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Todos contra todos e no fim ganham os de sempre

Antes de mais, vamos aos números que suportam a tese de que a Liga dos Campeões é uma prova cada vez mais fechada a meia dúzia de clubes. Nas últimas 15 edições (as disputadas neste século), as 60 vagas disponíveis nas meias finais da competição foram preenchidas com apenas 21 clubes diferentes, sendo que desses, 12 o foram uma única vez. Ou seja, 9 clubes quase que monopolizam a fase decisiva da competição. Naturalmente, o grosso do bolo vai para Espanha e Inglaterra, seguidos de Alemanha e Itália. França (2), Portugal e Holanda foram os únicos países fora deste grupo a colocar equipas nas meias da competição. É verdade que o futebol vive de ciclos, e que no passado houve clubes (como o Real Madrid) que dominavam o panorama europeu, ou países (Itália é um exemplo) que funcionavam como autênticos monopolistas, mas o rumo que o futebol europeu tem seguido não indica que de um ciclo se trata, mas sim de um caminho sem retorno e que tem como destino uma realidade em que o maior título europeu de clubes é disputado exclusivamente por um pequeno grupo, remetendo todos o outros para um papel secundário. Real Madrid, Barcelona e Bayern partem, ano após ano, invariavelmente como únicos favoritos, e a lógica tem imperado sobre a imprevisibilidade do futebol. O desnível de forças é tão grande, que poucos acreditam em surpresas, e com razão. Claro que sempre aparece um Atlético de Madrid, que faz das fraquezas forças, ou uma Juventus que aproveita um sorteio mais favorável, mas tal como o Porto de 2004 não passam de excepções que confirmam a regra. A concentração de forças num lote restrito de equipas, fruto do acentuado desnível entre ricos e remediados e de um mercado desregulado, que permite açambarcamento descontrolado de jogadores, é a principal causa deste fenómeno. Os melhores jogadores do Mundo, anteriormente espalhados pelas mais diversas paragens, aglomeram-se em meia dúzia de locais, formando autênticas constelações de estrelas. As equipas mais poderosa, não só vão ficando mais fortes, como ainda conseguem enfraquecer os rivais directos, como acontece na Alemanha, onde o Bayern domina a seu belo-prazer aproveitando ainda para atropelar adversários como o Dortmund. Em Espanha, Real e Barcelona, cavaram distância confortável para todos os outros, muito por causa do dinheiro ganho na LC (em si mesma um instrumento que permite aos seus participantes ganharem vantagem competitiva, devido aos elevados prémios financeiros) e da fatia do bolo televisivo, cada vez mais generosa. Os únicos que podem fazer frente a estes colossos são os projectos pessoais dos profissionais do FM, como Chelsea ou City, mas mesmo com a chegada destes, na frente inglesa ou italiana, é duvidoso que a Liga dos Campeões se volte a democratizar. Claro que também existem os fundos, esse instrumento que permite aos mais fracos competir com os mais fortes, mas na realidade estes são a essência do mercado monopolista, pois têm como único objectivo a valorização de activos, de modo a que estes possam ser transferidos para os tais colossos. Em última análise, os bondosos fundos também ajudam a que, no fim do dia, os maiores fiquem com os melhores, e os outros comecem o processo desde o início. Mas qual o problema afinal? Grandes equipas, grandes jogadores, grandes jogos. Todos ficam a ganhar. A pergunta deveria ser outra: quantos Real Madrid-Barcelona iremos aguentar até ao ponto do grande clássico espanhol se banalizar? Jogando sempre os mesmos, vencendo sempre os mesmos, os adeptos chegarão a um ponto de exaustão, momento no qual irão pedir algo de novo. É muito divertido ver o nosso clube favorito vencer, mas a certa altura a previsibilidade do desfecho final irá matar aquele sentimento que faz o adepto dirigir-se ao estádio ou colar-se à televisão. A desigualdade a certa altura irá tomar contornos de injustiça, e se há qualidade que o futebol tem, é a de dar as mesmas chances a todos, altos ou baixos, ricos ou pobres. O futebol é o campo onde, ao contrário da vida real, dois oponentes entram, se não em pé de igualdade, pelo menos com legítima aspiração de poder vencer. São este tipo de sentimentos irracionais, que muitas vezem nem correspondem à realidade, que atraem tanta gente, e que no fundo alimentam o negócio. Negócio esse que, na sua ânsia por mais e mais, pode perfeitamente estar a dirigir-se para um inevitável processo de auto-destruição, qual criatura autofágica. As lutas de titãs que actualmente presenciamos mobilizam milhões (de pessoas e dólares), mas tiraram espaço à pobre Cinderela para que esta possa contar a sua história. E se os almanaques do futebol se fazem dos grandes, também não se completam sem aqueles que, contra todas as previsões, alcançaram o sucesso. Mas hoje em dia não há espaço para pequenas caravelas que se aventuram corajosamente mar afora, pois estas rapidamente são afundadas pelos porta-aviões que encontram pela frente.

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno Ranito

0 Comentários

  • Sérgio Roberto
    Posted Maio 12, 2015 at 4:59 pm

    Chelsea e Manchester City eram relativamente pequenos e hoje em dia são dois dos grandes da Europa com financiamentos multimilionários, sobram Liverpool (abaixo da sua capacidade), Arsenal (muito dificilmente ganhará com Wenger), Manchester United (à procura da estabilidade) e Tottenham (falta-lhes um bocadinho assim).

    Bayern Munique continua rei e senhor na Alemanha, Hamburgo baixou muito (era fortíssimo nos anos 80), Colónia idem idem aspas aspas, Dortmund é uma incógnita para o futuro devido aos problemas financeiros (foi grande nos anos 90 e década 00), Leverkusen é o mais consistente a seguir ao Bayern Munique, Moenchengladbach foi grande nos anos 70 e quer regressar, Wolfsburgo está a consolidar, Schalke 04 (3º mais consistente), Estugarda vai descer.

    Juventus consolida-se após o regresso à Série A, Milan e Inter sofrem de problemas conjunturais (deverão regressar ao topo rapidamente), Roma (ainda sob o efeito Totti) continua a nível elevado, Nápoles com nível elevado, Fiorentina ressuscitou, Lázio e Sampdoria com níveis altos.

    Real Madrid e Barcelona no topo, Atlético Madrid com nível elevado, Valência e Sevilha muito fortes, o resto não tem conseguido acompanhar a pujança dos anteriores.

    PSG voltou ao topo com financiamento multimilionário, Lyon, Marselha, Mónaco, St. Etienne e Bordéus lutam pelos lugares a seguir.

    Porto no topo, Benfica às vezes ganha com ajuda dos árbitros mas mediano na Champions, Sporting falido mantém no 3º lugar.

    Zenit e Shakthar com nível elevado, Ajax longe do topo europeu, Basileia mantém consistência ao longo da última década, Olimpiakos, Galatasaray, Anderlecht Rosenborg, Gotemburgo e Celtic abaixo das possibilidades.

