Esta rubrica tem como objectivo destacar os jogadores mais promissores nascidos em 2001. Os parâmetros de selecção são os feitos até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
E sai mais um central francês…
Começa a ser tão habitual falar-se de centrais franceses que quase se torna uma banalidade sempre que falamos de mais um. O que em muitas nações do futebol escasseia, abunda em terras gaulesas. A posição de defesa central em França dava para colecionar parelhas de opções para a seleção A. Varane, Kimpembe, Zouma, Upamecano, Umtiti, Laporte, Lenglet, Lucas Hernandez, Konaté, entre outros…seriam titulares em muitas outras seleções poderosas. Todas as épocas surgem três ou quatro jovens centrais franceses e William Saliba é mais um desses exemplos. Despontou há 2 temporadas, mas começou a ser notícia quando se soube do interesse do Arsenal.
Em 2018/19 estreou-se pela equipa principal do Saint-Étienne (dos melhores clubes formadores e apostadores de jovens do país) com 19 partidas efetuadas. No final dessa época, o Arsenal não hesitou e acenou o clube francês com 30M€, na condição de que Saliba, na altura com apenas 18 anos, ficaria mais uma temporada em França, cedido. Em 2019/20 acabou por ter uma lesão grave (partiu o pé) que o fez perder alguns meses de competição, finalizando a temporada com 17 jogos efetuados. No último verão, aterrou em Londres conforme prometido, mas não se conseguiu impor e não obteve um único minuto pela equipa principal, limitando-se a atuar pelos sub-23 londrinos. Neste mercado de janeiro foi emprestado ao Nice, onde chegou e foi logo titular, perspetivando-se que tenha espaço para evoluir e demonstrar todo o potencial que revelou.
William Saliba é um “protótipo” de central perfeito. 192 cm de altura, fisicamente evoluído e conforto para sair a jogar fazem dele uma grande promessa do futebol mundial. É um defesa rápido, difícil de ser ultrapassado em velocidade, e forte no contacto físico. Tem um jogo aéreo interessante, ainda que possa e deva impor-se com mais contundência nesse tipo de duelos. Com bola, oferece bastante clarividência no momento da construção desde trás. Critério, capacidade no passe e, se necessário, consegue queimar a primeira linha de pressão em condução. Trata-se de um central que procura quase sempre jogar “bonito” (bem que está na moda), raramente desfaz-se da bola à toa e não é muito agressivo nem raçudo nas disputas de bola (opta pela “limpeza” nos desarmes). Essa característica do seu futebol poderá prejudicá-lo ou favorecê-lo consoante a ideia que cada treinador diferente prioriza num defesa central, mas Saliba deve melhorar na agressividade e imponência que coloca nos duelos e disputas de bola, para passar para outro nível.
Aos 19 anos, o central francês de ascendência camaronesa procura agora afirmar-se numa equipa que também gosta de apostar e fazer evoluir os jovens. O Nice pode ser um contexto favorável para o talento de William Saliba, que certamente se sentirá mais confortável atuando no seu país. Internacional sub-20 pela França (desde os sub-16), terá mais dificuldades em começar uma carreira na seleção A, devido a uma concorrência incrivelmente poderosa, mas será mais um nome a reter para o futuro, de nacionalidade francesa.
VM Scouting: Hugo Moura


3 Comentários
Stravinsky
Acho que o facto de não ter tido nem 1 minuto no Arsenal – que não é conhecido pela grande qualidade defensiva – pode ser um indicador de que não se trata de um “craque”.
Gabriel, por exemplo, chegou e pegou de estaca onde tem sido o maior pilar defensivo.
No entanto, espero estar enganado e que Saliba regresse ao Arsenal para se afirmar correspondendo ao potencial que lhe reconheceram.
JoaoMiguel96
Upamecano com Saliba e Fofana…que tripla. Absurda a qualidade dos centrais franceses.
Aurinegro
Concordo, mas deixa-me completar: absurda a qualidade em praticamente todas as posições da selecção francesa. Quando era miudo, ali pelo final do milénio e inicio do novo, tinha um amigo que dizia sempre “o Brasil pode fazer duas selecções que vão as duas à final”. A selecção francesa não está nada longe disso.