Após meses de novela, horas e horas de cobertura televisiva, milhares de tweets, centenas de lives e posts do Fabrizio Romano, o emissário de agentes de futebol mais bem pago do mundo, Viktor Gyokeres cumpriu finalmente o sonho de se juntar ao Arsenal. É assim o culminar de um processo que desgastou bastante não só os adeptos do Sporting, como a imagem do sueco junto dos mesmos.
É, no final do dia, mais um jogador adorado pelos adeptos leoninos que acaba por ter uma saída infeliz. Acompanho futebol há cerca de 20 anos, e nesse período, assim de cabeça, já assisti às saídas de Tello, Moutinho, Carrillo, Carlos Martins, Izmailov, João Mário. Vi Liedson, o meu maior ídolo de infância, ir para o FC Porto.
Todos estes episódios fizeram com que se instalasse uma máxima juntos de vários sportinguistas: zero ídolos! Uma máxima na qual não me revejo minimamente. Ídolos é o que faz as crianças apaixonarem-se por futebol, o que traz magia ao jogo. Com as desilusões e amargos que podem causar certas saídas, convive a fantasia, os golos aos 90+3, os heróis de Alkmaar, os golaços de Edu Quaresma que valem campeonatos, os calcanhares do Xandão, as bicicletas do Tiúi, os livres a 222 km/h do Ronny, a influência nos títulos conquistados. Estes ídolos facilitam a passagem do clubismo de geração em geração, desenvolvem a ligação emocional ao jogo. Sem ídolos, o futebol é tática e estatística. Estes são peça chave da emoção, identidade e memória.
Cabe depois aos ídolos, que não devem ser zero, não serem eles mesmo uns “zeros”. Viktor Gyokeres, o melhor jogador que eu vi a jogar pelo meu clube, foi um zero. Foi um zero porque se deixou manipular pelo agente. Foi um zero porque se esqueceu da aposta que foi feita nele, que nem sabia o que era jogar regularmente numa primeira divisão, quanto mais na Liga dos Campeões. Foi um zero porque deu muito, mas recebeu muito. Foi um zero porque existem maneiras de fazer as coisas. Hoje, deve tapar a cara com a sua máscara, mas de vergonha. Como é um zero, não o vai fazer.
Continuarei a ter os meus ídolos. Continuarei a comprar camisolas com o nome de jogadores nas costas. No final do dia, somos nós, adeptos, mas também eles que fazem o clube. Conrad Harder, Luis Suarez, quem for. Sejam um ídolo, mas não se tornem num zero. Porque dos zeros, fica uma lembrança agridoce. O Sporting tem vários ídolos: Nani, Coates, Bruno Fernandes, Hjulmand, Nuno Mendes, Pedro Porro, Matheus Nunes, entre muitos outros. Viktor podias ser o melhor deles todos. Mas és um zero.
Visão do Leitor: Manuel Abecassis


22 Comentários
ManuelFAlbuquerque_
Coloco-me na posição do Gyokeres, jogou limitado fisicamente para dar o título ao Sporting e estava a ver o caso complicado para ir para o campeonato dos seus sonhos.
Pensaria e pensarei o mesmo se acontecer o mesmo com um jogador do United.
Não tenho ídolos no futebol, tenho apreço por atletas que deram tudo pelo United.
Ídolo é palavra muito forte, vem sempre à cabeça alguém a lamber os pés ao idolatrado.
Quando um jogador joga fisicamente limitado isso até pode colocar em risco o seu futuro profissional. Se as pessoas não valorizam isso então hey não sei o que poderão valorizar.
Gyokeres foi muito honesto, não quero ficar no Sporting, não tenho cabeça para estar no Sporting, nem vale a pena treinarem comigo e taparem um Harder na pré época.
Não acho que ele tenha literalmente defecado na cabeça dos sportinguistas e das viúvas, mas respeito quem pense assim.
Mas por esse razão então também deveriam não aceitar jogadores que também façam esse tipo de pressão para jogar no Sporting e sabemos que não é isso que normalmente acontece.
Hey pimenta no traseiro dos outros é refresco. E é, mas depois parecem maluquinhos a exigir o que não dão.
Se o Bruno Fernandes fizesse o mesmo por querer milhões da Arábia eu iria perceber perfeitamente.
Stromp1906
Num clube que no pior período da sua história, foram os jogadores da casa os primeiros a abandonar o barco, torna esta birra do Gyokeres em algo que pouco ou nada me afecta. Se houve algo positivo a retirar do ataque á Academia foi exactamente isso, que os jogadores confundem dirigentes com o próprio clube e os seus adeptos, daí o surgimento do “zero ídolos”.
