O grande objetivo de um clube desportivo (além de dar lucro), é deixar felizes os seus apoiantes. Nem teria sentido de outra forma. Geralmente, somos influenciados para escolher um clube enquanto pequenos e torcemos para essa instituição a vida toda, esperando até ao fim de semana ansiosamente para assistir ao jogo da nossa equipa, ainda que gostando mais de uma modalidade que outras. Ao longo do tempo ganhamos um carinho por outras instituições, quer seja pelos atletas que têm, localização ou os valores que defendem. Nem é necessário que sejam grandes equipas, mundialmente conhecidas, para que o adepto passe a nutrir algum sentimento (quer positivo, quer negativo) por alguma instituição.
Existem fãs de todas as idades, havendo fanáticos jovens e idosos. As claques são maioritariamente constituídas por torcedores das faixas etárias mais baixas, sendo como uma família, lutando todos pelo mesmo objetivo, dar o máximo de apoio aos jogadores da sua equipa. Claro que há organizações que são enormemente superiores em termos de quantidade se as compararmos outras mais humildes, vindas de pequenas cidades ou vilas, fazendo assim um desequilíbrio. Em termos de adeptos, o futebol não é de todo equilibrado, especialmente quando há dois ou três clubes que se agigantam aos demais, como é o caso do nosso país.
Ainda assim, a situação está a mudar com alguma notoriedade. Hoje em dia a maioria dos jovens já não consume tanto futebol, muito menos outros desportos. Se outrora os adolescentes sabiam o plantel da sua equipa de “cor e salteado”, hoje em dia é difícil encontrar exemplos disso, parecendo que os que têm esse conhecimento são pessoas meio caricatas. A explicação para a perda de aficionados do desporto neste público em Portugal, tem a sua explicação com a evolução das redes sociais e plataformas digitais, principalmente a partir da ultima década, assim como a falta de qualidade dos programas desportivos acessíveis a todos, concentrados apenas no futebol e em três clubes. Já é algo natural que durante o dia a informação se repita, não exibindo novidades que até podem ser interessantes, tanto do estrangeiro, como de instituições mais pequenas.
Com o desenvolvimento do mundo com base nas tecnologias, cada vez mais as crianças estão presas ao computador e ao telemóvel. Se na minha temporada de estudante do ensino básico, o mais normal seria nos intervalos jogar futebol com os amigos, hoje em dia o habitual é ficar “especado” a olhar para o telemóvel a ver um vídeo no Youtube ou a assistir a uma live stream de alguma pessoa conhecida, sem sentir o mínimo de adrenalina por correr atrás de uma bola. Se antes era um clássico assistir aos melhores momentos de jogos que não tinham (ou até tinham) sido visualizados, em 2021 já ninguém praticamente dessa mesma idade está interessada em averiguar. A paixão pelo futebol e outros desportos está a acabar cada vez que mais rápido com o aparecimento de novas gerações. Quando se vai assistir a uma partida no seu local, muitas das pessoas vão para tirar fotos e colocar no Instagram e não para viver o momento e apreciar o jogo em si.
O rápido crescimento dos e-sports fizeram com que as crianças se concentrassem em ficar mais tempo em casa, mesmo que continuem a conviver com os amigos, agora numa versão online. A maioria das vezes preferem jogar um torneio de FIFA (o que também é divertido, não vou negar), do que fazer uma peladinha na vida real. É cada vez mais usual a preferência por jogos de natureza fantasiosa, ou seja, não aplicáveis na realidade, do que de desportos, que podem ser jogados com as nossas mãos e pés.
O que não podemos esquecer, é que os jovens foram/são fundamentais no desporto rei. As equipas que vivem para a formação, não existiam se não houvesse a iniciativa de se inscreverem nas camadas jovens, independentemente de se tratar de uma promessa ou de alguém “vulgar”. Muitos dos clubes que temos hoje em dia, foram fundados por pessoas novas, com desejo de praticar desporto, tentando arranjar condições para concretizar esse desejo.
