte-americanos. Weston McKennie (Médio centro, 24 anos, Juventus) – Um box-to-box clássico, McKennie é capaz de fazer um pouco de tudo. A sua força e imponência física fá-lo ganhar muitos duelos e bolas aéreas, é bom a carregar jogo e ainda aparece muitas vezes a finalizar as jogadas de ataque; Brenden Aaronson (Médio ofensivo, 22 anos, Leeds) – Provavelmente o maior talento do plantel depois de Pulisic. Aaronson é um jogador na linha de João Félix, na medida em que atua preferencialmente através de um avançado, é muito elegante em campo e carregado de técnica. Não deve ser opção inicial, mas é um ‘joker’ importante.
XI Base: Matt Turner; Dest, Zimmerman, Long, Robinson; Adams, Musah, McKennie; Weah, Pulisic, Ferreira.
Jovem a seguir: Yunus Musah (Médio, 19 anos, Valencia) – Ainda é um ‘teenager’, mas já joga como gente grande. Chegou à La Liga com apenas 17 anos, mas entrou logo nas contas da equipa principal do Valencia, somando já mais de 80 jogos pelo clube. No último ano, conquistou a titularidade na seleção e no clube e parte à frente de Reyna e Aaronson pela posição de 3.º médio, o que diz bem do momento que vive.
Convocatória: Guarda-redes: Ethan Horvath (Luton Town), Sean Johnson (New York City FC) e Matt Turner (Arsenal); Defesas: Cameron Carter-Vickers (Celtic), Sergiño Dest (AC Milan), Aaron Long (New York Red Bulls), Shaq Moore (Nashville SC), Tim Ream (Fulham), Antonee Robinson (Fulham), Joe Scally (Borussia Mönchengladbach), DeAndre Yedlin (Inter Miami) e Walker Zimmerman (Nashville); Médios: Brenden Aaronson (Leeds United), Kellyn Acosta (LAFC), Tyler Adams (Leeds United), Luca de la Torre (Celta Vigo), Weston McKennie (Juventus), Yunus Musah (Valência) e Cristian Roldan (Seattle Sounders); Avançados: Jesús Ferreira (FC Dallas), Jordan Morris (Seattle Sounders), Christian Pulisic (Chelsea), Gio Reyna (Borussia Dortmund), Josh Sargent (Norwich), Tim Weah (Lille) e Haji Wright (Antalyaspor).
Seleccionador: Gregg Berhalter
Prognóstico: Oitavos


19 Comentários
Jeco Baleiro
Muita juventude que se pode traduzir em maior audácia mas tambem mais ingenuidade no jogo.
Vamos ver mas acho que podem passar aos oitavos
RMCL
Ate tenho medo deste futebol Americano que vai papar os mundiais todos daqui a meia dúzia de anos!
Futebol americano fácil, futebol com bolas… zero!
cards
Concordo a 100%
Tiago Silva
Convocatória meio esquisita com muita gente que joga na MLS. Eu teria mudado umas quantas peças para algo deste género:
GR: Turner, Steffen, Slonina
DF: Dest, Scally, Chris Richards, Zimmerman, Carter-Vickers, Brooks, McKenzie, Robinson, Sam Vines
MD: Tyler Adams, McKennie, Musah, Busio, Sands, Tillman, Aaronson, Reyna
AT: Pulisic, Sargent, Weah, Jesus Ferreira, Pepi, Daryl Dike
Penso que seria uma convocatória muito mais ajustada.
Tiago Abreu
É interessante esta seleção dos EUA, curioso para ver o que fazem…
Nunop
Atenção a Jesus Ferreira (Dallas). Jovem, forte fisicamente apesar da baixa estatura, agressivo e remata muito bem e de qualquer lado.
Não deve ficar na MLS muito mais tempo.
Futbolero
Gio Reyna não é titular?
Borsalino
Com a popularidade do futebol a aumentar no país, os investimentos que têm sido feitos, o potencial humano dentro do país, treinadores cada vez mais competentes, os clubes a apostarem na formação de jogadores e com os clubes europeus a confiarem desde cedo no talento dos norte-americanos, os EUA têm tudo para daqui a 4-8 anos vencerem um Mundial de futebol.
cards
Há mais talento para o futebol na favela da mangueira, uma das mais pequenas do Rio de Janeiro, do que em todo o território dos EUA. Daqui a 4 anos os EuA são candidatos… A passar o grupo daqui a 20 anos os melhores do mundo no futebol continuará na ser o Brasil Argentina e os países europeus.
Falta aos EUA cultura do futebol.
Nas últimas finais do NBB, Campeonato brasileiro de basquetebol, tiveram nos 4 jogos sempre pavilhão cheio e não é por isso que digo que o Brasil vai ser ouro em Paris 2024.