    Basicamente é isto o futebol na Europa.

  • EA
    Posted Maio 12, 2015 at 3:50 pm

    Pessoal, isso das limitações financeiras não faz grande sentido.
    O ideal seria que as Federações de cada país tivessem controlo sobre receitas de bilheteira ou de direitos de transmissão, sendo que essas verbas seriam distribuídas finda a temporada, consoante a classificação, sendo que, ao distribuir equitativamente os montantes acumulados, as equipas mais fracas teriam dividendos que poderiam ser utilizados para equilibrar as finanças e ainda, se bem geridas, servir para planeamento da nova época no que às contratações diz respeito.
    Ao fim de alguns anos, as equipas pequenas, se bem geridas, poderiam equilibrar o campeonato e escalar alguns patamares na aproximação aos 3 grandes.

    Saudações desportivas!

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 3:26 pm

    Um formato "radical" da Liga dos Campeões…

    Existem 54 países inseridos na UEFA, 53 visto que Lichstein não coloca nenhuma equipa nas provas da UEFA….

    Por isso um modelo para a Liga dos Campeões poderia ser o seguinte…

    Os primeiros 11 países colocavam 2 equipas na Fase de Grupos cada um de forma direta…
    Os 12º e 13º colocavam 1 equipa na Fase de Grupos cada um de forma direta..
    Com isto, das 32 equipas inseridas na Fase de Grupos, 24 já lá estavam…

    Os restantes primeiros classificados dos outros 40 países, no verão, faziam 8 grupos de 5 equipas…(8 jornadas), os 1ºs classificados destes grupos iam para a Liga dos Campeões…

    José Manuel

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 2:40 pm

    2 medidas que podiam ser tomadas que acho que não eram assim tão radicais mas ajudavam…

    -Limitação de jogadores sob contrato profissional, 25-30 ou então 35-40 para quem tem Equipa B.

    -Retirar algumas vagas da Liga dos Campeões às melhores ligas, por exemplo em vez de Inglaterra Espanha Alemanha porem 4 equipas na LC, punham apenas 3…

    Zé Aníbal

  • Tartaruga
    Posted Maio 12, 2015 at 2:10 pm

    O futebol mudou. Isso todos sabemos, hoje ha muito mais dinheiro no futebol do que ha 10 ou 20 anos atras, e esse dinheiro serve para comprar qualidade em termos de jogadores e equipa tecnica. Com este dinheiro todo a fluir, sera cada vez mais dificil clubes de menor expressao ou de ligas inferiores. A nossa liga por exemplo, por melhor gestao que possa vir a ter, nunca consiguira gerar audiencias no panorama internacional como as ligas de Inglaterra, Espanha, Alemanha ou Italia. Com tanto dinheiro a fluir em certas ligas, sera cada vez mais dificil clubes mais pequenos manter os seus talentos. Como e que se motiva um jovem a ficar num Benfica ou Porto quando em clubes secundarios das ligas principais muitas vezes podem ganhar 3 a 4x mais? Foi isto que mudou no futebol nos ultimos 10 anos. Basta verem o filme "Class of 92" em que jovens talentos como o Beckham falavam no esforco financeiro que fizeram para ter um carro com estofos de cabedal (num carro da treta diga-se, nao me lembro qual).. Nos dias hoje isto e uma piada, miudos de 18 anos num clube ingles ja sao pagos a peso de ouro.

    Mesmo assim nao acho que haja um monopolio assim tao grande. Existem 4 ligas com peso financeiro, e com um elevado numero de clubes com capacidade para atacar a liga ds campeoes. Estas 4 equipas de agora simplesmente estao numa fase em altas. De 2005-2010 eram equipas Italianas e Inglesas e o Barca. 2010-2015 tem sido Alemanha, Espanha e Inglaterra. No campeonato ingles ha neste momento 5 equipas com capacidade para atacar a LC: Chelsea, Arsenal, Man U, Liverpool e City (Nos ultimos 10 anos so o city e' que nao foi a uma final). Em Italia temos a Juve, Milan, Inter. Espanha tem Real, Barca, Valencia e Atletico. E a Alemanha tem o Bayern e parece que no futuro vao ter mais visto que ha clubes a ficarem bastante ricos. Esta lista nao necessariamente clubes que actualmente estao bem, mas que no longo prazo teram sempre hipoteses de atacar a LC (tal como clubes com ciclos positivos, os clubes de Milao estao a passar por um ciclo negativo).

  • Che
    Posted Maio 12, 2015 at 1:40 pm

    Devia ser criada uma superliga europeia em q oito equipas (real, barça, atleti, chelsea, City, arsenal, Bayern e Juve) disputavam um campeonato a duas voltas (eram tantos jogos como se uma equipa fosse as meias da champions) e quem ficasse nos dois últimos lugares era "despromovido" a champions..

  • António
    Posted Maio 12, 2015 at 1:30 pm

    Só é possível contrariar esta ideia com uma forte aposta na formação e depois na manutenção dos melhores jogadores formados. Espero que seja esse o caminho do Benfica, e que se vá fazendo essa mudança gradualmente. Tem é de começar já no próximo ano!!!

  • Posted Maio 12, 2015 at 1:22 pm

    Respeito a opinião mas náo concordo nada com o texto. Desde o Atlético, ao Dortmund, Passando pelo Inter até ao United, a teoria de que "são sempre os mesmos" cai por terra. É óbvio que os melhores estarão sempre nas fases mais adiantadas da prova. É claro que o Barça, Real, Bayern, terão sempre mais quartos e meias finais que os outros clubes porque são muito mais fortes… Mas isso não significa que sejam sempre os mesmos a ganhar…

    Aliás, lanço um desafio: Alguém acetou em qual seria a final da Champions nos últimos 10 anos? Eu não. Este ano diria que o Bayern estaria na final e falhei (e princípio). No ano passado ninguém pode dizer, honestamente "ah e tal, eu sempre soube que o Atlético ia à final". O mesmo com o Dortmund. No princípio da época não havia ninguém que dissesse "o Dortmund vai à final"…

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 3:09 pm

      Kafka

      O mal é pior que isso,ainda porque mesmo esses clubes que tem um poder financeiro que outros grandes do passado hoje possuem,mesmo eles foram a finais ou meias uma vez sem exemplo esse é o grave problema são realmente sempre os mesmo a lá chegar e cada vez vai ser pior,os jogadores de top vão querer ir primeiro para onde lhes possam pagar mais e darem hipóteses de vencer a Champions e cada vez mais serão esses 5 6 clubes no máximo.