Há casos tanto em Portugal como no estrangeiro, de equipas formadas por adolescentes e estudantes universitários, mostrando que estes até nisto são importantes, para aumentar o número de clubes. Comecemos pelo caso mais mediático que conhecemos em Portugal: a Associação Académica de Coimbra. Com uma cidade recheada de alunos (um pouco como Salamanca em Espanha e Bolonha em Itália), a sua ligação com o desporto rei é obviamente pela via dos estudantes. Na sua data de fundação, 1887, António Luís Gomes uniu-se a mais dezoito estudantes da Universidade de Coimbra para fundar um daqueles clubes que ficaram para a história. A íntima relação com os estudantes não fica pela fundação, sendo que muitos dos jogadores que estiveram nos seus quadros eram alunos da universidade conimbricense, política que deixou de ser tão comum quando nos envolvemos no futebol moderno, recheado de transferências. Passando para a Europa, o Estrela Vermelha, um dos mais importantes do seu país e da região, vencedor da Champions League em 1990/1991 nasceu também no seio de estudantes, em 1946, contrariamente ao rival, nascido a partir do exército, assim como muitas das equipas da ex-Jugoslávia e países em volta. O próprio Borussia Dortmund nasceu da ligação entre um clube que já existia e um conjunto de jovens dependentes da Igreja.
Na América do Sul muitos clubes foram criados por jovens. É muito fácil associar o Club Universidad de Chile e o Club Universitario de Deportes ao leque de clubes criados por estudantes. No entanto o Flamengo também foi criado por faixas etárias baixas, ainda que não por estudantes, mas sim por simples bairristas que queriam praticar desporto. História semelhante tem a fundação do Boca Juniors, criado por adolescentes do bairro La Boca.
Hoje em dia seria muito difícil assistir a criações de clubes por parte de jovens, já que jogar futebol ou outro desporto nos tempos livres não é mais um dos hobbies preferências dos adolescentes e jovens universitários. Além disso existem clubes espalhados por todos os lados, muitos com capacidade de transporte, sendo simples afiliar-se em um.
Porém fora do âmbito do desporto federado verificamos também um desinvestimento no desporto em geral. O Desporto Escolar, outrora um dos pontos fortes do sistema educativo, com os seus torneios inter-turmas e inter-escolas em que a maioria das crianças queriam participar, está praticamente ao abandono, não só na principal modalidade, como na generalidade, algo que com o aparecimento da Covid 19 só piorou. Os ringues, que antes representavam um palco de divertimento para todas as idades, hoje em dia estão ao abandono e muitos sem as condições mínimas para praticar qualquer tipo de desporto. Aqui há que atribuir culpa às Câmaras Municipais e às Juntas de Freguesia, que falham neste tipo de cuidados, além de muitas não fomentarem a prática de qualquer exercício, ajudando a que a população se torne cada vez mais sedentária e caseira. A minha experiência pessoal está relacionada com a cidade, porém consigo imaginar que em vilas e aldeias a situação seja igual ou pior. Neste momento para se praticar desporto em algum lugar com condições, o mais natural é ter de pagar para alugar um campo, independentemente do desporto em questão.
Assim apelo a que se tomem mudanças em relação ao desporto em Portugal, com caráter urgente. É obrigatório para a saúde dos portugueses (e para a sobrevivência dos desportos) que se faça mais exercício físico. Acredito que seja possível voltar a incutir o sentimento de paixão que antigamente existia, mas para isso não se pode ficar parado a ver clubes a fechar e jogadores a tornarem-se “jogadores de sofá”.
A partir do momento em que as crianças voltem a ver como é divertido jogar uma partida, talvez volte a crescer a paixão que existia há 10 ou 20 anos atrás, deixando mais o telemóvel em casa e a pegar mais vezes no cachecol para ir ver um jogo. Caso continuemos no mau caminho, infelizmente as próximas gerações não vão assistir à existência de muitas instituições, deixando-as somente na história, além das consequências enormes para elas próprias, a nível de saúde física e mental.
