Cada semana ouvimos jogadores que estão no nosso futebol há vários anos e não fazem o mínimo esforço para falar português, sendo que isso até deveria ser uma preocupação dos próprios clubes. Mas, neste aspecto da comunicação, os balcânicos são um exemplo, já que aprendem um idioma estrangeiro com uma facilidade extraordinária.
No rescaldo da vitória do Sporting sobre o Rio Ave por 3-0, Gudelj foi à flash interview da Sport TV. Ora, o médio sérvio, que viveu alguns anos em Espanha, surpreendeu com o seu discurso efectuado num português de bastante bom nível, sobretudo se tivermos em consideração que só chegou a Alvalade no passado mês de Agosto.
Liga (28ª): Flash Interview N. Gudelj #LigaNOS #SCPRAFC
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26 Comentários
Kacal
Um exemplo, fantástico. Demonstra o profissional que é e se é assim na língua, acredito que seja nos treinos e daí ser sempre tão utilizado provavelmente, jogadores assim são bem-vindos num plantel e continuo a achar que o sérvio tem mais qualidade a oferecer e o Sporting devia manter no plantel na próxima época.
Tiago Silva
É bom ver o jogador esforçar-se para aprender a nossa Liga, mostra que está comprometido com o clube e que não o vê apenas como uma rampa para destinos maiores.
Ricardo Filipe Santana
Atenção que, o pai do Gudelj, jogou 3 anos em Espanha, e por esse motivo os filhos falam catalão.
SP91
Não deixa de ter mérito, tendo em conta o pouco esforço que os espanhóis/argentinos/etc fazem para falar português.
Nome sem Caracteres Ilegais
Bom para Gudelj, e acredito que se esforçe. Embora pareça existir realmente uma tendência para os povos balcânicos conseguirem falar português quase sem sotaque – vi há uns meses um coro de sérvios a cantarem Sérgio Godinho e era impressionante como soava muito parecido com o português! Por isso desconfio que há aqui qualquer coisa como uma componente genética em ação. Talvez tenham um palato de formato diferente, talvez cordas vocais especiais de corrida, não sei…
100Clubismo
Quando é que o Keizer começa a aprender português?
SportingSempre1906
Primeiro tem de aprender a falar inglês…
offtopicguy93
ahahah mesmo! ele nao conjuga os verbos em ingles, nota-se que tem alguma dificuldade em gesticular as palavras e consequentemente formar as frases de forma correta.
Joao Silvino
Grande Gudelj, só por isto podes ficar para o ano ehehe
Joga_Bonito
À parte a questão da capacidade individual de trabalho de cada um, que existe em qualquer pessoa que de qualquer origem, há também uma questão que é a riqueza fonética de certas línguas e o contexto educativo.
O Samaris, que também surpreendeu num excelente português, é grego, uma língua muito rica em sons. As línguas eslavas são também ricas em sons, aliado ao facto de alguns dizerem que até têm parecenças com o português.
Mas há a questão da educação nacional de cada país. Os americanos, que são o povo com a maior percentuagem actual de gente formada superiormente, têm fraco registo de línguas, devido à hegemonia cultural do inglês. Quem aí sabe línguas, sabe-as porque se esforça para tal, devido quiçá a um gosto em aprender, aliado a certas opções de carreira que exigem línguas. A maioria das pessoas que na América são bilingues são emigrantes que têm outras línguas maternas que não o inglês.
Os alemães e povos do Norte falam muito bem inglês, mas quase e só isso. Acho que nos Balcãs e ex-URSS, dado a pluralidade de povos quase toda a gente era poliglota.
Não alinho na ideia de aspectos culturais nesta questão, há sim aspectos contextuais do sistema de ensino de cada país.
Mesmo os chineses, cuja capacidade de trabalho é algo reconhecido por todos, falam suficiente português mas sempre com um sotaque muito arranhado. Há aspectos como a gramática e a fonética de cada língua que condicionam em muito a aprendizagem. A nossa língua é muito complexa para um inglês ou um chinês, cujas línguas têm estruturas simples gramaticalmente. Para os povos eslavos é ao contrário, a nossa é tão complexa como a deles. Daí eles falarem sempre muito bem. O Iordanov, o Stanisic nem dá para crer que são eslavos, parecem lusos autênticos.
O sistema de ensino brasileiro que não dá tanto enfoque a outras línguas (quiçá devido à hegemonia da Globo e das suas novelas na cultura nacional do Brasil) é um excelente sistema de comparação com o nosso. Nós falamos muito melhor inglês que os brasileiros, por conta do nosso sistema valorizar as línguas desde cedo e estarmos atolados de inglês por todo o lado.
Já a elite brasileira que tem acesso à melhor educação é um caso distinto.
Depois há uma coisa que convém nunca esquecer. Há jogadores tímidos, que têm medo de falar em público e que numa língua distinta ainda pior. Daí fugirem muito a falar noutra língua, porque se já lhes é difícil falar na sua, na dos outros é pior.
Contudo, apesar de discordar da teoria de alguns de que é tudo uma questão de esforço, acho que se deve encorajar esta aprendizagem. Só há a ganhar para os jogadores. Dá-lhes outra estabilidade emocional e quem sabe que portas têm abertas para trabalhar num futuro pós-futebol.