      Filipe Ribeiro

    • Kafka I
      Posted Maio 12, 2015 at 2:00 pm

      O Inter e o United fazem parte do grupo dos grandes, não servem de exemplo..e mesmo os outros 2 exemplos (Atlético e Dortmund) fazem parte dos 4 grandes campeonatos Europeus

      Acho que o que o Nuno quis transmitir é relativamente aos clubes fora das 4 grandes ligas Mundiais

  • Nuno
    Posted Maio 12, 2015 at 1:10 pm

    Os anos 90 foi para mim a década em que a Liga dos Campeões esteve bastante distribuída tanto por países como por clubes. Penso que em parte se deve porque não havia extraterrestres como hoje existe (messi e Ronaldo) sendo que os bons jogadores estavam mais ou menos distribuídos pelos diversos clubes e ainda não havia esta capitalização do futebol… Esta inflação do preço do jogador fez com que apenas um número muito restrito de clubes consiga os ter e não são so fundos que irão colocar esses jogadores em clubes pequenos, porque a ideia será sempre de colocar futuras estrelas para evoluir e depois sim vender aos ditos tubarões.

    A maneira como o futebol está a ser gerido é para no futuro tornar-se uma espécie de NBA. Os clubes pertencem a franshises/donos/árabes que se quiserem mudar de cidade mudam e levam o clube consigo e jogam entre si num liga europeia, sendo que os campeonatos nacionais passam a funcionar como uma plataforma de jogadores para estes ditos colossos (basketball universitário dos USA).

    O aumento de prémios da LC que tem sido constantemente revistos é um caminho para isso. Aos poucos os patrocinadores pedirão para ver jogar mais vezes o Bayern, o Real, o Barça, o Arsenal e outros (clubes com massas de adeptos de milhões fruto do investimento em países emergentes como a China, etc etc) e clubes como os portugueses, italianos, segundas linhas espanholas, etc etc aos poucos vão caindo e passam para ligas completamente secundárias…

  • Jorge Mendes
    Posted Maio 12, 2015 at 1:04 pm

    Há uma coisa que é importante referir quando se fala neste tema, é que antes existiam mais craques do que agora.

  • Flávio Trindade
    Posted Maio 12, 2015 at 1:02 pm

    Nuno,
    Subscrevo inteiramente o teu artigo.
    É tão verdade que estatisticamente nas últimas 10 finais da Champions, só em duas vezes é que Real Madrid, Barcelona, Bayern ou Chelsea não estiveram presentes (essas foram as épicas finais entre Liverpool e Milan, entre Benitez e Ancelotti com uma vitória para cada lado).
    E é nesta situação que o futebol tem evoluído. Nos últimos 5 anos então esse domínio dos 3 grande mundiais acentuou-se.
    O Chelsea ainda está um degrau abaixo dessa concorrência, sendo que os projectos milionários do City e do PSG poderão porventura lá chegar, bem como o ressurgimento dos grandes do calcio (Milan, Juve, Inter) ou o regresso aos bons velhos tempos, do único clube, e repito único que pode a curto prazo ameaçar essa realidade, o Manchester United.
    Real, Barcelona e Bayern tornaram-se colossos de tal dimensão que neste momento são imparáveis.
    Têm tudo, os melhores jogadores do mundo, os melhores treinadores possíveis, as maiores receitas quer em mercado interno como externo, jogam em ligas de grande visibilidade cuja ameaça interna não lhes morde os calcanhares (essa é outra conversa…daí se aferir verdadeiramente qual a liga mais interessante e competitiva do mundo…), sendo que em Espanha apenas este recente Atlético de Simeone ousou quebrar esse ciclo, e na Alemanha apenas o Dortmund, ou seja internamente esses clubes beneficiam de autênticos passeios caseiros, o que os torna mais competitivos fora de portas.
    É bem mais fácil a um desses 3 colossos ganhar a Champions e todos os seus titulos internos do que a qualquer clube inglês de top (Chelsea, United, City, Arsenal, Liverpool…é muita concorrência) ou até italiano (o Inter de Mourinho foi o último a consegui-lo mas numa época onde a Juventus estava em reconstrução e o Milan começava o seu declínio) e quer se goste ou não essa será a realidade dos próximos anos.
    Real, Barça e Bayern na pole position.
    Chelsea, United, Juventus e Psg numa 2º fila.
    City, Arsenal, e depois de renascidos quem sabe Liverpool, Milan, Inter a juntar a Dortmund e Atlético (que terão que confirmar se foram projectos de um homem só, Klopp e Simeone, ou se cimentaram esse estatuto).
    No caso dos grandes entre os pequenos, como os nossos 3 grandes, os russos Zenit, Cska e Spartak, os holandeses Psv e Ajax, os gregos Olympiakos e Panathinaikos, os turcos Galatasaray, Fenerbache e Besiktas, e talvez Anderlecht, Shakthar e Dinamo Kiev, teremos de nos contentar com o ser grande dentro de portas e numa boa época europeia chegar a uns quartos final ou com muita sorte a umas meias, e numa má época europeia, quiçá ser relegado para a Liga Europa (a 2º divisão) e ganha-la. O que não deixa de ser irónico, os pequenos grandes para ganharem uma prova europeia, terão que ser incompetentes entre os verdadeiros grandes europeus (a Liga Europa como rebuçadinho para os pequeninos)!
    Portanto, não me admiraria nada que esta tendência dos últimos 10 anos se verifique nos próximos 10 e que os 3 grandes tubarões se perpetuem nas finais da Champions à vez cada um ou juntos, e em anos maus, ou maus ciclos, passem a vez aos tubarões seguintes…

  • Don Corleone
    Posted Maio 12, 2015 at 12:54 pm

    Uma solução poderia ser o aumento dos prémios financeiros de Liga Europa (que são mínimos). Ganha-se mais por estar na fase de grupos da Champions do que ser o vencedor da Liga Europa, que pelo menos para mim, não faz sentido nenhum…

  • Henrique Reis
    Posted Maio 12, 2015 at 12:17 pm

    Esse texto vai na linha de outro post recente do VM, sobre o Ronaldo fenômeno dizendo que não há mais craques no futebol(o que discordo, pois na verdade há apenas a concentração desses em alguns poucos clubes, fora o fato de existirem dois super jogadores que retiram a atenção aos outros).

    A disparidade entre os clubes e concentração de jogadores de topo em alguns poucos é preocupante e diria que irreversível, pois não acredito que seja do interesse de quem comanda o futebol e desses próprios grandes clubes modificar isso. Talvez o Porto de 2004, graças à genialidade de Mourinho, tenha sido o último suspiro de equilíbrio na Europa.

    A disparidade se deve, na minha opinião, aos seguintes fatores:

    Fundos e sheiks árabes e presidentes bilionários: se por um lado, aumentam o bolo de dinheiro, é claro, e trazem os seus respectivos clubes ao topo, fazem o capital humano que andava antes espalhado ir todo em uma só direção. A Premier League, por exemplo, capta jogadores de outras ligas(mesmo grandes ligas como a Espanhola) de uma forma que a qualidade e competição interna nos outros países fica cada vez mais enfraquecida. Com os novos contratos que passam a valer na próxima temporada, a situação só tende a piorar. Vamos chegar em um ponto em que clubes médios espanhóis, alemães, italianos ou mesmo os grandes portugueses não vão ser capazes nem de concorrer(pelo menos na contratação de jogadores) com recém-promovidos da Inglaterra.

