O brasileiro, que na época passada era opção regular, pouco tinha sido utilizado até aqui, mas nas últimas duas jornadas fez três golos, sendo que hoje bisou, criou vários desequilíbrios e garantiu o triunfo a um Portimonense que começa a intrometer-se na luta pela Europa. Por outro lado, o Boavista, que denota muitas fragilidades e pareceu excessivamente intranquilo (o erro de Gonçalo Cardoso que origina o 1-0 é sintomático) averbou a terceira derrota consecutiva e viu o D. Aves reduzir a distância. Quanto ao Rio Ave, ainda não foi desta que Daniel Ramos venceu, ao passo que o Feirense continua em zona de despromoção e sem vencer para o campeonato desde a 2.ª jornada.
O Portimonense foi ao Bessa vencer por 2-0, agudizando a crise do Boavista, que tem agora a zona de despromoção a apenas um ponto de distância. Wellington Carvalho foi a grande figura do encontro ao apontar os dois golos dos algarvios. Por outro lado, o Rio Ave, que não contou com Galeno e Matheus Reis, não saiu do nulo em casa com o Feirense, sendo que Léo Jardim até evitou um resultado pior.


5 Comentários
Dracarys
Muito mérito para Folha. Tiveram um início de época complicado (onde se começou logo, à boa moda portuguesa, a pôr em causa a sua qualidade como treinador, dizendo até que só tinha aquele cargo porque o Porto é que o colocou em Portimão), mas acreditou na sua forma de jogar e agora estão na luta pela Europa. Uma lição também para muitos dirigentes em Portugal, é preciso ter paciência.
Rodrigo Ferreira
Gostei de ver este Wellington no ano passado e não percebia porque nem entrava, mesmo tendo em conta que havia Nakajima, Tabata, Paulinho e Ewerton. Tem qualidade para fazer estragos, estando no 11 ou saltando no banco. Pensei que não jogasse pela questão contratual, visto que o seu vínculo acaba em 2019, mas agora já foi opção. Não sei se pelas ausências todas, mas a bom tempo Folha se socorreu dele nestas últimas 2 jornadas. Não vai ser fácil lutar pelo 5.º com o Vitória e mesmo o Belenenses SAD, sobretudo pelas saídas, mas o Portimonense vai andar lá perto.
Quanto ao Boavista, é difícil pedir mais a Jorge Simão. O plantel é muito limitado e com a saída de David Simão e lesão do Rochinha ainda parece pior. Ainda assim, algumas opções fazem-me impressão. Rafael Lopes tem lugar cativo e é medíocre, Tahar podia jogar no miolo e mesmo este Samu penso que podia ser útil pois parece ter alguma técnica. É preciso testar outro tipo de soluções, mesmo sabendo que o que há é curto. Por outro lado, o eixo defensivo continua a ser um problema. Não há um central de jeito no plantel.
No outro jogo, que vi apenas a espaços, pareceu-me que o Léo Jardim safou de boa o Rio Ave, embora o guardião contrário tenha evitado o golo ao Rio Ave perto do fim e Buatu também pudesse ter marcado. Sem Galeno o Rio Ave perde capacidade de desequilíbrio, mas nem tudo passa por aí. A equipa não está com a mesma dinâmica e isso terá de passar pelo treinador parece-me. É incompreensível passar-se de José Gomes para Daniel Ramos. Não faz sentido. Contudo, é algo habitual em Portugal. Não há projectos e ninguém escolhe treinadores pelo seu perfil futebolístico.
Já o Feirense continua a fazer um campeonato muito fraco depois do arranque excelente, onde, imagine-se, podia ser líder na 3.ª ronda. Manta Santos, ainda assim, tem crédito e parece seguro, de tal forma que a direcção tem estado empenhada em reforçar o plantel. Hoje com Tiago Silva em campo a música já foi outra. Valencia também me parece cada vez melhor e cria desequilíbrios. Falta agora recuperar Machado para o flanco esquerdo e ver se Steven consegue começar a marcar ou se será mais uma aposta falhada.
Dracarys
Acho essa crítica ao Rio Ave e a sua suposta falta de projeto desportivo algo injusta. Antes de Daniel Ramos (cujos trabalhos anteriores à sua passagem pelo Marítimo não conheço, mas já vi alguns users dizer que as suas equipas jogavam bom futebol) o Rio Ave teve Luís Castro, Miguel Cardoso e José Gomes. 3 treinadores que se destacaram em Vila do Conde pela qualidade dos seus processos ofensivos e qualidade geral do seu futebol (salvo um ou outro defeito nos modelos).
Não me parece um clube sem um projeto desportivo, mas sim um clube que tem identificado o género de técnico que pretende para praticar um futebol que agrada aos seus adeptos.
Rodrigo Ferreira
Quando mudas de um técnico desse perfil para outro sem nada a ver quando estás numa boa classificação é porque não tens projecto e compras pelo nome ou resultados que teve. Como é que identificou um género se não tem nada a ver com o Zé Gomes?
Dracarys
A mudança de técnicos não fazia parte dos planos do Rio Ave, foi algo que simplesmente aconteceu, e que forçou o clube a procurar um treinador de qualidade que estivesse livre, o que nesta fase da época não é fácil. Eu também não sou fã da escolha, mas não acho que é este hipotético “erro de casting” (ainda é cedo para se poder dizer se se confirma esse cenário) que deve manchar aquilo que tem sido o projeto desportivo vilacondense, que tem vindo a solidificar o Rio Ave como uma equipa que luta pela Europa.