Visão do Leitor: Ricardo Lopes


16 Comentários
Estigarribia
Excelente texto. O futebol tem vindo a sofrer um certo declínio e não vejo solução para isto. Hoje em dia os miúdos preferem ficar com o cu alapado no sofá a jogar PlayStation, em vez de irem para a rua conviver e jogar futebol com outros garotos. Porque futebol também é convívio, é fazer novas amizades.
Actualmente, nos dias de hoje, não sei o que é que os garotos vêem no FIFA para ficarem com o cu alapado no sofá. O FIFA tem piorado, a meu ver, de ano para ano ao nível da jogabilidade – e eu quando era mais novo era um viciado em FIFA. Para mim, o PES tem estado 1000 vezes melhor que FIFA, mas isto é a minha opinião.
Posto isto, é necessário fazer regressar mais os jovens ao futebol de rua, imitarem os seus ídolos na rua. O futebol não pode morrer só porque a garotada de hoje em dia prefere ficar em frente á televisão a jogar FIFA.
Saudações Leoninas
Contra Informação
O ultimo paragrafo não passa de wishful thinking.
O futebol está em declínio por culpa própria, ou melhor, culpa das instituições que dizem querer fazer o melhor pelo futebol.
Mas acham que alguém da geração dos 18-29 anos está com paciência para ver um benfica sporting porto a jogarem entre si e ver qual é o mais prejudicado pelo árbitro por exemplo? Ou ver o pepe e outros que tal a dar porrada e a chorar contra o arbitro e toda a gente dentro de campo (olá conceição)
Os esports que estão a florescer estão a fazê-lo porque são jogos que dependem exclusivamente da skill dos jogadores como LoL, CS, valorant etc etc
Os arbitros são peças acessórias aqui que só intervém em casos muito raros e nunca interferem com o jogo em si. Nestes esports podemos verdadeiramente ver os melhores do mundo uns contra os outros e realmente apreciar as qualidades de cada um em vez de ter que levar com circo de treinadores, adjuntos, massagistas e outros inuteis
Macaco
O futebol de formação é algo essencial numa era tecnológica.
O ano passado quase feriu de morte a formação e quase deixou os clube formadores a beira do abismo.
Sou treinador de U12 e o ano passado doeu muito, mas nunca desisti de motivar os meus atletas, fizemos N sessões online com a historia do futebol e como tudo começou, visionamos filmes e documentários, tive convidados importantes em diversas áreas como alimentação e psicologia, coisas que os miudos em tempo real de treinos pouco ligam ou não lhes interessa e consegui cativa los e motiva los.
Consegui fazer que eles continuassem a fazer exercicio e rotinas, consegui que soubessem como comer e como pensar em tempos dificeis e apesar de tudo acho que valeu muito a pena.
Este ano tenho um grupo forte e coeso e apesar de perdermos um ano sei que existe a chama da vontade de fazer mais e melhor e que conquistei as mentes e mentalidades de muitos miudos e encarregados de educação.
Este ano tenho imensos miudos novos o que é algo inedito e acredito que haver um forte estimulo para que isto volte em força.
Apenas tenho pena que não exista o conceito dos anos 80 e do futebol de rua onde tanto aprendi, onde tanto sofri e onde tanto mas tanto me diverti.
Ai estava a base de tudo neste mundo e ai aprendias a ser razudo e batalhador e a gerir emoções.
Apessoa
Grande testemunho, sempre joguei futebol (futsal)de rua, nunca tive hipotese de jogar futebol federado por ser da periferia da cidade na altura. E costumo jogar ainda com regularidade, alugando pavilhao e jogando também em torneios amadores, mas denoto que tem tido um descrescimo entre os 20-30 do que na minha altura. Penso que seja por tanto o desinvestimento no desporto escolar e no futebol de rua estar morto.
offtopicguy93
Sou treinador do escalão traquinas de uma pequena cidade do interior com 20 mil pessoas onde há dois clubes de futebol com alguma tradição, e posso afirmar que este ano vai ser o ano com maior afluência no que toca ao futebol formação. Estes escalões mais jovens, tiveram sem treinar/competir cerca de ano e meio, não há esports que impeçam os meninos de voltar aos que tanto gostam!