    Más distribuições de cotas de TV no âmbito interno dos países (já que é para se falar dos clubes que dominam a Europa atual, há de se falar de La Liga, mas a Serie A italiana, por exemplo, também é muito mal distribuída): Nisso, a Premier League e a Bundesliga são exemplares, não há muito o que reclamar, mas por outro lado, dois dos dominantes da Europa atual se beneficiam muito disso. Real e Barcelona canalizam as receitas de TV de tal forma que clubes menores espanhóis mal conseguem sobreviver. Isso para não falar de clubes médios/grandes que antes conseguiam algum disputar internamente como Valencia, Deportivo, Athletic, ou mesmo, Sevilla e Villarreal, que hoje não chegam a terminar nem a 10 ou 20 pontos de Real e Barcelona. O Atlético de Simeone veio a ser um alento quanto a isso, mas é um pouco na linha do Porto de Mourinho, uma exceção formada por um treinador espetacular.

    Por fim, um motivo que para mim é pouco falado atualmente, é a influência da Lei Bosman e da "cidadania europeia" que acabou praticamente com as restrições sobre estrangeiros das ligas e federações nacionais. Vejam bem, não é problema nenhum com estrangeiros nas ligas, mas a partir do momento que os jogadores passaram a ter mais poder que os clubes e que simultaneamente, jogar em clubes menores de ligas maiores passou a ser mais atrativo do que jogar nos clubes grandes dos respectivos países(seja por dinheiro ou exposição) , uma razia se deu nas ligas periférias europeias. Abriram-se vagas para todos em grandes ligas, isso as fortaleceu e retirou os melhores jogadores das demais. Talvez o exemplo de maior queda tenha sido a Holanda, que antes possuía Ajax, PSV e por vezes até o Feyenoord com campanhas de destaque na Europa, hoje não consegue segurar praticamente nenhum jogador que se destaque por mais de 2 temporadas. Os grandes de Portugal ainda se safam com boa prospecção internacional e os fundos, mas não sei se isso dará sempre certo. Dificilmente, diria que é quase impossível, vermos hoje Porto, Benfica, Ajax, PSV, Panathinaikos, Malmo, Celtic, Brugge, Steaua, Estrela Vermelha chegarem em finais de LC, como já o fizeram. É por isso que digo que 2004 foi um oásis, com aquelas meias finais entre Porto, Deportivo, Monaco e Chelsea. E reparem que o efeito disso tudo não se deu apenas nas ligas europeias periféricas, os clubes sul-americanos também sofrem muito com isso.

    Combinando esses 3 fatos, no meu ponto de vista, chegamos ao que temos hoje. Infelizmente. Assim como infelizmente não sei se há retorno.

  • Luis La Liga
    Posted Maio 12, 2015 at 12:10 pm

    Selecções:

    No futebol «são onze contra onze e no final ganha a Alemanha>>.

    Clubes:

    No futebol «são onze contra onze e no final ganha uma equipa espanhola>>.

    • Cesar Torres
      Posted Maio 12, 2015 at 2:19 pm

      Essa das seleções não bate muito certo porque a Alemanha ainda não conseguiu ganhar a Italia em uma competição oficial e antes do mundial 2014 apanhava um monte de pancadas do Brasil. Em 6 jogos oficiais com o Brasil, a Alemanha só ganhou 1 e perdeu os restantes.

  • Miguel B
    Posted Maio 12, 2015 at 12:02 pm

    Não concordo totalmente comtextOo.
    o Futebol tem fases, 'eras' vá, e vivemos uma em que temos dois monstros a jogar nas duas equipas mais fortes do mundo, sendo que só isto é um fator que faz sempre pender o resultado para o lado da sua equipa. Dito isto, acredito que quando Messi e Ronaldo não jogarem mais, outras equipas, com novos investimentos e treinadores irão trocar as voltas de novo a estas 'hegemonias'. Digo por exemplo o chelsea, city, PSG ou um dos grandes italianos. Nos anos 60 também parecia só haver uma realidade e as pessoas deviam escrever estes tipos de texto. Tudo muda, em relação aos orçamentos concordo plenamente rm baixar os orçamentos, porque o que estes valores fazem, é somente uma inflacao ridícula e sem sentido do jogador médio/bom.

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 11:58 am

    podemos também opinar que hoje em dia é mais fácil os grandes clubes contrarem as jovens promessas.
    Enquanto que antigamente para um jogador se mostrar tinha de ter uma base e fazer uma boa campanha numa competição tipo liga dos campeões hoje em dia os talentos de 17 anos do brasil japão ou de um pais africano qualquer já passaram ou por uma academia de um grande ou por um agente que já os vendeu a um grande. isto tira a competitividade ao futebol mundial.
    Abr

    RREB

  • DMS
    Posted Maio 12, 2015 at 11:51 am

    É difícil prever se a Liga Italiana conseguirá recuperar o seu poderio a nível europeu nos próximos tempos mas não podemos esquecer que internamente (a excepção da Juve) é um campeonato muito competitivo. Gostei do teu ponto sobre os Real v Barça que dentro desses lote três (Bayern) estão na minha opinião acima dos alemães. Gosto de pensar que sem Ronaldo e Messi, o confronto vai perder interesse mas não vão pendurar as botas nós próximos 5-7 anos. Mas mesmo quando chegar essa altura é provável que os dois colossos espanhóis ainda tenham um poder de compra invejável e forte o suficiente para aliciar os próximos melhores do Mundo (Pogba, Hazard, etc.)

    • max alves
      Posted Maio 12, 2015 at 12:56 pm

      O barca ja tem o bola de ouro apos messi porque cristiano ja ja baixara o nivel…que neymar possa assumi o protagonismo porque em condicoes normais nao ha um jogador ao seu nivel

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 11:45 am

    Concordo em absoluto com o artigo acima publicado.

    Posto isto, queria sugerir uma pequena reflexão: Apesar de eu não concordar em nada com a forma como o desporto nos EUA é gerido – principalmente porque o desporto se dispersa, dando lugar a infinitas estratégias de marketing (o que também está a começar a acontecer na Europa) – o que é certo é que ao aplicar um tecto salarial de X por ano, torna todo o desporto muito mais equilibrado entre as várias equipas.
    Assumo que este cenário possa não ser tão belo e idílico como o esteja apresentar, mas seria possível aplicar uma regra destas ao futebol europeu, neste estado de completa atrofiação e viciação?

