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O futebol sempre foi pobre. A diferença é que, por cá, as piscinas de Pietuszewski ou Alberto Costa são assinaladas como faltas, enquanto as agressões e as faltas que travam transições raramente merecem cartão

O FC Porto entrou na época a prometer uma campanha ambiciosa na Liga dos Campeões. Basta recordar os discursos de Villas-Boas e Farioli antes do arranque da fase de liga. A realidade, porém, é bem menos pomposa: três derrotas em três jogos, sem um único remate à baliza contra o City, largos períodos de inferioridade frente ao Betis e uma exibição confrangedora – os azuis e brancos foram banalizados – diante de um PSV que vinha de três derrotas nos últimos quatro encontros.

Em Portugal, o cenário é radicalmente diferente: o FC Porto soma vitórias atrás de vitórias e mantém um registo perfeito. Mas convém olhar para lá dos números. Marítimo, Benfica, Alverca, Moreirense, Casa Pia e Torreense são exemplos de jogos em que os azuis e brancos venceram com muitas dificuldades. Inclusive a qualidade futebolística foi pouco diferente daquela apresentada na Europa. A equipa de Farioli também teve dificuldades no último terço, concedeu oportunidades e viveu demasiado do físico e das bolas paradas.

A diferença é que, no campeonato, há outros fatores que ajudam a disfarçar estas limitações – truques e regras próprias decidem a maior parte dos jogos. Contra o PSV, foi quase desconcertante ver Pietuszewski e Alberto Costa protestarem por os seus mergulhos não lhes valerem a falta habitual. Também se nota mais na Europa que a equipa portista parece uma avenida e um caos defensivo por não conseguir estar sempre a parar todos os lances em falta na transição defensiva já que sabem que vão ver amarelos que cá nunca aparecem.

Por outro lado, a agressividade e as tentativas de condicionar a arbitragem parecem ter limites diferentes na Liga dos Campeões. Farioli tentou fazê-lo nos dois primeiros jogos e foi rapidamente admoestado. Cá seria impossível. Como também não devem haver imagens nas cabines dos árbitros a condicioná-los.

No fundo, a questão é simples: o FC Porto pode continuar invicto no campeonato, mas isso não transforma uma equipa pouco convincente numa potência europeia. Quando o contexto deixa de proteger, o futebol que sobra é demasiado pobre para os discursos de grandeza que se ouviram no início da época. E, perante aquilo a que temos assistido, fica a dúvida sobre se o registo perfeito em Portugal reflete a qualidade do FC Porto ou também as condições muito particulares em que tem conseguido vencer.

Visão do Leitor: Vicente Dias

25 Comentários

  • Paulo Roberto Falcao
    Posted Outubro 21, 2026 at 1:53 pm

    Só acrescentaria uma coisa. Excluíram Rodrigo Mora do processo, sob o pretexto deste ser um mustang impossível de ser domado.

    Excluíram um génio, sim um génio. Que precisa de ser esculpido como uma pedra preciosa, mas um génio, e um génio assim aparece uma vez na vida de um clube. Foi uma escolha, escolheram a mediocridade, para não terem que levar com as imperfeições de um génio. Vão arrepender-se disto para o resto da vida.

  • Gorlami
    Posted Outubro 21, 2026 at 2:23 pm

    Mais uma excelente opinião do Vicente! Continua assim, dá gosto ler, só significa o blog este tipo de textos!

  • Gorlami
    Posted Outubro 21, 2026 at 2:23 pm

    dignifica*

  • BP
    Posted Outubro 21, 2026 at 2:42 pm

    Isto. Tudo dito.
    Carrega, Vicente Dias!

  • Brad
    Posted Outubro 21, 2026 at 2:42 pm

    Excelente texto.

  • Valderrama
    Posted Outubro 21, 2026 at 3:12 pm

    É mais do que evidente que o Porto foi amassado neste jogo do PSV como ainda não tinha sido em nenhum dos jogos mencionados das competições domésticas. A pressão foi um desastre (Oskar pode ser um fenómeno mas tem muito que crescer nesse aspecto do jogo e Samu a esse nível também não voltou ao que apresentou pré lesão), a equipa não está habituada a levar com esta pressão alta e marcação homem a homem a campo inteiro. Por vezes parecia que estava a ver jogar um dos três grandes contra o Carcavelinhos.

