O Sporting perdeu em Arouca e ficou a 12 pontos da liderança do campeonato. Os Leões, que também já caíram na Taça de Portugal, mas ainda lutam pelo apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, têm vivido uma época de altos e baixos e voltaram a tropeçar num fim-de-semana onde podiam reduzir distâncias para o FC Porto, que empatou nos Açores. Ora, o desaire no centro do país ficou marcado pela rotação de Rúben Amorim, que não quis adiar o encontro e optou por mudar meia equipa. Perante um cenário de três jogos em menos de uma semana e com as limitações físicas que atravessam vários elementos do plantel, a inevitabilidade de mudar várias peças era óbvia, mas resta saber se havia espaço para ter feito as coisas de outra forma. Na verdade, o Arouca é um dos conjuntos mais frágeis da Liga, mas fez história ao derrotar pela primeira vez o Sporting na sua história, sendo que desde 2012-13, ano fatídico do 7.º lugar, que os Verde e Brancos não tinham quatro desaires em onze jornadas disputadas.
Assim, o cenário de crise voltou a pairar e o próprio Rúben Amorim parece alimentar esse cenário. O técnico é cada vez mais evasivo nas suas respostas, parece mesmo perdido em algumas declarações e as opções que toma de jogo para jogo, tanto antes como durante, denunciam algum desnorte. Contudo, parece claro que o erro está algures no passado, um passado não muito longínquo e que remonta ao defeso, onde o planeamento da época e a construção do plantel não terão sido os mais corretos.
Ora, excluindo a saída de Matheus Nunes, que foi uma saída extemporânea e com a qual já não se contava, a verdade é que a maioria das opções foram tomadas, exclusivamente, por convicção de Amorim. Começando pelo primeiro reforço da época, Jeremiah St. Juste, é factual que a situação clínica do neerlandês era sobejamente conhecida. Mesmo assim, os Leões avançaram com 9,5 milhões de euros por um atleta que terminava contrato em 2023 e que tinha estado quase um ano parado por lesão. O que se tem visto no presente é um jogador sempre no limiar da lesão e que dificilmente aguenta 90 minutos (ou mesmo 45’). Deste modo, perante a saída de Feddal e a veterania da dupla Neto-Coates, parece evidente que os riscos desta contratação não foram bem calculados, até porque o eixo defensivo é a zona onde a formação tem menos produto para oferecer à equipa principal. O totobola à segunda-feira é mais fácil, mas com 9,5 milhões de euros não seria difícil encontrar um atleta que desse mais garantias do ponto de vista físico e que fosse uma real mais-valia.
Ademais, Rúben Amorim emprestou Gonçalo Esteves e Rúben Vinagre, dois elementos habitualmente suplentes na época passada, mas que tiveram minutos a espaços. Ora, se é verdade que os dois têm tido dificuldade em jogar no Estoril e no Everton, não é menos verdade que os jogadores que têm funcionado como alternativa a Pedro Porro e Nuno Santos não têm dado mais garantias. Perante as lesões, Matheus Reis fixou-se como central e os suplentes nas alas são Ricardo Esgaio e Nazinho. O primeiro tem acumulado erros atrás de erros, mas tem de jogar porque não existe mais ninguém capaz de dar ‘folga’ ao ex- Man City, enquanto Nazinho dá sinais de estar ainda muito ‘verdinho’ para estas andanças. Assim, não seria melhor insistir na evolução de Rúben Vinagre, jogador pelo qual o Sporting pagou 10 ME e que dificilmente ‘sentaria’ Mykolenko, e apostar no crescimento de Gonçalo Esteves, que parece claramente um lateral mais talhado para um modelo jogo de equipa grande, onde tem espaço para atacar e está rodeado de companheiros que falam melhor a sua linguagem? Rúben Amorim achou que não.