    Luís

    • max alves
      Posted Maio 12, 2015 at 12:54 pm

      Parabens luis,
      porque o caminho pra competitividade nao eh essa regra do fair play que foi feita pra se burlar,mas sim um teto salarial pelas receitas e um numero limite de jogadores nos clubes e emprestados e talvez num nivel critico pra limitar os novos ricos um numero de tranferencias possiveis por janela…mas fizeram o fair play que com emprestimos com clausula de compra obrigatoria um time vimos psg contratar aurier sem poder estar efetuando a compra mas contando com o servico do jogador

  • Bearzot
    Posted Maio 12, 2015 at 11:42 am

    Caro Nuno Ranito,

    Aprecia imenso as suas opiniões e continuo a respeitar esta, embora não posso deixar de discordar do texto e da ideia que Real, Barça e Bayern partem todos os anos como favoritos. Até o pode ser nestes últimos 4 anos, mas antes (anos mais recentes) tínhamos Chelsea, Milan, Juventus, Manchester Utd e até o Inter. E quando diz que não se trata de um ciclo, mas de um caminho, ainda discordo mais porque, de facto, trata-se de um ciclo.

    A Liga dos Campeões será sempre para um lote restrito de equipas, quando se trata do vencedor. Mas, a Liga dos Campeões permite a clubes mais "pequenos" encaixe financeiro e oportunidade de poder discutir com os melhores. Claro que, ainda que possam "atrapalhar" o caminho dos grandes, no final, será sempre um grande a discutir o título.

    Um dia, este Barcelona deixará de ter Messi, o Real deixará de ter Ronaldo, o Bayern deixará de ter o núcleo Neuer, Lahm, Schweinsteiger, Robben, Ribery (já não o tem no topo) e outras equipas aparecerão, como tem sido assim, e continuará a ser. Claro que surpresas acontecem, como foi o Porto, ou até mesmo o Liverpool contra um fortíssimo Milan.

    Banalização de um clássico? Todos os clássicos têm uma história diferente, egos diferentes, "guerras" diferentes, motes diferentes…impossível banalizar um clássico. Até acho que há aqui uma contradição porque se Real e Barça deixarem de ganhar tantos títulos, o clássico perde a importância que tem hoje em dia.

    E atenção, nada garante que este ano a Juventus não ganhe a competição. Olhando até para a equipa, Buffon, uma defesa com Chiellini, Evra, Lichsteiner, Bonnuci, um meio campo de luxo com Pirlo, Marchisio, Vidal e Pogba, um ataque com Tevez, Llorente e o jovem cheio de energia Morata! Não entrar para as contas com esta equipa…dá que pensar.

  • Pedro Miguel Garcia
    Posted Maio 12, 2015 at 11:41 am

    Nuno, sabes que sou teu fã, da tua ironia aguçada, e acho que tocas em pontos importantes. No entanto, descordo contigo… Acho que há vários clubes que podem combater esta situação. A Juventus é o exemplo deste ano, o Atlético Madrid do ano passado, o Dortmund de há três anos, e por aí fora podemos seguir.

    A grande questão é que esta fase da prova será sempre controlada por 5 ou 6 clubes, porque o futebol em Itália caiu a pique, porque em Inglaterra o City ainda não apresenta mentalidade competitiva, o Chelsea se deixou apagar, e o United não é neste momento o que foi. Por outro lado os de Milão andam nas ruas da amargura. Mas há outros poderes emergentes como o PSG, por exemplo.

    Sejamos honestos e coerentes, o futebol é um negócio, os fundos e os agentes vieram ajudar à festa, onde os de sempre engordam e os outros caem. Hoje em dia é impensável, se não impossível, um Ajax com a sua formação vencer a prova. Mas isso não é necessariamente mau. Pode ser para a competitividade, mas será que é para o espectáculo?

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 2:26 pm

      A culpa é do mónopolio que esses tubarões hoje em dia tem.Milhões no prémio de assinatura carro casa suposto trabalho para os pais ninguém quer saber.Nos USA um jogador não pode ser aliciado nem por um chocolate no resto do mundo aos 12 13 já lhes garantem mundos e fundos.Mas as pessoas não querem saber o clube delas não faz nada de relevo internacional viram se para os que tem.

      Filipe Ribeiro

    • Pedro Miguel Garcia
      Posted Maio 12, 2015 at 1:21 pm

      Oh Filipe mas era mesmo esse o ponto a que eu quero chegar. Aqui talvez o problema não esteja nos clubes grandes mas sim na cabeça de vento dos miúdos que agora começam a carreira. Eles preferem andar pelo Chelsea e serem emprestados toda a vida, preferem ir para o Castilla, etc, e nunca jogar. Isso afecta a sua evolução enquanto jogadores… Mas aí a culpa é de quem? Ninguém os obriga a assinarem, e ficarem encostados em vez de continuarem a evoluir…

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 1:17 pm

      Filipe, os jogadores podem nao tomar a melhor decisao para as suas carreiras. Mas seja qual for o panorama, vao haver sempre erros

      Fausto

    • Kafka I
      Posted Maio 12, 2015 at 1:14 pm

      Caro Pedro

      Mas a Juventus não pode entrar no lote de "surpresas" a Juve faz parte do "grupinho" actual que tem os melhores jogadores do Mundo…bem como o Milan e Inter

      Eu do que interpretei do texto do Nuno R, acima de tudo ele quando fala em surpresas é em equipas fora das grandes ligas (Itália, Espanha, Inglaterra e Alemanha) ou mesmo pertencendo às grandes ligas que não sejam os mesmos de sempre..

      Hoje em dia é impossível o Porto, Benfica, Steau Bucareste, Estrela Vermelha, Celtic, Ajax, PSV, Feyeenord, Dinamo Kyev, ou Anderlecth conseguiram sonhar com uma meia final da Champions (só numa conjugação enorme de factores a favor e com muita sorte nos sorteios poderiam lá chegar), quando antes não era sonho nenhum para estes clubes chegarem às meias finais (eu já nem falo da final) da Champions

      Eu acho que é neste ponto que incide o texto do Nuno R

      Dou-te um exemplo, a época 2015/2016 ainda não começou, mas já todos nós sabemos que o campeão nenhum dos clubes que mencionei em cima (e todos eles irão participar na Champions 2015/2016) terá alguma hipótese de lá chegar…há 25 anos atrás era impossível ter esta certeza, porque os grandes jogadores estavam espalhados por mais equipas ao contrário de actualmente…

      Esta é a minha interpretação do texto do Nuno R

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 12:01 pm

      Já te perguntas te porque que esses clubes só conseguiram ir num ano esporádico e porque os outros não conseguem?Não será porque todos os jovens valores preferem ir para os clubes de top ganharem rios de dinheiro clubes que não vão ter espaço mas ansia do dinheiro e fama faz tomarem essas decisões raramente um jogador tóma a melhor decisão em termos de carreira futebolista só pensam nos $.

      Filipe Ribeiro

  • Moskamorta
    Posted Maio 12, 2015 at 11:41 am

    Excelente texto, e é algo que já venho a referir à algum tempo, eu nunca gostei de ver uma final da Champions com dois finalistas do mesmo país, como já aconteceu várias vezes, e que este ano deve voltar a suceder, o que no meu ponto de vista tira prestigio tanto à prova como às restantes ligas europeias.