    Atribuir isso às diferenças de critério na arbitragem de Portugal para a Europa só tem uma de duas explicações: ou é escrito de má fé para ver a caixa de comentários a inflamar ou então a cegueira clubistica já é demasiado grande para constatar o óbvio.

    • HS10
      Posted Outubro 21, 2026 at 9:33 pm

      Falas de barriga cheia amigo.

      Tira os óculos azuis e verás o que toda a gente exceto os portistas vêm.

      O número de faltas que fazem e o número de amarelos que tem já é indicador de algo…

  • LABAS
    Posted Outubro 21, 2026 at 3:41 pm

    Ainda bem que houve uma novela Ronaldo para haver uma pausa em bater no Porto.

    Há lacunas no plantel? Sim, nenhum portista o nega. Podíamos e deveríamos estar a jogar melhor futebol? Sem dúvida, nenhum portista o nega.
    Agora esta conversa constante que o Porto só ganha na batota e nos truques, além de ser o único a fazer isso é anedótica. Mas como já disse num post anterior, venham à vontade que nós podemos bem com isso.

    Falando das faltas e faltinhas, eu defendo um critério mais largo, estilo premier league, mas mesmo na Europa vemos esses toques serem marcados constantemente e não é preciso puxar muito pela cabeça para os encontrar.

    Sobre o Alberto se atirar para o chão, quantas bolas perdeu o Maxi com o Lens na defesa que deram lances de perigo contra o Sporting? Não, é só o Alberto.

    As faltas a meio campo que o Porto faz para parar ataques? Alguém se lembra de uma CI do Marco Silva recente a pedir faltas cirúrgicas?

    Mais uma vez, espero que os outros continuem a olhar para nós em vez de olhar para dentro, porque estaremos sempre mais perto de ganhar assim.
    (Infelizmente o Marco Silva está a olhar para dentro e bem, e isso sim, pode ser um problema)

    • Goncalo Silva
      Posted Outubro 21, 2026 at 7:47 pm

      Certo, faltas cirúrgicas. Ou seja, pequeno toques que parem os contra ataques, onde é marcado falta. Só é uma falta cirúrgica se marcarem falta, acho que é óbvio.

      A questão é mesmo essa: em termos domésticos, o FC Porto não faz essas faltas cirúrgicas. Primeiro porque muitas vezes não são pequenos toques mas sim autênticas agressões merecidas de cartão amarelo. Depois, não são faltas cirúrgicas porque não são marcadas falta.

  • DNowitzki
    Posted Outubro 21, 2026 at 4:36 pm

    1. Não me vou ater à arbitragem, porque nenhum adepto reconhece quando é beneficiado a longo prazo. É a falta de coluna vertebral típica do adepto de desporto, da política, da religião e por aí vai.
    *
    2. Foram jogados três jogos, dois deles péssimos. Faltam cinco, certo? Mais do que tempo e espaço para mudar a situação.
    *
    3. Na minha ótica – e bem! -, o Porto quer ganhar internamente e é aí que aposta todas as suas fichas. Sabe que a hipótese de voltar a ser campeão europeu é abaixo de mínima. Não significa que despreze a competição, pelo contrário: pelo prestígio, pelo dinheiro, pela valorização dos jogadores… Mas o que interessa é ganhar e isso é mais fácil internamente, por TODAS as razões, incluindo ESSA.
    *
    3. O mundo do Sporting andou, o ano passado, em orgasmos vários por causa da LC e, no final, ganharam tanto como o Desportivo de Mangualde: zero. Nunca saberemos, aliás, se uma eliminação frente ao Bodo não teria sido a sorte do clube.
    *
    4. Em suma, menos ejaculações precoces, que maio ainda vem muito longe.

    • Christian Benítez
      Posted Outubro 21, 2026 at 8:04 pm

      E se a bola ao poste do Geny Catamo ou o remate do João Simões no último segundo do jogo do Emirates têm entrado, o Sporting tinha ido jogar com o Atlético de Madrid nas meias-finais da Champions. E eu quero um Sporting ambicioso na Europa e que tenha como objetivo ganhar uma prova europeia.

      Mas como diria Marco Aurélio, antigo capitão do Sporting, o se é um grande avançado mas não marca golos.

