Momento histórico para o futebol português. Arranca o projecto de profissionalização da arbitragem, há muito defendida pela classe. Os internacionais Olegário Benquerença, Pedro Proença, Duarte Gomes, Jorge Sousa, Carlos Xistra, Artur Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Marco Ferreira são os pioneiros do projecto, que termina em Maio do próximo ano, data em que será alargado a mais árbitros, e a assistentes. A remuneração mensal será de pelo menos 2500€ brutos, à qual se junta prémios de jogo e bónus por desempenho.
É uma medida que faz sentido, pois no futebol moderno, do jogador ao massagista, todos são profissionais. O árbitro, que tem papel preponderante no decorrer de um jogo, deve ter as condições para assumir por inteiro uma profissão, de modo a que, tal como os restantes intervenientes (jogadores e treinadores) possa pensar e viver o futebol a 100%. Financeiramente, os retornos são atractivos (a isto juntam-se competições europeias, bem pagas), e se no futebol moderno 2500€ são “peanuts”, por outro lado considerando a crise que atravessa o país, estes valores não são de todo de desprezar, bem pelo contrário. Mas afinal o que muda? Vítor Pereira já avisou que os erros continuarão a acontecer. Afinal, a visão periférica não aumenta proporcionalmente ao profissionalismo. Haverá mais e melhor preparação física, quiçá estágios, mas as qualidades, habilidades e defeitos de cada árbitro continuam lá. Por outro lado, fica-se na dúvida como será feita a gestão das nomeações. Agora que são todos “profissionais”, haverá uns mais que outros? Continuarão os clubes a conseguir vetar nomes que lhes são pouco queridos, e os casos mais mediaticamente negativos serão empurrados para a Jarra. E a gestão global, como funciona? O ano passado foi visível que toda a política de nomeações apontou para que Pedro Proença apitasse o jogo decisivo no Dragão. E depois há… o depois. O acesso aos diferentes escalões será feito pela classificação, ou apenas pelos anos de serviço? As classificações são, e serão o elefante na sala no que se refere à arbitragem. Mais do que no relvado, é posteriormente que o árbitro define a sua carreira, pois a sua evolução, ou não, depende da avaliação de indivíduos que, ao contrário dos homens do apito, estão fora do circuito mediático e cujas habilitações nos são desconhecidas. Longe do escrutínio, estas pessoas têm a capacidade de gerir carreiras, de definir quem sobe (quanto mais se sobe, melhores são os retornos ou quem desce. E por último, o que é previsto acontecer a profissionais que se “esqueçam” de colocar nos relatórios factos menos abonatórios para algumas das partes envolvidas, e que comprovadamente presenciaram? Há punições, financeiras ou outras? Ou estes acontecimentos, cada vez mais repetidos (ou pelo menos mais visíveis, agora que cada jogo é transmitido por dezenas de câmaras), entram na categoria dos “erros humanos”? São questões pertinentes, e às quais os dirigentes não deram resposta. Talvez porque não lhes interesse. E talvez também não interesse ao adeptos, mais disposto a discutir a intensidade do penalty ou o ângulo da linha de fora de jogo imaginária, do que estes pontos.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Nuno Ranito



19 Comentários
Rui Miguel Ribeiro
Expectativas? Zero. Os incompetentes continuarão a ser incompetentes e os que usam de má-fé também continuarão a faze-lo. A profissionalização é um logro e um desperdício de dinheiro. Mesmo não sendo profissionais já ganham demais.
Bruno
Se a coisa for feita como acredito que vai ser, às três pancadas, não vai mudar nada. Vamos passar a ter árbitros profissionais incompetentes e desonestos.
Os pioneiros/cobaias vão ser Olegário Benquerença, Pedro Proença, Duarte Gomes, Jorge Sousa, Carlos Xistra, Artur Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Marco Ferreira.. está lista mete medo. São estes que nós vamos profissionalizar, muito bem. É a elite do futebol Português. O menos mau de todos, como tenho dito, é o Artur Soares Dias.
O post toca num ponto interessante, que é no que toca a quem atribui as classificações. Eu dou uma pista, é uma pessoa de idade perita em Photoshop.:)
Estou também curioso para ver os castigos aplicados a estes profissionais da arbitragem.
SL!
Ruben Pinheiro
Óptimo artigo. Concerteza que muitas das questões levantadas estarão regulamentadas ou irão estar no futuro. Um dos maiores cancros do futebol Português é a "obscuridade" dos observadores, mas felizmente que as rápidas progressões de carreira à lá` Brunos Paixões já não são tão frequentes
Saiyan
Concordo com a profissionalização dos árbitros mas ainda concordo mais que também sejam penalizados. Tal como qualquer ser humano se errar é penalizado com os árbitros devia acontecer o mesmo. Deviam obter todos uma nota mínima nos jogos para não serem penalizados, por exemplo.