Borsalino
Concordo contigo que desde sempre os Brasileiros são os melhores do mundo. No entanto há mais de 20 anos que não são campeões Mundiais. Dizia-se o mesmo no futebol feminino e hoje em dia, são claramente inferiores à seleção norte-americana porque os norte-americanos têm a seu favor a organização, e nisso, nem o talento dos sul-americanos chega para poderem vencer sempre.
E quanto à questão da cultura no futebol dentro do país, não concordo que não exista, inclusive está em crescendo e com tendência a ficar cada vez maior. O potencial humano nos E.U.A é enorme e o interesse no futebol está em crescendo como se vê pelo número de pessoas que vê os jogos da MLS nos estádios (em que os E.U.A ficam apenas atrás da Alemanha e Argentina no que toca à taxa média de ocupação por jogo), pelos investimentos nos centros de formação e número de pessoas que passam pela NCAA com interesse no soccer.
RuiMagas
Ainda é cedo principalmente daqui a 8 anos, mas daqui a 4 anos só se aparecer um Ronaldo Fenómeno que carregue a seleção nas costas com 19/20 anos a base que vai estar neste mundial é a que vai estar no mundial de 2026 como o VM frisou e tu não vês ali alguém que pode atingir ou ser top5 mundial. Têm Pulisic, Reyna, Musah ou Weah com potencial mas nenhum para atingir esse nível. Acho que vão ter uma base forte e em casa podem chegar aos quartos e com “sorte” umas meias mas ai já será pedir demasiado. Mas nunca se sabe.
Borsalino
Concordo contigo, nunca se sabe. Não disse que vá acontecer (talvez me tenha expressado mal) até porque existem países com maior talento e potencial para vencer um mundial. Acredito que, com uma aposta em melhores formadores e treinadores, serão uma força no futebol.
João Ribeiro
Futebol Feminino, certo?
A evolução dos EUA no futebol masculino é óbvia, mas dizer que daqui a 4-8 anos “têm tudo” para vencer um Mundial é algo a roçar o lunático. Para um país vencer um Mundial (que é uma lista muito restrita) precisa de anos e anos de constante evolução e precisa de ter dezenas de jogadores no topo do futebol mundial e com um plantel já completamente maturado nessa mesma competição. Alguma vez os EUA, daqui a 4-8 anos “terão tudo” para serem uma potência superior ou igual a França, Alemanha, Brasil, Espanha, Inglaterra, Argentina ou até mesmo Portugal? Espanha, por exemplo, só venceu o seu primeiro Mundial há 12 anos, e é um país que desde os primórdios que está no topo dos topos do futebol (desde logo tem 2 dos maiores clubes da história do futebol).
Arrisco-me a dizer que nem daqui a 20 anos estarão nessas condições (embora admita que possam estar num patamar semelhante àquele que Portugal se encontra atualmente, mas até isso acho difícil).
Borsalino
Não acho assim tão descabido, e sendo que realizarão o próximo Mundial (junto com o México e o Canadá) isso pode ser um fator a favor dos norte-americanos, e como temos visto em Mundiais, o fator casa tem o seu peso mesmo com a tal “maturação” que falaste neste tipo de competições. Relembro que a Coreia do Sul em 2002 não tinha e chegou às meias-finais, a França em 1998 (apesar dos grandes jogadores) não tinha essa experiência e foi campeã Mundial, a Alemanha em fase de renovação chegou às meias-finais em 2006 ou mesmo os E.U.A em 1994 que não tinha nem metade da dimensão que tem hoje, futebolisticamente, chegou aos quartos de final. Não é algo linear, mas há fatos que comprovam isso.
cards
Em 1994 os EUA chegaram aos oitavos de final, perderam com o Brasil. Aos quartos de final chegou a Holanda que fez contra o Brasil o melhor jogo desse Mundial
Amigos e bola
Fala-se disso há décadas e nada até agora…
Dario Nunes
Vejo o Irão a ficar à frente dos EUA, acho que como muitos dos seus jogadores jogam na liga no Irão que quase ninguém conhece acabam por ser muito desvalorizados, mas têm ótimos jogadores.
Quanto aos EUA, é um pouco como o Japão, já há tipo 30 anos que se fala que podem vir a tornar-se potências no futebol mas a verdade é que nunca mais acontece, e não só não acontece como não acho que se veja um melhoramento de ano para ano nas suas convocatórias, aliás, acho que tanto um país como o outro até já tiveram gerações melhores.
Wey
Eu tambem vejo o Irao fazer melhor que os EUA e ate que o Pais de Gales.
Um factor que esta a ser desconsiderado e vai ter um grande impacto e o clima. Se ha selecao daquela zona que pode ter alguma vantagem e consegue conciliar uma equipa razoavel com a adaptacao ao clima e o Irao. Ja no mundial do Brasil as selecoes sul americanas levaram a melhor sobre as europeias, so o Equador nao passou aos 8os.
Dario Nunes
Bem visto, também é um fator a ter em conta.