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Talento fresco para acompanhar dois avançados de topo e os guerreiros do costume

Pouco mais de 3 milhões de pessoas. Um pequeno país entalado entre as potencias Argentina e Brasil. Duas vezes campeão do mundo (e 3 vezes 4.º classificado), 15 vezes vencedor da Copa América e duas vezes vencedor dos Jogos Olímpicos. É do conhecimento geral que o Uruguai é uma espécie de “milagre futebolístico”, uma nação que, com muito menos recursos que outras, possui uma vasta e bem-sucedida tradição no desporto-rei. Ora, após vários anos de crise (marcados pelas ausências nos mundiais de 1994, 1998 e 2006, bem como a eliminação na fase de grupos em 2002), a chegada de Óscar Tabárez ao comando técnico dos charruas em 2006 foi o primeiro passo para recolocar o Uruguai na rota do êxito. Com o “maestro” no banco e uma excelente geração de 1986/1987 com nomes como Muslera, Godín, Suárez ou Cavani (mesclada com jogadores da craveira de Forlán ou Lugano e “guerreiros” da estirpe de Diego Pérez, Arévalo Rios ou Gargano) os bicampeões do mundo obtiveram um excelente 4.º lugar no África do Sul’2010 e conquistaram a Copa América’2011. Após estas prestações, o nível caiu um pouco (eliminações nos oitavos-de-final do Mundial’2014, nos quartos-de-final da Copa América’2015 e na fase de grupos da Copa América’2016) mas os últimos dois anos levam a encarar o certame russo com optimismo. Com efeito, na difícil fase de qualificação sul-americana o Uruguai terminou na 2.ª posição, nunca tendo descido do 3.º lugar ao longo de todo o apuramento. A juntar a isto, os últimos tempos viram uma nova fornada de talento charrua atingir patamares competitivos muito relevantes. As prestações pouco exuberantes nos referidos torneios de 2014, 2015 e 2016 levaram a pensar num novo afrouxar dos uruguaios coincidente com o atingir da veterania por parte do núcleo-duro de Tabárez e a ausência de renovação. No entanto, esse cenário mudou, e na lista de 23 convocados para este mundial assistimos a uma espécie de “revolução tranquila”. Gastón Silva, Guillermo Varela, De Arrascaeta, Laxalt, Bentancur, Jose Maria Giménez, Nández, Torreira e Maxi Gomez têm todos 25 anos ou menos (os 5 últimos não superam os 23 anos de idade) e prometem assegurar o futuro dos bicampeões do mundo, sendo este Rússia’2018 um torneio em que esta fornada se cruzará com a experiência de Muslera, Cáceres Godín, Maxi Pereira, Cavani ou Suárez, todos eles presentes no elenco que chegou às meias-finais no Mundial’2010. Para além de ser novidade pela sua juventude, muitos destes jogadores jovens dão um toque de classe e talento ao meio-campo que vinha escasseando. Neste sentido, há uma clara diferença entre o perfil destrutor dos já citados Diego Pérez, Arévalo Rios ou Gargano (os quais conformaram o miolo em grande parte da Era Tabárez) e a capacidade técnica e perfume na circulação oferecido por Torreira ou Bentancur, tendo também De Arrascaeta um perfil bem mais criativo e Nández um mais dinâmico do que se costumava vislumbrar nesta selecção. Tabárez soube dar espaço a estes jogadores, abdicando de Lodeiro ou Gastón Ramírez, membros habituais do grupo. Se este cocktail geracional resultar bem dentro de campo (e ainda há várias dúvidas em relação à equipa titular, sobretudo nas alas da defesa e do meio-campo), com as habituais garra e competitividade charrua potenciadas por este extra de talento, há razões para sonhar. Inserida no acessível grupo A juntamente com a Rússia, o Egipto e a Arábia Saudita, a preocupação de Tabárez deverá residir nos oitavos, fase na qual é muito provável apanhar a poderosa Espanha ou a campeã da Europa Portugal. Ainda assim, com os argumentos já salientados e o tremendo poder de fogo dado por Cavani e Suárez, dois dos melhores avançados do mundo, o Uruguai é um adversário a temer.