      • Isse5
        Posted Outubro 22, 2026 at 9:59 am

        E se a bola ao poste do Pavlidis há 2 épocas atrás contra o teu clube entrasse, provavelmente não tinham sido bicampeões…
        Se o Pinto da Costa não controlasse as escolhas dos árbitros e aliciasse/controlasse os mesmos durante 40 anos, provavelmente teriam menos títulos que o Sporting…
        Podiam estar aqui o dia inteiro…

      • BP
        Posted Outubro 24, 2026 at 10:45 am

        E quanto ao que realmente importa: já estás a ler o meu romance? :-)

  • JJ Okocho
    Posted Outubro 21, 2026 at 4:42 pm

    Por demais evidente
    Nao há faltinhas constantes para a bola parada, nem podem parar constantemente adversários à paulada. Isso do cartão amarelo por 30 faltas só para cá de Olivença.
    Nem há rodinhas, ou simulações a la André Silva
    Claro que ajuda:
    Os adversários não terem medo( nada de linhas 5 +5)
    Os adversários terem qualidade
    E a preparação física ser muito melhor

  • cmche1111
    Posted Outubro 21, 2026 at 5:13 pm

    Esta época vi 3 jogos do Fc Porto, Torreense, Moreirense e Benfica.
    Além da gritaria, bancos aos pulos, jogadores a rebolar e o circo do costume nos 3 jogos vi:
    – Um penalty por assinalar para o Torreense perto do fim cometido pelo Inbeom
    – William Gomes com 3 lances para amarelo e um golo de livre que nasce de uma falta inexistente, frente ao Moreirense.
    – Um vermelho por mostrar a Veiga aos 5 minutos de jogo, dou de barato que talvez o critério fosse à “inglesa”, o problema é que mais tarde o Lenglet é expulso num critério à “portuguesa”.

    Portanto, meus amigos, com regras diferentes até o Carcavelinhos orientado pelo Zé Mota era forte, o problema é que atravessam a fronteira e a gritaria, as piscinas são ignoradas e a sarrafada é punida.

  • jlgoncal
    Posted Outubro 21, 2026 at 11:33 pm

    Uma opinião completamente estapafurdia e sem nexo nenhum… aprender a ver futebol dá jeito.

    O Porto tem um excelente plantel e uma boa tática, mas também tem um treinador borrado.

    Já se tinha visto contra o Benfica, que o Farioli recua por base quando encontra equipas que ele considera mais fortes, e como existe um grande problema no esquema tático do Farioli, que é o recuo do trinco para 3ºcentral, então o Porto está sempre em desvantagem no meio campo, porque os alas estão a ajudar os laterais e os médios ficam em completa inferioridade no meio campo.

    A maneira que o Farioli evita de se colocar nessa posição é a pressão alta, que obriga o adversário a bater bolas para a frente e a recuperar com o poder físico e de cabeça dos centrais/médio defensivo.

    Ora, nesta LC o Farioli resolveu borrar-se todo e abdicar da pressão alta, isto faz com que não exista capacidade de pressão no meio campo defensivo e as equipas jogam à vontade dentro do meio-campo defensivo do Porto.

    Então o treinador é burro? é!

    Mas o que é que ele queria do jogo afinal? Queria quebrar linhas e lançar contra ataques em velocidade nas costas da defesa, especialmente do PSV e Betis, mas existe um grande problema… a equipa não está treinada para isso… Os jogadores não tem rotinas para fazer esses tipos de movimentos, e os passes falham de forma constante e não se pode ter uma equipa de contra-ataque se os passes rápidos não entram (e por muito!).

    Em Portugal o Porto raramente está em contra ataque, muito mais com 2-3 passes curtos seguido de um passe rápido de rotura… mesmo quando o Porto faz contra ataques em Portugal, é em bola transportada de forma rápida com um passe de rotura final para remate/cruzamento final.

    O erro do Farioli é querer que a equipa faça coisas que não está preparada para isso e por sempre o Porto a jogar como equipa pequena que não é, ao contrário do que este senhor quer querer fazer parecer.

    Um treinador cagado não faz o jogador serem maus… faz os jogadores serem piores sim, mão não maus.