Tenho falado com imensos treinadores de outras equipas e esperam muita adesão dos meninos também, eu espero um mínimo de 35 no meu escalão… algo inédito!
É verdade que houve desinvestimento no desporto escolar mas houve um maior apoio aos clubes!
O que desapareceu foi o futebol de rua, onde nasciam muitos craques…
Ricardo Lopes
Espero bem que sim! Com o Covid as crianças que gostam de futebol não o puderam praticar e é bom que esse “vício” seja fomentado e com o apoio dos pais. Neste momento acho que a maior problemática está na faixa dos 13,14,15 anos onde é essencial que exista o contacto com pessoas e com o desporto e acho que esses adolescentes sofreram bastante com a pandemia, vendo nas plataformas digitais um refúgio, mas claro que isto é a opinião do que vejo, não sou um especialista do tema!
Af2711
As crianças hoje estão mais preocupadas em reproduzir as fintas do FIFA do que propriamente o amor em si pelo jogo. Não veem futebol, falam de futebol em cima de highlights. Não muito tempo atrás víamos os jogos para debater na roda de amigos e hoje isso é uma atividade secundária para os jovens.
Entendo que são tempos distintos, mas especialmente na América do Sul nessa idade os miúdos preferem jogos online do que futebol com os amigos.
Winter
Bom texto que reflete num ponto interessante e importante para o futuro do futebol, ou de quem a ele assiste.
Já tive esta discussão com amigos no café, amigos esses com uma postura mais conservadora em relação ao futebol. Juram eles quase a pés juntos que o futebol não está em declínio, tendo quase uma postura negacionista quando lhes digo que os jovens não só não praticarem tanto futebol como dantes (aqui vou-me apenas cingir a este
desporto) como sobretudo, não ASSISTEM a futebol. Então e respondendo já aos “porquês” que daqui advêm, eu dou aqui a minha resposta: o futebol (e outros desportos) não têm a espetacularidade de outros tipos de entretenimento que existem
hoje em dia. Digo isto como alguém que cresceu a acompanhar e a praticar futebol de rua, quase todos os dias, e que ainda hoje em dia vê na TV sempre que pode, portanto considero a minha opinião completamente imparcial. O desporto estará sempre
limitado ao que o corpo humano consegue fazer, enquanto que nos conteúdos digitais (ex: e-sports) havendo a parte fantasiosa traz associada uma componente com muito mais espetacularidade para o espectador. Isto é apenas a evolução das coisas.
Outrora houve muitos desportos (já desde o tempo medieval) que foram morrendo até desaparecerem completamente. O futebol não morrerá mas está em declínio tendo o covid tido um papel de catalisador neste aspeto. Aliás, basta olhar para o número de clubes que existiam há 20 anos atrás (nós tinhamos 2ª divisão B com 4 séries, mais 3ª divisão com 7 ou 8 séries, e só depois as divisões distritais, vejam quantas séries de cada há agora). Dando assim uma “posta de pescada” diria que o futebol atravessa ou atravessou o seu pico de popularidade algures na década passada (a questão Ronaldo/Messi estar a acabar também não vai ajudar a atrair jovens).
Outro ponto interessante, o Ricardo dá o exemplo dos e-sports, o que concordo que seja conteúdo de mais “fácil” consumo para jovens, que estão altamente virados para consumo rápido, seja um video de 10 minutos do youtube, seja uma story no insta de alguem que seguem, seja um video de TikTok, etc. É-me completamente inconcebível que
alguém com menos de 25 anos hoje em dia, venha um dia a pagar algum canal para assistir a futebol, não consigo imaginar simplesmente. Nem a pagar nem a estar os 90 minutos a ver um jogo. Este canais são maioritariamente pagos por cafés/restaurantes e reformados (ou la perto), mesmo quando vou ver um jogo ao café sou dos mais novos lá e já sou trintão.