Estrela: Luis Suárez (Avançado, 31 anos, Barcelona) – Um dos melhores dianteiros dos últimos anos no futebol mundial, Suárez leva 362 golos apontados na Europa entre Groningen, Ajax, Liverpool e Barcelona. Muito agressivo e competitivo, possui a mentalidade típica do jogador uruguaio, a qual se junta a uma tremenda facilidade em finalizar para transformar Suárez num transtorno para qualquer defesa. Com 50 golos apontados, é o melhor marcador da história do Uruguai e prepara-se para disputar o seu terceiro mundial após experiências atribuladas nos dois anteriores: em 2010 apontou 3 golos na África do Sul mas a sua prestação ficou marcada pela “defesa” que fez e evitou o golo do Gana, no prolongamento do jogo dos quartos-de-final, a qual lhe valeu a expulsão, tendo depois Gyan falhado o castigo máximo e o Uruguai vencido nos penáltis; em 2014 conseguiu estar presente graças a uma “milagrosa” recuperação, derrotou a Inglaterra com um bis no segundo encontro da fase de grupos mas mordeu Chiellini na terceira partida, valendo-lhe isso a exclusão do mundial e uma suspensão de 4 meses do futebol. Agora o Uruguai espera um Suárez ao seu melhor nível para liderar os charruas ao êxito.

Jogadores em destaque: Fernando Muslera (Guarda-redes, 31 anos, Galatasaray) – Um nome incontornável deste período de Tabárez à frente da selecção. O guardião, que em 2011 trocou a Lazio pelo Galatasaray e que se acaba de sagrar campeão turco, soma 96 internacionalizações e foi o dono das redes celestes em dois mundiais, três Copa América e uma Taça das Confederações.; Diego Godín (Defesa-central, 32 anos, Atlético Madrid) – Outra das referências da última década da selecção, Godín sucedeu a Diego Lugano como capitão e líder da defesa do Uruguai. O espírito aguerrido, combativo e habituado a sofrer do Atlético de Simeone é idêntico ao dos charruas, pelo que Godín acaba por ser uma espécie de símbolo desta forma de jogar e sentir o jogo. Terminou a temporada a um grande nível e as suas virtudes nos duelos e jogo aéreo serão essenciais para o sucesso da selecçao.; Edinson Cavani (Avançado, 31 anos, PSG) – Mais um indiscutível para Tabárez, Cavani forma com Suárez uma das duplas de ataque mais temíveis do mundial. Natural da mesma cidade que o atacante do Barça (Salto), Cavani soma, também, mais de 300 golos na Europa (311 entre Palermo, Nápoles e PSG) e junta também à veia goleadora (ainda que não seja tão eficaz, costumando protagonizar alguns falhanços) muita intensidade ofensiva e agressividade. Do nível que esta dupla apresentar passam muitas das esperanças dos apaixonados “hinchas” charruas.

XI Base: Muslera; Cáceres, Giménez, Godín, Laxalt; Vecino, Bentancur, Nández, Cristian Rodríguez; Cavani, Suárez.

Jovem a seguir: Rodrigo Bentancur (Médio, 20 anos, Juventus) – São vários os jovens uruguaios que se podem destacar neste torneio. Entre Bentancur, Torreira, Nández ou De Arrascaeta, nenhum tem lugar garantido como titular mas todos parecem em condições de aspirar conquistar uma vaga entre as preferencias de Tabárez. Bentancur, que esta época fez 27 jogos na Juve e se destacou ao serviço do Boca Juniors anteriormente, só tem 6 partidas pela selecção mas pode dar imensa qualidade a um conjunto que aposta bastante num futebol mais directo. Médio alto e elegante, tem imensa técnica e critério na circulação e pode ser um excelente fornecedor de jogo para a dupla ofensiva. 

Principal ausência: Nicolás Lodeiro (Médio, 29 anos, Seattle Sounders) – Presença recorrente ao longo da última década da selecção, Lodeiro esteve em dois mundiais, três Copa América e uma Taça das Confederações, num total de 53 internacionalizações. Na qualificação participou em 8 partidas mas foi batido no sprint final por uma vaga na convocatória pela juventude e momento de maior exuberância de nomes da nova vaga como De Arrascaeta ou Nández.

Convocatória: Guarda-redes: Martin Campaña (Independiente), Fernando Muslera (Galatasaray), Martin Silva (Vasco da Gama); Defesas: Martín Cáceres (Lazio), Sebastián Coates (Sporting), José María Giménez (Atletico Madrid), Diego Godín (Atletico Madrid), Maximiliano Pereira (Porto), Gastón Silva (Independiente), Guillermo Varela (Penarol); Médios: Giorgian De Arrascaeta (Cruzeiro), Rodrigo Bentancur (Juventus), Diego Laxalt (Genoa), Nahitan Nández (Boca Juniors), Cristian Rodríguez (Penarol), Carlos Sánchez (Monterrey), Lucas Torreira (Sampdoria), Matias Vecino (Inter), Jonathan Urretaviscaya (Monterrey); Avançados: Edinson Cavani (Paris St-Germain), Maximiliano Gomez (Celta Vigo), Luis Suárez (Barcelona), Cristhian Stuani (Girona).