    No entanto, existe já uma alteração, que se não estou em erro irá entrar em vigor no proximo ano, que é a criação do pote 1 com os campeões dos 7/8 melhores paises do ranking da uefa (7 caso o campeão europeu não for o campeão do seu pais), assim, no pote 1 estará só um clube Espanhol, um Ingles, um alemão, um portugues, um italiano, um frances , um russo, ficando no segundo pote as equipas com melhor ranking e por ai fora… Espero que isto seja um projecto que devolva alguma incerteza quanto ao vencedor da champions, pois começo a ficar aborrecido com estas champios, onde estão sempre os mesmos, para não falar que chegando aos 4º final, a equipa teoricamente mais forte joga sempre a 2ª mão em casa, isto já à alguns anos que tem sido assim (coincidências??? não sei, mas se forem ver, pelo menos desde o ano em que o Benfica defrontou o chelsea nos 4º que tem sido assim).

    Por ultimo, enquanto messi e ronaldo não pendurarem as botas estarão sempre nestas fases, pois são jogadores doutros planetas que elevam a qualidades dos seus clubes a um patamar não terrestre… isto já aconteceu também com um extraterrestre chamado Eusébio, nos anos 90.

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 2:19 pm

      Eusébio nos 60 Maradona nos 80.

      Filipe Ribeiro

    • Moskamorta
      Posted Maio 12, 2015 at 2:08 pm

      A primeira final entre clubes do mesmo país foi em 2000 ( Real – Valencia) de então até agora ja houve 5 finais dentro destes parâmetros, e poderemos este ano ver uma final com clubes do mesmo país pelo 3 anos consecutivo, 2012/13 Bayern – Dortmund, 2013/14 Real – Atletico e poderemos assistir a um Real – Barça.

    • Samuel
      Posted Maio 12, 2015 at 1:15 pm

      Estamos prestes a ver pela 2º ano consecutivo uma final espanhola. Os classicos espanhois vão começar a gastar a paciência dos espectadores.

    • Nuno
      Posted Maio 12, 2015 at 1:10 pm

      Eusébio era um extraterrestre mas não dos anos 90 mais anos 70… Anos 90 o extraterrestre era quanto muito o Maradona mas para mim longe destes dois, muito por culpa dele mesmo.

    • max alves
      Posted Maio 12, 2015 at 12:45 pm

      Esse ano a final sera Barca x Juventus nao creio que sejem do mesmo pais…

    • Moskamorta
      Posted Maio 12, 2015 at 12:00 pm

      …nos anos 60. Obviamente

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 11:31 am

    Parabéns ao Nuno por este excelente texto.
    Na minha opinião esta situação também se deve à "queda" de grandes clubes como o Milan, Inter, United, Arsenal, Lyon ou Liverpool, eram clubes que há uns anos eram bastante competitivos na Champions.
    Mário

    • coach407
      Posted Maio 12, 2015 at 12:35 pm

      Principalmente o United não tem motivos para não voltar aos grandes dias com esta regra do fair play financeiro. O United e o Real Madrid são as equipas mais beneficiadas tendo em conta que têm receitas verdadeiramente astronómicas, podendo gastar esse dinheiro em transferências sem precisar de vender, ao contrário dos que não têm um sistema económico tão saudável (Chelsea, City, PSG…). Além disso os clubes ingleses, em geral, também podem ter um upgrade visto que as receitas são muito importantes comparado com os outros países. Isto para clubes que investem em jogadores de 20/30M€ não para Manchester City's que querem comprar Messis, Ronaldos, Bales e Pogbas, O poder económico destes países aumentou não em termos absolutos mas em termos relativos com esta regra

  • Kafka I
    Posted Maio 12, 2015 at 11:29 am

    Excelente artigo Nuno R e vai ao encontro do já falamos eu, tu e outros users, por diversas vezes aqui no blogue, ou seja, o Futebol precisa de mais igualdade, pois da forma como esta a tendência como dizes e bem será cada vez haverem menos surpresas, tanto que não é por acaso que nos últimos anos se têm batido recordes de pontos em Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha

    Algumas das soluções a meu ver para gerar esse equilibrio

    – Limite de orçamento para todos os clubes na EUropa (claro que isto teria de ser muito bem estudado e adaptado à realidade Europeia, mas por exemplo em vez de hoje em dia Real, Barça e Bayern terem orçamentos a rondar os 500 milhões de eur e andarem a bater e malta com orçamentos de 10 e 15 milhões, limitava-se um tecto máximo, sei lá, por exemplo 250 milhões, ou algo deste género…mandei um valor para o ar, evidentemente que o mesmo teria que ser muito bem estudado)…este limite levaria a que clubes como Real, Barça e Bayern já não pudessem ter as constelações que têm hoje em dia, e levaria a que os grandes jogadores acabassem por se espalhar por mais clubes e como tal a competitividade aumentaria drasticamente

    – Número máximo de jogadores sob contrato, evitando assim a monopolização de jogadores que alguns clubes fazem, como é o caso do Chelsea a nível Mundial e o Benfica e Porto a nível nacional, ou seja, por exemplo 25/30 jogadores como limite, e quem tivesse equipa B máximo de 40 jogadores

    – Limitação a nível Mundial de jogadores emprestados para 4 no máximo, ora com isto evitava-se novamente o que o Chelsea (Benfica e Porto) por exemplo fazem, que chega ao absurdo de ter 30 jogadores emprestados…

    – Liga dos Campeões deixar de ter 4 clubes das principais Ligas Europeias e 3 das outras a seguir, tirando uma vaga a cada uma delas, ou seja, as 3 principais Ligas passariam a só dar 3 clubes e as restantes apenas 2 clubes…ou então mais drástico ainda e as principais Ligas 2 clubes e as restantes apenas 1 clube…esta medida não só levaria a uma abertura da Champions pois os principais clubes quando fizessem um mau campeonato não iriam à Champions como devolveria o interesse da Taça Uefa

    Há ainda muitas outras medidas, mas não tenho tempo para as escrever…mas pelo menos estas creio que devolveriam alguma da competitividade ao futebol Europeu..

    • Pedro Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 6:28 pm

      Escrevam essas sugestões, fazemos um abaixo assinado e entregamos à UEFA ahah

    • Pedro Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 6:27 pm

      Ah ok, todas as equipas que entrassem nas competições europeias recebiam X, esse X consoante o seu orçamento. Isso seria uma óptima medida.

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 4:58 pm

      Pedro Silva, por isso é que eu ressalvei na qualificação.