André Raio
E porque não um intercâmbio internacional de árbitros? Os melhores de cada país a arbitrar noutros países, por exemplo: durante uma época, árbitros ingleses cá, árbitros portugueses em Inglaterra, etc etc. Partindo do factor que não haveria preferências clubísticas, a arbitragem seria mais imparcial e o factor experiência (diferentes estádios, diferente futebol, etc etc) iria pesar muito mais! Ok, os subornos iriam continuar a existir. Sempre existirão… mas afinal de contas só no rugby, o desporto com mais regras do mundo, é que não há maneira de haver "aldrabice". Voltando ao tema do post, gostaria de saber se poderia existir, após uma época para o campeonato/taças um penalizar dos senhores do apito (após uma observação cuidada e imparcial dos erros dos mesmos), por exemplo: um árbitro que dá mais de "x" erros durante essa mesma época, ser relegado para divisões inferiores até cumprir um mínimo de épocas aceitáveis e ascender novamente ao topo do futebol português.
MosqueteiroSLB
por um lado e uma excelente ideia. os arbitros vao sem influencias. por outro lado, nao sei ate que ponto os arbitros estao dispostos a passar 1 ano fora. e depois ha os salarios, nao sao iguais em todos os paises
João Lains
Em que aspecto é que a profissionalização pode ajudar um árbitro a cometer menos erros de julgamento? Situações concretas do próprio jogo? Alguém é capaz de me esclarecer e dar alguns exemplos?
Jorge Faria
É uma excelente questão, a qual eu infelizmente não lhe sei dar resposta. A minha maior esperança é que os árbitros, enquanto profissionais, possam dedicar mais tempo à modalidade, tendo assim mais tempo de treino, melhor formação técnica, melhor preparação física, eventualmente testes oftalmológicos o que permitiria diminuir a quantidade e gravidade dos erros em geral.
O problema em tudo isto que afirmei, é que se calhar estou a sonhar alto demais e as coisas vão continuar sem melhorias significativas.
André Sousa
Simplesmente não vai ajudar João.
Esta questão da profissionalização não é mais do que mandar areia para os olhos das pessoas, para se poder dizer que estão preocupados em melhorar a arbitragem.
Efeitos práticos: nenhum.
João Lains
O meu medo é que esta profissionalização não traga melhorias significativas à arbitragem. Os homens do apito estarão melhor preparados fisicamente, mas as leis do jogo, eles já as conhecem e continuarão a julgar os lances da mesma forma. Isto será apenas mais um pretexto para todos nós cairmos em cima dos árbitros ao primeiro erro que eles cometam, porque aí já estamos livres para lhes apontar o dedo pelo que quer que seja, porque além de serem profissionais e se dedicarem em exclusivo a esta actividade, esta sempre foi uma medida sugerida por eles próprios. Só que aquilo que eles pensavam ser uma defesa para eles, funcionará provavelmente ao contrário.
Rui Miguel Ribeiro
Nem mais João Lains! Eles têm é de ser responsabilizados e seriamente penalizados pelos erros grosseiros que cometam. Aí sim, talvez se vejam diferenças.
bibooporto
só de ouvir Capela e Profissionalisacao até me da vomitos…
Os unicos arbitros com qualidade em Portugal sao Pedro Proenca e Carlos Xistra… o resto é entulho
Ricardo Ricard
Logicamente que para alguém com um nick desses o Proença tem qualidade,principalmente nos jogos do teu clube com o Benfica.
Rui Miguel Ribeiro
E o mesmo se pode dizer do Xistra. Mas de certeza que no íntimo há mais alguns de quem gosta…
Bruno
bibooporto, você quando quer, até sabe dar uns toques com figuras de estilo.
gtm95scp
pois como o VM pois as questões e bem a questão central é a seguinte, porque tanto secretismo e falta de transparencia quanto ao observadores e avaliadores?
uma sugestao porque as nomeçoes nao sao feitas por uma maquina tipo euromilhoes. por exemplo para o benfica sporting punham quatro arbitros e tiravam à sorte(proença, artur soares-dias, hugo miguel, e marco ferreira) depois para o próximo jogo mas com um grau de dificuldade inferior iam os tres arbitros que nao fora nomeados mais outro arbitro e assim sucessivamente por grau de dificuldade decrescente do jogo e de qualidade do arbitro, assim aliava-se o factor humano a alguma isenção
Pedro
Proença considera salário de 2500 euros «baixo»
O árbitro internacional português é um dos elementos integrados no lote de juízes que serão profissionais.
Proença considera salário de 2500 euros «baixo»
Pedro Proença manifestou este sábado algumas reservas aos moldes da profissionalização da arbitragem portuguesa, nomeadamente a nível salarial, onde ficou definido um valor de 2500 euros mensais.
Em entrevista ao DN, o juiz português considerou esse valor «baixo», uma vez que é um ordenado bruto sobre o qual ainda serão feitos descontos.
«Estes são valores iniciais. Acho que é um passo muito grande dar-se a conhecer quanto é que os árbitros vão ganhar. Mas são valores brutos, desse montante os árbitros têm de pagar impostos, deslocações e alimentação. Com estas contas, claro que é um valor baixo, mas os árbitros não esquecem o enquadramento de crise por que passa o País», comentou o árbitro internacional português.
JP
O que muda? Poderem-se dedicar a 100% à arbitragem.
Ser estudante e trabalhador-estudante é completamente diferente.
Paulo Miguel
Segundo Paulo Bento em 2009: "Não é uma questão de profissionalismo, porque se os árbitros passarem a profissionais serão profissionais incompetentes". 4 anos depois concordo ainda mais com esta afirmação.