Após o cancelamento do Margaret River Pro, o circuito mundial de surf continuou no Brasil, mais especificamente em Saquarema, Rio de Janeiro, com o Oi Rio Pro. Numa prova com boas condições para a prática de surf, o vencedor foi Filipe Toledo, que derrotou Wade Carmichael na final (17.10 para 8.00) e, com esta vitória, subiu ao 2º lugar do ranking mundial.
Após três dias de espera, a organização decidiu transferir o evento da praia de Itaúna para a Barrinha, onde era esperado um bom “swell” para os próximos dois dias. Conhecida pelos seus tubos, esta foi a primeira vez que a Barrinha foi utilizada como palco de uma etapa do circuito mundial. O primeiro dia de prova trouxe as primeiras vítimas entre os favoritos, com Adriano de Souza, o vencedor no ano passado, Matt Wilkinson, Owen Wright e Michel Bourez a ficarem pelo caminho na ronda de repescagem. Também Jordy Smith e John John Florence foram obrigados a disputar esta ronda mas conseguiram a qualificação para a próxima fase.
O 2.º dia também trouxe surpresas com as eliminações de Smith e Italo Ferreira. O campeonato não tem corrido bem ao sul-africano, que se ficou pela 3.ª ronda pela quarta vez este ano, em outras tantas provas. Já o brasileiro partiu para este evento com a camisola amarela, partilhada com Julian Wilson, e esperava-se que obtivesse um resultado diferente. Frederico Morais também se ficou por esta fase, com uma eliminação aos pés de Michael Rodrigues. Enquanto “Kikas” conseguiu um bom tubo mas não teve uma onda de recurso à altura, o brasileiro, além de um tubo, obteve também um “aerial” que ditou o destino do português.
No terceiro dia, a prova regressou à praia de Itaúna para se disputar a 4.ª ronda. Logo a abrir, Toledo saca da melhor bateria do evento com um 8.33 e um 10.00 (combinado 18.33). Também Julian Wilson e Medina ganharam as suas baterias, conseguindo a qualificação para os quartos-de-final. Quem não teve tanta sorte foi Florence que mais uma vez foi eliminado prematuramente em 2018.
Para o último dia de competição, a Barrinha voltou a mostrar as suas boas condições. Nos quartos-de-final, Toledo, Julian Wilson, Wade Carmichael, que eliminou Gabriel Medina, e Ezekiel Lau qualificaram-se para a próxima ronda, com o sorteio a ditar um Wilson vs Toledo nas meias-finais. E o brasileiro não deu hipóteses ao atual líder do ranking, dominando a bateria do início ao fim. Na outra meia-final, Carmichael venceu Lau e marcou confronto com o brasileiro. Na última bateria da prova, Toledo deu espectáculo com dois tubos de belo efeito, um deles em que desapareceu completamente dentro da onda, que lhe deram um 9.93 e um 7.17. Já Carmichael obteve dois tubos cotados em 3.67 e 4.33.
Foi uma etapa muito animada no Rio de Janeiro. A “swell” proporcionou boas ondas e os atletas aproveitaram bem. No entanto, convém esclarecer que os dois locais do evento, a praia de Itaúna e a Barrinha, proporcionam condições diferentes para a prática da modalidade. Enquanto as ondas de Itaúna são de direita e possibilitam um surf mais “técnico”, as ondas da Barrinha são de esquerda e dão, principalmente, origem a tubos. Para surfistas mais pesados, como Carmichael, a mudança para a Barrinha foi proveitosa, com o seu surf a adaptar-se melhor às ondas. Talvez esta diversidade tenha contribuído para diversas surpresas, com elementos menos cotados a chegarem mais longe na etapa.
Com estes resultados, Julian Wilson está isolado no topo da hierarquia com 19.415 pontos, seguido de Filipe Toledo com 18.075 pontos e Italo Ferreira com 14.995 pontos.
Destaque ainda para a solução da Liga Mundial de Surf em cancelar o Margaret River Pro. A organização decidiu concluir a 3.ª etapa do mundial em Uluwatu, Bali, na Indonésia, recomeçando o evento nas primeiras 48 horas após o término do Corona Bali Pro. Vai recomeçar na 3.ª ronda com os 24 participantes ainda em prova e não irá durar até depois de 13 de Junho.
A próxima prova do campeonato mundial de surf, o Corona Bali Pro, realiza-se em Keramas, Bali, na Indonésia, e terá um período de espera de 27 de Maio a 9 de Junho.
O 10.00 de Filipe Toledo na 4.ª ronda:
Perfect 🔟!! @toledo_filipe #OiRioPro → https://t.co/7tegCjSuUD pic.twitter.com/iZQPJHVByJ
— World Surf League (@wsl) May 16, 2018
Ricardo Ralha


6 Comentários
El Pibe
Toledo tem tudo para conseguir um titulo mais ano menos ano. A brasileirada está forte e têm um reportório muito alargado.
Sombras
Acho que falta ao Toledo corpo para aguentar as ondas mais pesadas. Assim que evoluir ao ponto de ser satisfatório nessas condições acho que o título será seu mais cedo ou mais tarde.
El Pibe
Com essas condições todas está o Italo, que também tem tudo para conseguir um caneco.
Como o circuito é sempre dependente das condições e todas as provas são diferentes, acho que o Filipe já tem condições para fazer uma gracinha porque de todos os “progessistas” é o que tem mais desfaçatez e asas já agora:P.
Dca
Este 10, é daqueles que tinha de ser um perfect 10. Rotação 360º no ar, ou seja total, o que normalmente nem sempre acontece, e aterra com uma normalidade. Incrivel.
Dgbr
Boas,
Filipe Toledo absolutamente fantástico!
Por dentro, no ar ou a cravar rail, tudo espantoso. O que dizer do “aerial” que, segundo Occy (acho que é ele) teve uma extensão próxima dos 15 pés, ou do tubo quadrado e bumpy da final??!!!
Será este o ano dele? Será que mantém a consistência até final?
JW para mim está mais maduro e consistente, e é, de momento, o mais forte candidato ao título, mas o que dizer desta prestação do Toledo…
Resta saber o que têm a dizer JJ, Mineirinho e Jordy que têm estado um pouco adormecidos neste início de época (que daqui a pouco já é meio de época).
Quanto ao Kickass, continuo a achar que está um pouco fora de forma e o novo critério de avaliação não lhe está de feição.
Frederico sempre se fez valer da consistência e isso poderá ser desfavorável nos tempos que correm. Espero que Keramas e Jeffrey’s o voltem a colocar na senda dos óptimos resultados.
Quanto à maior desilusão, Griffin Colapinto. Estava à espera que, mesmo em época de estreia, o miúdo partisse aquilo tudo e está a entrar muito no padrão de surf WSL.
Abraço e obrigado por manter o surf “vivo” aqui no VM.
Só é pena que não aconteça o mesmo ao Bodyboard… :)
DGBR
Dgbr
Não era o Occy que queria dizer, mas sim Potter.
:)
Cumprimentos,
DGBR