      Del Piero

    • José Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 3:54 pm

      Diogo, penso que as equipas que tivessem receitas elevadas poderiam investir esse dinheiro noutras modalidades, estádio, bilhetes e merchandising mais barato, mais ofertas para os sócios e até apoiar causas sociais. Provavelmente o que aconteceria era termos meia duzia a encher os bolsos mas já sabemos como funciona o mundo dos negócios e do futebol em particular

    • Pedro Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 3:39 pm

      Kafka excelente comentário! Medidas muito muito interessantes! Quanto ao comentário do del Piero, não concordo tanto, penso que iríamos assistir a jogos em que equipas iriam marcar na própria baliza de propósito para perderem e ganhar mais dinheiro…

    • Kafka I
      Posted Maio 12, 2015 at 2:35 pm

      Del Piero

      Não tinha pensado nisso, mas faz TODO o sentido essa medida de dar mais aos clubes mais pequenos, aliás extravasando um pouco para fora do futebol, a União Europeia é (ou pelo menos era, mas isso são outros assuntos) assim que funciona…

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 2:14 pm

      Outra medida interessante seria os premios das Competições Europeias serem distribuídos, pelo menos na qualificação para as mesmas, proporcionalmente ao orçamento da equipa. Porquê dar 12 milhões ao Real (trocos) e 12 ao Otelul Galati, e não 4 ao primeiro e 20 ao segundo?! Só assim haveria uma aproximação, isto sim é um mecanismo de solidariedade. Isto junto com dar mais vagas aos campeonatos periféricos em detrimento do Big 5 criaria mais condições de proximidade.
      Com esta medida a liga Europa ficava mais competitiva e atraente, podendo os premios aumentar, não havendo uma diferença tão grande entre os prémios da Champions e a Liga Europa, levando os grandes clubes relegados para a mesma a abordar a competição com outros olhos.
      Há 20 anos atrás a Taça Uefa era uma competição apetecivel, agora parece que se ganha um latão. Este futebol anda de pernas para o ar.

      Del Piero

    • Kafka I
      Posted Maio 12, 2015 at 1:58 pm

      Diogo

      Eu entendo o teu ponto de vista, no entanto assim o fosso entre os grandes de Itália, Alemanha, Espanha e Inglaterra será cada vez maior para os restantes…

      Isto é como nos desportos americanos, há equipas que facturam acima do limite orçamental, mas mesmo assim não podem passar daquele valor…

      É justo? talvez não seja, agora o futebol é um espectáculo, é entretenimento e no dia em que já se souber quem vence perde a sua essência

      Não sei se é a forma mais correcta, mas não estou a ver outra forma de trazer de volta a competitividade de forma a que Países periféricos possam almejar por estes títulos

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 1:39 pm

      Eu colocaria 100M no mercado de Verão, e 20M no de Inverno. E a UEFA deveria fazer com que cada clube inscrevesse 7 jogadores nascidos naquele país ou formados nesse clube. As ligas de top com 3 clubes, 2 diretos e 1 por play-off.

      Gabriel F

    • Samuel
      Posted Maio 12, 2015 at 1:13 pm

      Limitar orçamentos e numero de jogadores com contrato penso que seria o mais justo. Para mim tambem importante seria diminuir o numero de clubes das big 5 na LC.

    • RhaiL
      Posted Maio 12, 2015 at 12:59 pm

      Concordo com as medidas. No entanto, com esta monopolização, acho que num futuro não muito distante teremos uma super liga europeia com 25/30 equipas com campeonato mais playoff, um pouco a imagem da Nba. Cada país teria a sua quota de equipas conforme o coeficiente mas tenho dúvidas em relação à forma de apuramento para participar. Que acham?

    • max alves
      Posted Maio 12, 2015 at 12:43 pm

      Concordo com tudo menos a ultima,retirar 1 vaga das melhores ligas retiraria uma equipe boa que joga um bom futebol e como tirar um arsenal,dortmound ou napoles equipes que normalmente pegariam uma ultima vaga e dassem a uma equipe finlandeza,uma dinamarquesa e uma albanesa,quando se sabe que nao tera qualidade nem jogara com futebol convincente e concerteza nao passara a fase mata-mata

    • Diogo
      Posted Maio 12, 2015 at 12:24 pm

      Qual era a logica do Real, Bayern e Barça terem receitas de 500 ou 600M e só poderem gastar 250M???? É que estes clubes tem orçamentos gigantescos mas tem lucro todos os anos. Gastam o dinheiro que tem simplesmente. Eu vejo todos os jogos do Real, tu( do que vejo aqui dos teus comentarios) ves todos os jogos do Barça, como nós existem milhoes de pessoas, nao achas que estes clubes que tem milhoes e milhoes de pessoas a ver todos os jogos merecem ter mais condiçoes de ganhar titulos que outros clubes que só conseguem ter este numero de pessoas a ve-los quando jogam contra Barça ou Real???

      -Estes 2 leis até concordo mais ou menos, pois perdem-se muitos bons jogadores por causa disso.

      -Esta lei nao concordo nada, só iria acentuar o que está escrito neste post, a pouca competitividade da champions. Há paises com campeonatos melhores, logo merecem mais clubes.

    • Moskamorta
      Posted Maio 12, 2015 at 11:58 am

      Concordo com todas as medidas apresentadas. mas infelizmente penso que nunca serão aplicadas, pois o futebol sendo uma industria que movimenta milhões (movimenta um planeta) e vivendo num mundo completamente capitalista, estas restrições são contra a desregulamentação que se tem vindo a aplicar segundo os princípios de Milton Friedman. Caso se aplicassem essas medidas iriam contra muitos interesses e esse corajoso rapidamente seria deposto e enxovalhado em publico…

  • Anónimo
    Posted Maio 12, 2015 at 11:28 am

    Nunca mais voltarão os tempos em que equipas de menor expressão conseguem ter equipas competitivas (chegar a uns quartos/meias finais, entenda-se) na Europa. As grandes equipas do Ajax, o Grande Porto de 2004, O Marselha e Benfica dos inicios dos anos 90', mesmo as grandes equipas do Milan, isto falando nos ultimo 20-25 anos, nunca mais vão acontecer.
    Uma surpresa exporádica, como sempre, vai acontecer mas nunca com a regularidade do passado recente. De hoje em diante será sempre PSG, Real, Barça, Manchester City e United, Chelsea e Bayern Munique e a juntar-se alguem a este lote será sempre o novo "novo rico" em que um qualquer magnata asiático decidiu esbanjar algum do muito que tem.
    O futuro que prevejo não é risonho, para além de um decréscimo competitivo a nivel europeu as tais "equipas menores" vêm-se obrigadas a também elas encontrar um "super sponsor", um dono, abandonando a ideia bela de futebol que um clube é dos sócios e adeptos; portanto, o futebol caminho para ser um conjuntos de franchises com um proprietário e uma cidade sede, à boa maneira americana. E mesmo esta hipótese traz o risco óbvio de os preços de mercado dos jogadores ser ainda mais inflacionado, mais idiótico e pouco consciente. A curto-médio prazo, como diz o povo, "vai ser sempre arroz" e no futuro, infelizmente, não há nenhum indicio que a FIFA queria mudar as suas práticas. Em prole do lucro ao invés de trabalharem em prole do futebol.
    Como disse o Nuno no seu texto, as coisas só mudaram quando nós, adeptos, em todo o mundo começarmos a deixar estádios semi-vazios, deixarmos de ver o jogo na televisão, enfim, utópico fazermos isso…pois ninguem por mais "previsivel" e enfadonho que seja vai deixar de ver futebol, está-nos no sangue e a FIFA sabe muito bem disso com certeza.
    Para terminar, muitos parabéns pelo texto mesmo sendo acerca de um assunto tabu que parece que todos querem apenas evitar e adiar.