Por outro lado, a entrada de Sotiris Alexandropoulos pareceu uma aposta pessoal do treinador (ainda que certamente ajudado pelo departamento de scouting), que viu semelhanças com Matheus Nunes e achou que era a melhor solução para o substituir. Nessa fase, já Daniel Bragança estava de fora por lesão, enquanto Morita acabou por ser o reforço com mais impacto no imediato. O japonês tem tido rendimento e, não sendo Matheus Nunes em termos de perfil, tem estado a bom nível. O problema é se Morita não pode jogar. É que Pedro Gonçalves há muito deixou de pensar como ‘8’ e Sotiris parece já ter descido degraus na hierarquia do treinador, sobretudo após o duelo fatídico com o Varzim. Já as restantes soluções parecem ainda aquém do exigível e Também por aí há alguma incongruência, uma vez que Amorim parece numa fase experimental a meio da temporada, onde Essugo, Mateus Fernandes e Sotiris vão entrando à vez, sem se perceber muito bem qual deles mais pode acrescentar. Além disso, Mateus Fernandes e Nazinho têm jogado mais na Liga dos Campeões do que no campeonato, o que não deixa de ser estranho, enquanto Essugo apareceu a titular no primeiro jogo em que foi chamado e Rodrigo Ribeiro, que terminou a última época a entrar regularmente, desapareceu das opções.
Tema é também o ‘caso Jovane’. O cabo-verdiano saiu em janeiro para a Lazio, voltou e, após se falar insistentemente na sua saída, acabou por renovar. Todavia, o extremo/avançado continua sem ter qualquer minuto, mesmo tendo ido já ao banco algumas vezes. Trata-se de uma situação que ainda não foi explicada, mas Jovane parece estar no plantel sem verdadeiramente contar, o que não se compreende, sobretudo quando as posições de apoio ao avançado já contam com Pedro Gonçalves, Rochinha, Trincão, Edwards e Arthur.
Por fim, a questão mais bicuda de todas: o ponta de lança. Rúben Amorim não quis Slimani, mas também não quis mais ninguém para concorrer com Paulinho. O português ainda recentemente foi decisivo nos duelos com Casa Pia e Tottenham, mas tem acumulado alguns problemas físicos e, por isso, falhou a visita a Arouca. Ora, sem Paulinho, os Leões não têm mais ninguém para a ‘posição 9’. Amorim refere que os extremos do plantel podem lá aparecer, mas a verdade é que a equipa não virou qualquer resultado esta época com a fórmula do ‘falso 9’. Além disso, tanto Edwards como Pote ou Arthur parecem desconfortáveis nessas funções e acabam por ter menor rendimento. Trata-se, por isso, de uma teimosia que já está no limiar da incompetência, sobretudo quando parecia haver abertura da direção para o reforço da posição.
Certo é que Rúben Amorim está na terceira época (completa) e o desgaste começa a ser evidente, tanto na mensagem como no modelo de jogo (há menos argumentos para surpreender o adversário e até aquilo que a equipa fazia melhor – organização defensiva e força nas bolas paradas – piorou), restando saber se o antigo técnico do SC Braga tem força e argumentos para dar a volta ao texto. O contrato é até 2024 e todas as semanas se fala na possível saída (o que faz pouco sentido e não ajuda em nada á estabilização da equipa) ou ‘arrefecimento’, por sua vontade, da hipótese de renovação proposta por Frederico Varandas. Para já, o clube está longe do título mais desejado, também terá uma tarefa difícil na luta pelo 2.º lugar, sobretudo porque não tem revelado uma consistência exibicional e de resultados desejável para competir com FC Porto e SC Braga, e está fora da Taça de Portugal. O apuramento para os oitavos-de-final viria a ajudar muito (talvez a pausa devido ao Mundial também), tanto em termos financeiros como da moralização do plantel, mas não será suficiente se os resultados na prova interna não melhorarem.
Rodrigo Ferreira


19 Comentários
MikeM
Devia ter saído quando estava em grande e fez um enorme trabalho que culminou no tão desejado campeonato nacional para o Sporting.
Ia pela porta grande, com o respeito e admiração da grande parte dos adeptos sportinguistas e até no geral. “Timing” conta muito no futebol e poderia ter ido para um Leipzig ou até um desnorteado Manchester United, talvez mesmo com legítimas aspirações, quem sabe, a um PSG.
Assim, esgotou-se, o que era mais ou menos de prever. Quer se queira quer não, ou mesmo que custe a muita gente, o Sporting é o 3º maior clube em Portugal e não tenha grandes dúvidas que será muito difícil para o clube conquistar algo parecido com hegemonia no futebol português, simplesmente porque os outros dois são melhores, têm mais meios e uma cultura vencedora diferente.