Lembro-me perfeitamente de ir ao café com os meus amigos quanto tinha uns 15 anos para assistir a jogos da primeira liga, hoje em dia se vir lá jovens dessa idade estão a olhar para o telemóvel infelizmente.
No entanto resalvo aqui que os e-sports (e atualmente eu já consumo bastante este
tipo de conteúdo) ainda não são nem de perto nem de longe uma “concorrência” de audiência. Aqui vai depender do que as fontes do capital (TVs, dinheiro dos Sheiks, etc) que existe no futebol farão com estas migrações de popularidade ao longo dos anos (se bem que a TV convencional tem os dias contados, mas isso são outros 500).
Acredito na ameaça que seja por ter uma audiência jovem, mas por enquanto é só isso,
e aqui também cabe às instituições adapatarem-se.
Por fim queria só dizer que tenho pesquisado bastante acerca de médias de idades dos
telespetadores que assistem a desportos na televisão (em parte por essas discussões que tenho com os “negacionistas” que dizem que o futebol não está a deixar de ser consumido) mas não é fácil encontrar tais dados, apenas encontrei uma tese feita nos EUA e de facto comprovam isso sendo que a média de idades dos telespetadores de futebol é de 39 lá, e cresce cerca de 1 ano por ano.
Ainda assim está muito melhor que o baseball cuja média é de 67 (são os EUA, eu sei que não é o melhor exemplo mas foi o que se arranjou para já).
Também seria interessante ver por exemplo a quantidade de jovens que entram nas escolas dos clubes de futebol e comparar ao longo dos anos.
Enfim, não comento muitas vezes aqui no blog apesar de ser um leitor assíduo, mas senti que tinha de dar a minha opinião por este ser um assunto do qual me considero informado e de ter uma opinião imparcial. Abraço a todos.
Ricardo Lopes
Comentário fantástico, dos melhores que já vi no VM, onde a maioria das pessoas sabe escrever sobre temas. Se não comentas muito, devias pensar em fazê-lo!! Em relação ao que dizes acabo por concordar em praticamente tudo, especialmente na parte de se pagar 25 euros para ver futebol. Além de ser um preço elevado, para se ver as ligas todas tem de se pagar muito mais o que acaba por afetar as finanças de casa. Se ainda houvessem programas de grande qualidade nesses canais com bons comentadores, mais interessados em falar em outros temas (é muito raro ouvir os especialistas falar de assuntos fora Primeira Liga, ou então apanho as transmissões nos tempos errados), talvez os 25 euros saíssem mais facilmente do bolso. Assim cada vez vão haver mais “Inácios”. Sou mais novo que tu, mas também te asseguro que sou o mais novo no café a ver o jogo (e o meu grupo de amigos). Essa cultura, infelizmente parece que está no seu fim…
Kafka
Excelente comentário Winter, também acho que o futebol já está a entrar entrou na sua fase descendente..
Diria que neste momento enquanto produto está num planalto mas que a partir de agora será sempre a descer, pois neste momento o futebol é essencialmente sustentado pelas pessoas com 30 anos ou mais de idade, ora a população Mundial com 30 anos ou mais de idade, ainda está em maioria no Planeta Terra e portanto o declínio do interesse no futebol ainda não é notória de forma significativa, mas dentro de 25/30 anos as pessoas que hoje têm 30 anos ou mais, nessa altura altura passarão a estar em minoria no Planeta Terra e aí a queda será bastante notória, pois quem actualmente tem 30 anos ou menos estará em maioria nessa altura e não terão a paixão e interesse pelo seu futebol que existência hoje
Claro que não acredito que o futebol irá acabar, simplesmente acho que não terá é o impacto mediático e consequente importância que lhe dá hoje, onde até chegam a abrir telejornais, há mil e um programas televisão etc etc….