Gyokeres tinha-se apresentado, ficava na academia com um plano de trabalho específico, as coisas tinham-se resolvido da mesma forma, e saía como ídolo, assim sai apenas como mais um (um craque absoluto dentro de campo, mas apenas mais um fora dele). Não foi o primeiro, nem será o último.
SL
Paulo Roberto Falcao
Condenar os tontinhos da Juve Leo pelo dia mais negro da nossa história, isso é que não…
Brunélias… Ainda andam por aí…
Francisco Ramos
E mais um aparte, Gyokeres nunca falou mal do Sporting em público!
Mantorras
É dificil nao misturar o sucesso do Sporting com o sucesso do Gyokeres estes ultimos anos, assim como de alguma forma tambem ficaram ligados a Amorim e a Hugo Viana. Quanto a ser idolo, vendo onde chegou o festejo da mascara, quer em Portugal (farto-me de o ver ca em casa), quer la fora, da para entender que se tornou um idolo de muitos, mesmo que para alguns tenha deixado de o ser, pela forma como fechou o seu ciclo. O tempo apaga a maior dessas coisas, e tambem nao sabemos ao certo o que se passou nos bastidores, o que foi dito e prometido, etc. A verdade é que sempre que entrou em campo representou o Sporting como poucos.
Fireball
Nunca vou apoiar um jogador que falta a treinos para forçar a saída. Se queres sair, pressionas a direção, mas NUNCA deixas de ser profissional e cumprir a tua obrigação. Para mim, enquanto adepto rival, o Gyokeres perdeu aí toda a razão. Imaginando casos nos meus clubes, é diferente um Maxi Pereira não renovar para ir para o Porto ou um Di Maria não renovar para voltar a Argentina. É diferente um Gaitán querer sair para o Atlético e dar tudo no Benfica até ao dia em que vai embora ou um Enzo Fernandez faltar a treinos para sair para o Chelsea. É diferente um Luis Diaz ou um Sadio Mané que querem sair do Liverpool e explorar outros desafios e esperam que a transferência seja boa para todos, e um Trent que faz um acordo pelas costas para não renovar e lesar o clube que o formou. É diferente um Coutinho que falta a treinos e finge lesões para sair para o Barça, ou um Suárez que depois de tentar o mesmo, voltou atrás, vestiu a camisola, deu o seu melhor, chorou quando não conseguiu vencer, e saiu a bem quando uma proposta apareceu que agradasse a todos. É sempre sobre a forma como o fazes. É isso que conta.
Paulo Roberto Falcao
Totalmente de acordo, é isso mesmo. Chama-se profissionalismo, uns têm e outros não.
lipe
Sem ofensa, mas que idade terá o autor do texto?
Como diz, e bem, ídolos são para as crianças.
Tenho uma quantidade francamente doentia de camisolas do Braga; nenhuma tem um nome às costas, porque o mais importante é o símbolo bordado ao peito.
Do clube gostamos nós, incondicionalmente. Jogadores vão e vêm.
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Em relação ao caso concreto: um pequeno número de pessoas saberá efetivamente o que se passou, o que foi prometido e o que não foi cumprido.
Diz-se muita coisa, e como sempre, a verdade estará algures no meio. Nem Gyokeres é um vilão, um zero, um ingrato, nem o Varandas é um irredutível defensor dos interesses do Sporting; a realidade é geralmente mais complexa que isso.
Mike-UK
Se escrevi aqui “zero ídolos” quando há um ano o Coates saiu, ainda mais facilmente o escrevo agora.
Não há nenhum atleta acima do clube, seja no futebol, seja no chinquilho – e, não há nenhum atleta maior do que o clube. Que valha mais enquanto nome do que o clube enquanto instituição. Pelo menos no Sporting.
Se um dia aparecer algum, talvez lhe façamos uma estátua.