AlexanderSearch
Acrescento o facto de nós estarmos expostos a línguas estrangeiras desde cedo, visto que não dobramos a maior parte dos conteúdos, como os brasileiros ou espanhóis. Tal ficou a dever se a uma decisão política durante o estado novo. Num país predominante analfabeto, não dobrar os conteúdos e colocar legendas limitava a percentagem de pessoas que podiam ser expostas a influências que eram vistas como perniciosas. aliado à riqueza de sons e complexidade gramatical da língua, como já referido, há ainda o factor cultural, uma espécie de complexo de inferioridade. qualquer português vai a Espanha e tem a mania que fala espanhol, o reverso não. Os espanhóis e franceses, por exemplo, nas cimeiras internacionais falam sempre na língua materna. Não por desconhecimento do inglês, mas porque isso “obriga” o mundo a ouvir espanhol e francês
Joga_Bonito
Isso das dobragens é um grande debate, talvez interminável. Nas crianças, no que toca a desenhos animados entendo. Contudo, nos adultos sou a favor de traduções. Quanto mais não seja porque perde-se parte da beleza com as dobragens.
Hamukau
Eu por acaso aprendi grande parte do meu inglês a ver desenhos animados em inglês quando era miúdo, acho que nunca devia ser dublado.
Joga_Bonito
Essa é uma diferença entre nós e os nosso irmãos do Brasil. Eles dobram tudo e isso reflecte-se na capacidade de falar uma língua. Até concordo nas crianças, porque até aos 12 ou 13 anos não se domina uma língua escrita a ponto de se perceber uma série. Mas, se forem filmes ou algo do género para crianças e adolescentes a partir dos 13 anos já me parece lógico que traduzam
As dobragens brasileiras a Disney são óptimas e um clássico (achei um absurdo esta nova moda de refazer os clássicos com português de Portugal) mas a partir de produtos para maiores de 13 anos deve imperar as traduções. Até acho que favorecia a capacidade de ler dos jovens e a sua riqueza verbal.
JoaoMiguel96
Como estudante de russo e de chinês posso garantir isso a 100%. O russo tem uma multiplicidade de sons brutal, tendo até pronúncias e fonéticas chegadas ao Português. Por consequência, muitas das línguas eslavas também são assim. As balcânicas (apesar de não serem a minha área) são idênticas nesse sentido. Depois há a questão gramatical, ou seja, são línguas que têm gramáticas super estruturadas, complexas e com variações bastante grandes. Maior parte das línguas eslavas funcionam por casos (tipo alemão) e conseguem ser mais difíceis que a já difícil gramática tuga.
Já o chinês é totalmente diferente. Tem um fonética totalmente diferente, não tendo metade dos sons e combinações que o alfabético fonético contém. Depois, para além disso, tem uma gramática simples, sem tempos verbais , exceções ou casos. A construção frásica é muito básica e, como tal, torna a adaptação ao português muito difícil.
Depois, como dizes, há a questão da educação. Sendo nós, tal como os países dos Bálcãs e eslavos, países de emigração, temos por norma uma aprendizagem muito focada na língua estrangeira. Temos inglês até ao secundário, francês ou espanhol até ao 9° (depois, depende do curso) e temos sempre a necessidade de saber falar. Já por exemplo, os japoneses, têm o mesmo com inglês mas 90% deles nunca precisa da língua pois não vai sair do país.
Joga_Bonito
Obrigado pelo acréscimo de informações.
Antonio Pinheiro de Campos
Sublime. É de enaltecer este tipo de comentários. Muito obrigado a ambos os users!
Filipe22
Excelente comentário, muito obrigado. Aprende-se sempre algo no VM todos os dias
Valderrama
Totalmente de acordo. Acrescento só um outro exemplo para além dos norte americanos de que já falou. Os povos cuja língua mãe é o castelhano, não só têm um contexto em que ouvem muito pouco outras línguas como a própria fonética não é facilitadora para dominar outros idiomas. Por exemplo enquanto que em português as nossas cinco vogais isoladas podem corresponder a dez sons distintos, em espanhol as mesmas cinco vogais correspondem apenas a cinco sons. De facto é muito fácil bater no “preguiçoso” sul-americano ou espanhol e exaltar o “trabalhador” grego ou balcânico mas às vezes é importante procurar uma causa para as coisas.
Joga_Bonito
Sem dúvida.
Joao X
Incrível! Como é que eles aprendem tão rápido??
Rodrigo Ferreira
Um exemplo, de facto. Os futebolistas da Europa Central e de Leste fazem este esforço, sendo que os balcânicos são realmente um exemplo. Contudo, Gudelj tem sido uma decepção e no Verão deve sair, a menos que aquela cláusula obrigatória que se falou seja uma realidade.
Mike90
Saudades daquele Lopetegui que ainda dizia Oporto depois de morar dois anos em Portugal.
Joga_Bonito
O Lopetegui achava que era muito culto porque ao que parece sabe latim. E nem se dá ao trabalho de saber o nome da cidade dito pelos locais.
Mike90
Para minha infelicidade a única coisa em que ele é culto, e em destruir equipas de futebol
Antonio Clismo
Boa atitude mas não chega para o sporting comprar o seu passe. Não é jogador para o sporting. Talvez para um braga ou vitória de guimarães