    Pantera Acrobata

    • Cesar Torres
      Posted Maio 12, 2015 at 2:10 pm

      kanjy6 o futebol é para ser apreciado pela qualidade e não pela nacionalidade. Um Atlético x Barça só fica abaixo do Benfica x Porto no nosso campeonato.

    • kanjy6
      Posted Maio 12, 2015 at 1:39 pm

      É bem feito que isto aconteça… Dizemo-nos adeptos do futebol, mas domingo, estará mais gente a ver o Atletico/Barça que os jogos do Campeonato Nacional de Seniores que ditam as subidas e descidas do clube da nossa terra…
      Kanjy6

  • Rodrigo Costa
    Posted Maio 12, 2015 at 11:21 am

    O texto está muito bom é verdade, mas se a Juventus por acaso ganhar a LC isto não vai fazer grande sentido.

    • Kafka I
      Posted Maio 12, 2015 at 11:40 am

      A vitória da Juve em nada altera o panorama, a Juve é um dos grandes Mundiais logo na sua génese não representara surpresa nenhuma pelo nome que tem pois vem de um dos 4 grandes campeonatos..

  • Pedro Costa
    Posted Maio 12, 2015 at 11:14 am

    Bom texto, mas gostava também de ver algo semelhante mas adaptado ao futebol português, onde os 3 grandes fazem exactamente o mesmo que Real, Barça, Bayern etc no nosso campeonato mas aí já poucos parecem achar um problema…

    • Pedro Silva
      Posted Maio 14, 2015 at 10:39 pm

      Nós não estávamos a falar na questao dos adeptos, estamos a falar na distribuição do dinheiro e da criação de medidas que permitam que o clubes não sejam tão díspares. Em relação aos adeptos, sou sincero, as pessoas têm o direito de gostarem do clube que quiserem. O nosso clube é emoção, se o clube da terra não nos trás essa emoção, não teria sentido apoiar um clube só porque fica bem e estão perto do sítio onde eu moro.

    • Luís bcn
      Posted Maio 12, 2015 at 6:50 pm

      Pedro Silva…não é bem assim

      É verdade que temos um mercado pequeno mas se por exemplo, na cidade de Braga, se os adeptos do benfica, sporting e Porto apoiassem a equipa da sua prorpria terra (como em qualquer outro país), o braga seria uma força muito forte (e braga já é uma cidade onde os 3 grandes não tem grande dominio9 . Da mesma maneira que os benfiquistas do grande Porto se apoiassem o Boavista (nem estou a pedir o Porto) o clube seria muito maior.

      Há uma percentagem de adeptos "perdidos" que é um escândalo.

      Basta ver que o benfica normalmente enche o estádio municipal de aveiro….e o beira-mar se calhar numa epoca não mete 30 mil no estadio….isso é um caso optimo para demostrar o que digo…em aveiro as pessoas gostam muito de futebol… mas gostam do clube "errado". Fossem esses adeptos do clube da terra e o beira-mar seria um grande clube português…

      A migração destes adeptos para o clube "certo" é a chave de sucesso

    • Pedro Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 4:58 pm

      Pedro Costa
      Talvez haja um erro de comunicação.
      Eu quero que as outras equipas se aproximem dos 3 grandes. Agora na minha opinião não vale a pena termos esse trabalho para vermos o nosso campeonato mais competitivo e depois na Europa não ganharmos a ninguém dos principais campeonatos, eu não ficaria feliz. Portanto a única solução é alterar toda a estrutura do futebol europeu. Em vez de juntarmos os esforços para mudar o futebol português, façamos mais, juntemos os esforços para mudar o futebol europeu, porque só assim ficaremos realmente satisfeitos.

    • Anónimo
      Posted Maio 12, 2015 at 4:05 pm

      Pedro Silva

      Tudo dito.mais nada acrescentar.

      Filipe Ribeiro

    • Pedro Costa
      Posted Maio 12, 2015 at 3:36 pm

      Pedro Silva,

      Isso é hipocrisia. Querer que os 3 grandes fiquem mais fortes a nível europeu mas não querer que as restantes equipas portuguesas se aproximem dos 3 grandes é ter duas opiniões sobre o mesmo problema…

    • Pedro Silva
      Posted Maio 12, 2015 at 3:28 pm

      Não foi falado no futebol português porque o problema é geral não é específico do futebol português, como nós tugas costumamos achar. Está espalhado por todo o mundo onde existe dinheiro. Os 3 grandes são pobres! Comparando com as principais equipas europeias. Não seria fantástico ter um dos 3 grandes a lutar para ganhar a Champions? Qual a probabilidade disso? Próxima de zero. Se o campeonato português fosse mais equilibrado isso significaria um decréscimo de qualidade nessas 3 equipas obrigatoriamente. Qual a probabilidade de uma delas ganhar a Champions nesse caso? Talvez menos dez por cento. Ou seja, se não se pensar em nivelar o futebol a nível europeu, não vale a pena pensar primeiro em nivelar o nosso futebol português, porque o problema é geral não é local. Mas se ainda assim quiserem nivelar o campeonato português, penso que seja melhor fazer com que as equipas portuguesas deixem de participar em provas europeias, para não serem humilhadas.

    • Bruno Djokovic
      Posted Maio 12, 2015 at 2:31 pm

      coach407, o Evandro não me parece um bom exemplo nessa lista apesar de não ser muito utilizado é claramente o suplente de Óliver nesta época.

    • Samuel
      Posted Maio 12, 2015 at 1:10 pm

      Mas o nosso campeonato sempre foi assim, em 80 edições só duas tiveram vencedores diferentes sem ser os 3 grandes (Belenenses e Boavista) portanto não se pode dizer que o futebol se foi virando cada vez mais para os mesmos quando a competição já nasceu com esses moldes (O que nasce torto tarde ou nunca se endireita). A situação é bem diferente da liga dos campeões em que o núcleo está cada vez mais fechado.

    • coach407
      Posted Maio 12, 2015 at 12:29 pm

      Mas esse caso é ainda mais grave pois tiram os melhores jogadores às equipas inferiores e mesmo assim nem são opções para a equipa principal, normalmente! Claro que em centenas aparece um Artur, um Helton, um Fabiano, um Jardel, um Maicon, um Pepe, um Lima, um Paulo Oliveira, um Jefferson… no entanto há muitos exemplos que mostram o contrário como Candeias, Djavan, Ricardo Nunes, Heldon, Derley, Steven Vitória, Evandro, Michel, Geraldes, Tiago Rodrigues… Contratações completamente desnecessárias que só vêm tirar qualidade às equipas do campeonato portugues… ainda por cima contratados por uns trocos… E parece que já vai haver mais com Hassan e Diego Lopes. Afonso Figueiredo até pode ter sorte se o Jefferson sair mas parece que é para o lugar do Jonathan por isso é mais um…

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