Kacal
Como já disse antes, se Varandas lhe prometeu que deixava sair este Verão dentro de x valores e ficou acordado, a palavra para mim vale muito, chegando o Verão já recuou e queria mais, aí fico do lado de Gyokeres. Se o Sueco meteu na cabeça que tinha que sair este Verão e mais nada, que queria o Arsenal e mais nada, dando a entender ao agente que falou com o Arsenal e assim deu vantagem a eles de negociar como queriam forçando o Sporting a uma venda enquanto próprio Gyokeres se recusava a apresentar-se ao trabalho, então fico do lado do Sporting. Mas eu não tenho informações especiais e não posso julgar ninguém, agora que isto desgasta muito a imagem de ambos os lados e ninguém sai a ganhar, sem dúvida. E acaba por influenciar a admiração que temos pelo jogador de forma negativa, por mim falo tambem claro. Todos acabamos um pouco influenciados. Mas é o que é. Cada um segue o seu caminho e pronto. Que tenha sucesso e sorte no Arsenal é o que desejo! De resto que bom que saiu do ponto de vista de adepto rival porque ele era “cheat code” e sem ele a balança fica mais equilibrada!
slipkorn
À coisas estranhas, mas claramente não foi o Gyokeres!.
Como é que foi mesmo que ele se portou e as ações que teve/fez para vir da 2ª liga Inglesa para o vosso clube?
Acham mesmo, e comparando para o “comum mortal”, quem trai um vez não vai voltar a trair?
Ídolos no futebol? cada um terá os seus, a titulo de exemplo um dos meus maiores foi escorraçado pelo então presidente do meu clube para ir para o teu. JVP era o seu nome, que ironia das ironias até foi o “pai” do titulo vosso, junto com o “filho” Jardel…
Paulo Roberto Falcao
Desculpa dizer-te, mas os verdadeiros ídolos do Sporting são outros. Peyroteu, Travassos, Jesus Correia, Albano, Martins, José Carlos, Osvaldo Silva, Yazalde, Keita, Damas, Jordão, Manuel Fernandes… O último desta espécie chamou-se Oceano Cruz, e depois dele veio o dinheiro estragar tudo. O problema não é do Sporting, é do futebol. E é do pouco que significa o futebol português no mercado global.
O Gyokeres foi um javardo, e portou-se como um sujeito sem valores, não me venham com tangas. Pode ter sido tudo o que foi, mas foi indecente a forma como saiu, chantageou o clube e não nos respeitou. Ponto final, não quero voltar a pensar nele.
Stravinsky
Concordo com a questão dos “zero ídolos” porque já vimos montes de casos que nos abriram os olhos para esta situação (seja no desporto ou noutras áreas).
Mas discordo que o o Gyokeres seja o motivo para agora virmos para aqui falar de “zero ídolos”.
Sim, podia ter-se portado melhor nestas semanas, mas não é caso para tanto.
Foi sempre profissional e deu tudo quando entrou em campo e foi-lhe prometido que sairia para um grande clube. Pronto.
Nickles
Percebo a mágoa.
Tive apenas um ídolo no futebol que foi o Simão Sabrosa. Foi o melhor jogador – e capitão – do Benfica quando comecei a ver futebol. Numa altura em que ganhávamos muito perto de zero, o Simão era dos poucos que conseguia dar algumas alegrias de maneira consistente num clube que, apesar de toda a grandeza e história, era a realidade que conhecia.Tinha posters dele no quarto, para além do seu livro que li múltiplas vezes (era curto, de leitura fácil e com bastantes imagens).
Lembro-me do dia em que foi vendido ao Atlético, era eu miúdo, e foi um baque tremendo. Estava com a minha mãe, íamos comprar fruta, e passámos por uma papelaria onde estava na entrada um expositor de jornais com A Bola e a noticia da venda em destaque. Não me lembro se chorei ou se fiquei simplesmente em choque, mas foi bastante pesado. Talvez por ai, por não querer voltar a passar por algo semelhante, criei anticorpos a possíveis futuras idolatrias e nunca mais senti algo por um jogador como senti pelo Simão. Já gostei muito de jogadores como o Jonas, o Félix ou o Neves, mas nunca chegou perto daquele sentimento que tive em miudo
Valderrama
Percebo melhor o azedume de tantos comentários.
Não obstante ser um craque aqui no tugão, ter como ídolo o transmontano com sotaque da linha que fez birra quando os colegas não lhe deram a braçadeira não deve ser fácil.
Força nisso!
Nickles
Obrigado Valderrama. Um abraço
Saito Yoru
Futebol e uma coisa engraçada, eu “detesto” o Simão, por ser um ídolo do Benfica. Futebol é a melhor parvoíce do mundo!
O Comendador
É mais ou menos isso. Futebol, religião e política dificilmente serão racionais e haverão sempre ídolos.