Selecionador: Óscar Tabárez
Prognóstico VM: 1.º no grupo A e oitavos-de-final

Pedro Barata

Outras selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A
: Uruguai
Grupo B: Marrocos
Grupo C: França
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasilSérvia
Grupo F: Suécia, Coreia do Sul
Grupo GInglaterraPanamá
Grupo HSenegalJapão

19 Comentários

  • T. Pinto13
    Posted Junho 4, 2018 at 12:24 am

    Penso que passam em 1 do grupo mas infelizmente para eles depois apanham Portugal e caiem.

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Junho 3, 2018 at 10:05 pm

    Têm melhor elenco que Portugal, sendo que Tabarez abriu a mente e está a começar a refrescar o grupo que habitualmente estava presente nestas provas. Não será fácil ultrapassá-los nos oitavos, até porque espero muito do Uruguai neste Mundial.

    • Joao D
      Posted Junho 3, 2018 at 11:10 pm

      A sério?

      Incrível como sempre que sai um post sobre uma seleção aparece sempre alguém a dizer que é melhor que Portugal nisto e naquilo.

      Cá para mim não percebo nada disto e Portugal está no lote das mais fracas juntamente com o Panamá, a Arábia Saudita, a Austrália, etc…

      • Rui Miguel Ribeiro
        Posted Junho 4, 2018 at 1:35 am

        Também é incrível que sempre que alguém considere uma selecção superior à de Portugal, exista sempre outro alguém que se escandaliza…

  • Duarte A
    Posted Junho 3, 2018 at 9:49 pm

    Como é que o Gaston Ramirez não é convocado?!

  • MiguelF
    Posted Junho 3, 2018 at 8:00 pm

    Uma seleção que tem qualidade para passar em 1° lugar. Acho que juntamente com o Egipto irão passar a Fase de Grupos.

  • Tiago Silva
    Posted Junho 3, 2018 at 7:33 pm

    É uma seleção que promete. Só fico chateado com a presença do Cristian Rodriguez que há anos que não faz nada de jeito e continua a ser indiscutível. Jogadores como o Lodeiro, Gaston Ramirez ou Valverde mereciam mais estar na lista e ainda por cima é titular.

    Têm muito talento e podem surpreender, fizeram uma boa qualificação, têm um grupo fraquíssimo e podem até gerir o esforço para atacarem a fase a eliminar com toda a força. Vamos ter que ter cuidado porque deverão ser os nossos adversários nos oitavos.

    Quanto à forma de jogar gostaria de ver um sistema com 3 defesas, com Caceres, Godín e Gimenez de forma a projetar Maxi e Laxalt nso corredores e terem um meio-campo mais aguerrido com Bentancur a fazer de regista e o Vecino e o Torreira a fazerem piscinas no meio-campo. Depois claro Suarez e Cavani na frente.

  • Manchester Is Red
    Posted Junho 3, 2018 at 7:16 pm

    Consigo imaginar Portugal enfrentar o Uruguai nos Oitavos do Mundial.

    Os sul americanos terminarem em 1º no seu grupo e Portugal ficar em 2º, parece-me ser o cenário mais provável.

  • Abilio
    Posted Junho 3, 2018 at 6:42 pm

    Selecção pouco falada, mas como em 2010 não me admirava que fossem pelo menos às meias-finais.

    Nenhuma selecção tem dois avançado centro tão bons, e mesmo dupla de centrais poucas superam o Uruguai

    • Kafka
      Posted Junho 3, 2018 at 6:50 pm

      Em 2010 tiveram também muita sorte no sorteio a eliminar, jogaram nos 8ºs contra a Coreia Sul e nos 4ºs de final contra o Senegal, onde aconteceu um verdadeiro milagre, com o tal lance defendido com a mão em cima da linha e depois o Senegal ainda falha o penalty

      Neste Mundial, já não terão a mesma sorte, pois para chegarem às meias finais, estão emparelhados com os grupos B, C e D, ou seja, teriam de eliminar nos 8ºs a Espanha ou Portugal e depois nos 4ºs teriam de eliminar a França/Argentina/Croácia…Em nenhum destes embates são favoritos, pode acontecer e vencerem claro, mas as probabilidades são escassas

    • Eusebio
      Posted Junho 3, 2018 at 6:43 pm

      O Cavani ser bom é um mito.

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