Rúben Amorim sempre deu mostras de teimosia, mas enquanto correu bem ninguém lhe podia apontar nada. Mas ia deixar de correr, e isso era de prever. Perdeu Palhinha, perdeu Matheus Nunes, saiu ainda o Feddal, 3 jogadores importantíssimos. Para os seus lugares entrou um lesionado por 10 milhões de euros, um jogador do Santa Clara (que tem qualidade mas a léguas do que Matheus dava à equipa) e ganhou o lugar o Ugarte (aqui menos problemático). Amorim quis, porque sim, Paulinho por 16 milhões de euros, quis, porque sim, Esgaio por mais 4 ou 5, não quis mais nenhum avançado (não sei se não quis se não lhe conseguiram dar o que ele queria, mas não entrou mais ninguém), e para o lugar do Matheus entrou um jovem grego que pouco ou nada tem jogado por mais 4 milhões, se não me engano. Ora nem tem sido tanto por falta de dinheiro, tem sido mais azelhice, ou teimosia, a escolher os jogadores e ainda mais teimosia, no caso do Esgaio, a continuar a apostar nele, porque tem dado buraco quase todos os jogos.
Agora além desta teimosia, dá até a ideia que Amorim, das duas uma, ou está completamente perdido, ou então está a sabotar a equipa, por motivos que desconheço.
O homem está a ganhar 1-0 ao Tottenham e mete dois miúdos sem experiência nenhuma? Contra o Arouca, já não tinha o Morita por lesão, ainda escolhe deixar o Ugarte no banco? Contra o Marselha, o Porro não estava bem, mete o Esgaio que é expulso cedo, ainda mete o Fatawu de seguida, que nem lateral é, mas depois acaba por fazer entrar o Porro? Mas afinal podia jogar ou não podia? São decisões no mínimo estranhas que têm estado ligadas a alguns maus resultados.
E o facto de não ter uma única alternativa a Paulinho é outra, o Pote não é ponta de lança, não deveria o treinador saber isso melhor que ninguém?
Muito sinceramente com estas péssimas opções, com o cansaço que denota mais a pouca paciência dos adeptos, não vejo carreira longa ao Amorim no clube e parece-me que sairá pela porta pequena mais cedo ou mais tarde. O que é uma pena porque realmente muito do campeonato que ganharam teve dedo dele.
Vegeta
Espero bem que o mandem embora.
São mais 20 anos no buraco.
Mantorras
Terceiro ano a jogar mais ou menos da mesma forma complica muita coisa quando nao se tem alternativa. Com uma equipa e 11 muito fortes da para forcar, pela qualidade, mas este ano ficou curto e as coisas nao saem.
O Sporting trabalha “a justa”, com tudo contadinho, e assim, se falhar alguma coisa paga-se logo… Este ano falharam duas, claramente, tanto o caso do PL que falta, como a substituicao do Matheus, ha dois erros que ficam a nu e que se pagam.
Acho que ele ja esta a preparar a proxima epoca ao contrario do que dizem (que sai), e que como tera novamente tudo “contadinho” quer acertar e avaliar ja muita coisa. Para isso arrisca um pouco com os miudos, como ja tinha feito, porque e o caminho possivel.
PS: Nao acredito que St. Juste e Sotiris sejam escolhas dele. Foi o que lhe arranjaram e ele tera dito sim? Ok. Escolhas e pedidos dele? Nao creio. A gestao dos laterais parece tambem ela errada, Vinagre e Esteves comigo ficariam, mas no caso de Vinagre acho que “foi rodar porque tem que ser” (nao e o Sporting que manda).
Mantorras
Ah, e o Sporting despedir o RA e so parvo. Nao arranjam melhor, nem perto, nem no aspecto tecnico, nem no lado humano (lideranca e gestao de balneario). No Sporting hoje ha uma exigencia diferente, que veio com ele. A champions e exemplo disso. Sao 2 anos a fazer apenas menos 1 ponto do que a melhor pontuacao de sempre, foi campeao sem Europa, e com Europa fez os mesmos pontos passando os grupos da champions… este ano, se passar, sera recorde do clube…
DCosta
O Amorim é o treinador certo para o projeto do Sporting. Aliás, arrisco-me a dizer que o projeto do Sporting é o Ruben.
Se ele sair, penso que o Sporting voltará aos primeiros tempos da presidência do Frederico Varandas, com as trocas constantes de treinadores.