  • Red Onion
    Posted Outubro 22, 2026 at 8:09 am

    Os comentários dos adeptos portistas a este texto – que se assume muito mais factual do que opinativo – são a confirmação da cortina de fumo na qual se quer envolver o campeão nacional. Estes factos não são uma circunstância isolada desta época. São um modus operandi há várias épocas e com o mesmo protagonista. O condicionamento e a coação velada (como a que foi relatada no ano passado pelo árbitro F.Veríssimo) são a prova provada que os campeonatos (e os homens por trás dos apitos) não são livres e isso inquina toda a verdade desportiva. Não tenho dúvidas que se o Benfica beneficiasse desta proteção, o Rascord e O Nojo não largavam o osso. Mas às tantas… até eles estão “condicionados” (e coagidos).

  • onetimeuser
    Posted Outubro 22, 2026 at 9:18 am

    Mas sempre foi assim, desde que me lembro ter começado a ver futebol em meados dos anos 90. Aliás, nessa altura era tão escandaloso, que nem é bom lembrar.

    Depois houve anos em que realmente eram uma equipa muito forte na Europa, no entanto essa força foi construída a partir de muitos títulos ganhos em Portugal da forma que todos sabemos, mas que alguns não gostam de admitir.

  • Mantorras
    Posted Outubro 23, 2026 at 10:19 am

    O Porto la fora ia sempre sofrer mais.

    É uma equipa com limitacoes, e o ano passado foi quase milagroso, disse-o ao longo do ano, que o Farioli tinha muito merito, porque ser campeao com Gul (depois da lesao de Samu), Pepe e William Gomes, sendo que o melhor jogador era um puto nordico e outro polaco que chegou em Janeiro, era obra. E tambem repeti muitas vezes que Farioli nao tinha Ego, que so queria ganhar, fosse como fosse, e isso é uma mais valia, sempre e quando o estadio nao assobiar (e enquanto as coisas vao de vento em poupa assim é, se estivessem a par dos outros no campeonato, as vitorias sofridas nao seriam aplaudidas e seria mais dificil).

    Se o ano passado se desculpava o bombo, este ano nao. Insistem em estar mais preocupado em mandar umas peitadas aos adversarios, seja em que situacao for, do que em jogar futebol. Isto nao e ser fisico, é ser provocador, demasiado, e abusar da permissividade dos arbitros ca dentro (o numero de faltas por amarelo nao engana). E isso é fundamental para o jogo do Porto, porque ao desestabilizar os adversarios, mal eles deixem de se preocupar em jogar e passem a preocupar-se com as provocacoes, ja perderam: porque nesse campo o Porto nao perde para ninguem.

    Ha duas coisas que para mim, agora falando de futebol, sao o mais importante para parar o Porto: eles pressionam tanto, mas tanto, e vao tao a maluca, que depois de batida a primeira linha de pressao ha espacao para jogar. O problema dos pequenos por ca, é que no passe seguinte erram, falham, e nao ganham a vantagem que deviam, por falta de qualidade individual, e nao tiram partido desse risco que o Porto mete no jogo. So que na champions estao os melhores e o Porto acaba dominado.

    E depois, quando o Porto tem bola, eles variam muito a sua saida, tem muitas formas de fazer a bola entrar no 6, mas se as equipas souberem bloquear o 6, o Porto tem muitas dificuldades.

  • Mantorras
    Posted Outubro 23, 2026 at 10:21 am

    Ah, e outra coisa. Nao facam ja funerais ao Porto na Europa.

    O Porto se tem uma coisa que é de salutar é a crenca e o facto de nunca morrer, nunca desistir. Esta complicado mas o Benfica o ano passado estava pior e qualificou-se no ultimo minuto dos descontos, com um golo do GR, contra “so” o Real Madrid, sem saberem que precisavam de marcar outro, imagine-se.

    Portanto, tudo é possivel.

  • slipkorn
    Posted Outubro 23, 2026 at 9:59 pm

    Lá foram marca falta quando se ajeita a mão antes do golo e até marcam contra…assim não dá!
    Isto sem a “2ª equipa” a empurrar cá no burgo não dá.

  • Rui Costa
    Posted Outubro 24, 2026 at 9:07 am

    Isto é o que toda a gente pensa e sabe; os que tem responsabilidade de comentario no espaco publico tem medo de o fazer.

    É demasiado diferente o criterio aplicado.

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