Daqui a 50/60 anos a mesma notícia que hoje abre telejornais do Cristiano ir para o United e o Messi para o PSG…. Em 2080 eventualmente não passará de uma nota de rodapé a mudança de clube dos 2 melhores jogadores de futebol do Mundo em 2080
Tiago Silva
Obrigado pela contribuição Winter, penso que acrescentas-te certos pontos a esta discussão nas quais eu concordo. É triste os mais jovens estarem a desinteressar-se pelo desporto-rei e ainda mais pelos restantes desportos, mesmo por exemplo na NBA dão-se muito mais destaque a highlights e em idolatrar super estrelas do que o próprio jogo em si (percebo que a cultura deles é assim, sempre foi assim e confesso que acrescenta o tal espetáculo que referiste, o que me atrai também).
Agora os miúdos estão sempre mais interessados em imitar fintas do FIFA, danças do Fortnite e esse tipo de coisas, e são os que saem à rua para conviver. Como disseste, antes os jogos de futebol serviam como causa de debate, serviam para conviver e para juntar os amigos, isso tem-se perdido infelizmente. São outros tempos e é triste ver isto acontecer. Mas o futebol tem que se adaptar a esta evolução, acrescentar talvez alguma espectacularidade a mais para atrair o público mais jovem (o que até tem acontecido a espaços com os miúdos a quererem imitar o Ronaldo e o Messi, ou a quererem ser como o Mbappé ou o Haaland), mas deve ter em atenção a base do jogo que tanto nos atraiu no passado, porque quando isso morrer (e tem morrido aos poucos) o desporto irá morrer.
Um abraço e que continues a intervir no blog assim, obrigado.
João Ribeiro
Antes de mais dou os meu parabéns pelo comentário, acho que está bem defendida a opinião e bem argumentado, com nenhuma grunhice.
Apesar disso, e embora ache que haja um certo declínio de interesse no futebol, vou pegar no ponto em que refere que os jovens já não se juntam no café para assistir a um jogo de futebol. Acho que aí não é tanto pelo desinteresse no futebol mas numa certa divisão que se gerou na sociedade entre gerações. Os jovens hoje em dia não se querem juntar com pessoal mais velho e vice-versa, talvez fruto das redes sociais e das postas que os grunhos mandam cada vez que há notícias sobre um crime ou desacatos entre jovens, havendo muita tendência de se desvalorizar a juventude de agora e de gerar desconfiança sobre estes pelos mais velhos. Eu digo isto porque tenho amigos que frequentam ainda a universidade e/ou têm negócios colados à Universidade do Minho em Braga (mais propriamente cafés e bares) e lá na UM há um largo grande onde se concentram muitos bares e as noites mais lucrativas, de longe, para esses estabelecimentos são as noites de Liga dos Campeões, onde os jovens enchem por completo os estabelecimentos para assistirem aos jogos (é certo que pelo facto de na UM à quarta ser quarta académica ajuda, ainda assim os preparativos para a noite até poderia ser algo que os levasse a abdicar de ver a bola no café). Também, hoje em dia, os jovens já não se deslocam tanto ao café porque os seus pontos de convívio são diferentes do de antigamente, pelo que preferem ver um jogo em casa conectados por vídeo-chamada com os amigos ou através de mensagens no Messenger do que deslocarem-se a um café.
J Silver
Excelente comentário.
Acrescento que não me é estranho verificar esse declínio mesmo em pessoas da minha idade, já na casa dos 30. Tenho visto cada vez menos futebol e mais e-sports (um em específico) e acredito que muito se deve ao factor dinheiro. Não vou pagar SportTV nem Eleven (aliás nem tenho televisão) e a Twitch é de graça. Para além disso cada vez tenho menos paciência para ficar irritado com arbitragens e novelas.