Acosta, apesar da breve passagem ainda entra pela porta principal e o estádio aplaude-o de pé. Liedson se quiser vá ao Dragão ser aplaudido. É o que acontece aos ídolos… 🤷🏻♂️
SL
Neville Longbottom
É óbvio que os ídolos contam muito. O Sporting é grande não por si mas pelas pessoas que o fizeram grande. Por isso é evidente que não é zero ídolos. Há pessoas que são do Sporting por causa do Peyroteo, do Jordão, do Manuel Fernandes ou do Balakov (este último é saudado por tanta e tanta gente apesar do parco sucesso que o clube teve com ele nos quadros). E outros como Szabo ou João Rocha. E quem ainda se lembrar de Alvalade ou de Stromp também os guarda com saudade.
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É quase como ser patriota mas dizer: “Afonso Henriques? Camões? D. Nuno Álvares? Vasco da Gama, Cabral ou Pessoa? Não, pá. Indiferente, eu gosto é de Portugal”. Fará sentido para alguns, para mim não.
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Acho incrível que as pessoas se apaixonem pelo Simão, pelo Moutinho, pelo Liedson e que se desiludam. Faz parte da magia do futebol. E por muito que o Victor tenha nos tenha desiludido a todos, estou mortinho por me apaixonar pelo Suarez ou pelo Ricardo Mangas, mesmo sabendo que me vou desiludir outra vez. O coração vai ficando vacinado a medida que crescemos e à medida que formos metendo na cabeça que o Sporting é para o Gyokeres aquilo que o meu empregador é para mim: uma entidade que me permite, em primeiro lugar, sobreviver e, em segundo lugar, um meio para eu me catapultar profissionalmente. Sei perfeitamente que o futebol traz emoções que uma empresa não traz, mas para um profissional não passa disso.
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Ídolos tive muitos. Uns ainda os tenho. Outros fui perdendo. Espero que sejam todos felizes, mas esses “outros” que sigam o seu caminho e nós que sigamos o nosso.
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Sporting sempre (e com ídolos).
Francisco Ramos
A minha questão, de quem não sabe o que vai lá dentro e não o que é dito para fora, é Gyokeres deve muito ao Sporting mas não deve também muito este ao sueco?
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Esta foi a melhor contratação do Porto tal o nível que desnivelada a balança pelo que estou satisfeito que tenha saído mas parece que a culpa está toda nele e no agente quando a realidada mostrou também um presidente (que eu desgosto como pessoa, é daqueles que só manda papaias na mó de cima) que sofreu ele na pele aquilo que também faz a outros e não é nenhuma virgem neste assunto.
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Têm a palavra os sportinguistas mas visto de fora há muita coisa mal contada.
DNowitzki
Eu tenho ídolos: Torga, Pessoa, Camões, Basco da Gama, D. João II, Nuno Álvares Pereira, Da Vinci, Toni, Zico, Eusébio, Kandinsky, o meu pai e a minha mãe sobretudo.
Não sou é cego e acéfalo, pois percebo que são seres imperfeitos como todos, não obstante as suas qualidades.
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Sobre o sueco, é interessante quando faz força para sair da segunda liga inglesa e vir para o Sporting. Que herói! Quando aplica uma chapa semelhante por cá, traidor, zero ídolos… O ser humano é muito pouco direito em termos de postura perante as coisas.
justocomentador
Cada um com a sua, mas acho que tambem so ouvimos uma parte da historia e tambem foste influenciado pelo que leste nos media. Nao sabes o que se passou atras dos bastidores.
Eu nao discordo que o avançado poderia ter-se apresentado, sabendo que queria sair, mas sinceramente quantos futebolistas fizeram igual nos ultimos anos? Tantos. Ja se sabe que quando se quer sair do clube, é fazer birra.
Sinceramente nao acho que o Gyo seja diferente dos outros. E falaste de Nani, Coates, B Fernandes etc, mas foi porque correu bem. Se o B Fernandes quissesse sair do United, ias ver se nao se ia fugir e nao apresentar. Hjulmand igual, no proximo ano se houver assim uma palavra de honra de deixar sair, tambem vai ser igual, vais ver.
Eu nao concordo de todo com o comportamente, mas isto e um texto exagerado de todo, e como digo, so ouvimos uma parte que falou. Nunca ouvimos o Gyo a falar da parte dele, so ouvimos um Presidente, as redes sociais, o Fabrizio, etc etc. E para mim ha varias historias mal contadas e tambem duvido que isto e tudo so bem feito do nosso lado. Tambem acho que o Presidente puxou (e bem) os interesses do Sporting sabendo que se calhar podia puxar o Arsenal pelo desespero deles.