Com isto quero dizer que não me parece só uma questão de mudanças na sociedade (papel da TV, desejo de consumo rápido de vídeos, etc) mas também de declínio da “magia” do futebol. Uma das coisas que apaixona os adeptos é a identificação com o clube e por arrasto com os símbolos do clube. Prefiro ver um ManU com Keane, Giggs e Scholes durante uma década, um Chelsea com Lampard, Terry e Drogba, um Liverpool com Gerrard e Carragher, uma Roma com Totti, uma Juve com Del Piero ou um Milan com Maldini. Penso que essas narrativas davam uma aura ao futebol que hoje quase não existe, devido à rapidez com que se trocam/despacham/transferem jogadores… e treinadores!
cards
Excelente texto.
Permita-me acrescentar que Flamengo nasceu para os jovens disputarem remo que na época era o desporto mais na moda no Rio de Janeiro daí o Nome do Clube ser Clube de Regatas do Flamengo os seus maiores Rivais Cariocas também têm origem em Desportos aquáticos o Botafogo Futebol e Regatas nasceu da União de um clube de futebol com um de remo, o Clube de Regatas Vasco da Gama, somente o Fluminense não está ligado ao remo Fluminense Football Club
Pedro Barbosa
Primeiro de tudo, parabéns pelo texto, que mais não seja, é uma carta dos teus sentimentos e experiências neste mundo nosso. Eu concordo e ao mesmo tempo não concordo com esses sentimentos. “A partir do momento em que as crianças voltem a ver como é divertido jogar uma partida, talvez volte a crescer a paixão que existia há 10 ou 20 anos atrás, …”. Acho que esta afirmação no fim demonstra mais um desejo conservador profundo teu do que qualquer ligação à realidade. O mundo não volta atrás 10 ou 20 anos – o que já foi já passou, é história. Eu considero que é negativo ficarmos presos a essa “história” pois nem ela voltará nem ela nos satisfaz para o nosso presente e futuro. O desenvolvimento social não é um “mau caminho”, é apenas ‘o caminho’, e o caminho faz-se caminhando.
Vivemos ao mesmo tempo mais interligados e mais isolados que nunca, por mais paradoxal que possa ser. As necessidades de competição, camaradagem e comunidade, que antes eram satisfeitas pelo desporto, hoje em dia têm muitas outras maneiras para serem satisfeitas, é aqui que penso estar o teu “problema” com o mundo actual. Mas isto acontece para tudo na vida, “nós” (em geral, falo neste caso das gerações a seguir ao 25 de Abril) também abandonamos muito daquilo que era “sagrado” para os nossos pais e avós. A sociedade não acabou. Transformou-se. O desporto, e o futebol, também não irão acabar.
Em relação ao exercício físico e aos aspectos ligados à saúde física e mental dos mais jovens, eu concordo com o espírito do texto, é uma preocupação de muita gente, incluindo minha (e ainda me considero jovem, atenção). Só pode partir primeiro de uma “instituição”, os pais, mas que é tão intersecional com toda a nossa sociedade que eu nem sei por onde começar para dar as ferramentas necessárias no sentido de mudarmos todo o paradigma. Parece uma tarefa tão hercúlea que me apetece logo desistir à partida. Não tenho grandes soluções mágicas (ninguém tem, diga-se) mas sejam quais elas forem, terão certamente que partir de cada um de nós, de como cada um de nós vive a nossa vida e passa o exemplo ao outro.
Posso apenas deixar uma mensagem, sejam ou continuem a ser activistas nas vossas causas, como eu sou nas minhas. Juntem-se a clubes ou grupos, pratiquem o desporto que gostem e convidem conhecidos a assistir e, quiçá, a também participar. O caminho faz-se caminhando.
Kille_2
O pior é quando se sente que as nossas pernas “em forma de metáfora” não parecem obedecer(ou obedecem insconcientemente) e não conseguimos caminhar esse caminho…