Esta época foi mal preparada pela estrutura (Amorim incluido), talvez pela ilusão das 2 épocas anteriores, que foram excellentes.
O principal erro, para mim, não foi a venda do M. Nunes, mas sim a do Palhinha, que era o jogador que dava consistencia defensiva à equipa e que era e podia vir a ser capitão e referência no clube leonino. O Ugarte é um excellente jogador, mas não tem as qualidades defensivas do Palhinha. Estou convencido que comum meio campo Palhinha-Ugarte, o Sporting estaria a discutir 1° lugar com o meu clube.
Quero acrescentar que o facto da equipa B do Sporting estar a competir na liga 3 é também um factor importante na (não) evolução dos jovens da academia.
Antonio Clismo
No ano passado estavam no CNS.
Estar na Liga 3 é melhor, a meu ver.
Não esquecer que os sub23 estão desprovidos de qualidade, muito mal orientados e sem rumo. Muito estranho o que se passou com o Filipe Pedro no ano passado e este ano com o João Pereira a não terem mão no plantel e na qualidade (ou falta dela) de jogo.
offtopicguy93
Gostava mesmo de saber porque razão é melhor jogar na liga 3 do que na liga 2…
Paulo Roberto Falcao
Bom dia, percebendo as críticas todas era só para informar que o incompetente está há três anos no Sporting, venceu quatro títulos( a Liga, a Supertaça e duas Taças da Liga), e prepara-se para apurar a equipa pelo segundo ano consecutivo para os oitavos de final da Champions, feito inédito na história do clube.
E fez isto tudo numa época de claro desinvestimento do clube, e fez verdadeiramente omeletas sem ovos. Apostou e revelou jogadores que estavam encostados nos seus clubes como Adan ou Porro, foi a clubes de segunda linha buscar jogadores como Pote, Nuno Santos, Ugarte, Edwards e Morita, e apostou em putos da cantera como Nuno Mendes e Gonçalo Inácio.
Errou? Claro, também eu fiquei irritado com o regresso do Esgaio por exemplo. Mas depois há o resto, e o resto é muita coisa. E desculpe a opinião mas muita competência, porque só um treinador incrível faz de jogadores normais grandes jogadores, e sobrevive a sucessivos rombos no seu plantel. Acho vantagista a análise sobre o Paulinho, ele apostou nele.
Qual é então para mim o problema. Bela Guttmann identificou-o em 1962. Não há cu para duas cadeiras. Temos uma equipa curtinha, muito jovem e estamos num grupo de Champions muito competitivo no qual qualquer equipa pode ganhar a qualquer equipa. O desgaste físico mas sobretudo emocional da competição está a ser duramente sentido pela equipa.
Portanto a meu ver a incompetência para mim não está no Ruben Amorim, mas sim acima dele. Alguém deveria assumir que como temos contas para pagar não podemos competir por objetivos impossíveis. Ah e não me venham com a velha tanga do Sporting tem que ser candidato a tudo. Se não tens os recursos vais ser candidato como?!
keops
Vamos continuar a alimentar a mentira do desinvestimento. O Sporting gastou 45 milhões de euros em reforços, um valor igual ao do Porto. Os reforços foram aqueles que o Rúben Amorim escolheu, e se por exemplo não tem um ponta de lança alternativo foi por opção reiterada muitas vezes pelo próprio que insistiu que o Paulinho era o PL dele e não precisava de mais nenhum.
Tudo aquilo que é apontado como desculpa ao Amorim é aquilo que o Sérgio Conceição tem feito época após época, em que perde meia equipa e tem de mudar o fio de jogo para se adaptar a um novo plantel. Algo que o Ruben Amorim se tem recusado a fazer…
Paulo Roberto Falcao
Essas não são as contas, do Porto não conheço bem a sua realidade, sei que o Sporting realizou em vendas mais de 110 milhões de Euros neste defeso. Portanto ficámos com 65 milhões em caixa, e sim isso chama-se poupar e não investir. E sei que houve uma política de contenção salarial, e que não pagando ordenados altos não podes garantir os reforços que desejas.
Estou seguro que a política do clube foi esta, e que se visou essencialmente jogadores baratos tipo Morita, Arthur ou Trincão. E que quase metade desse valor em contratações foi paga na amortização de um flop( Vinagre) e na contratação em definitivo de um jogador extraordinário( Porro). Um investimento e um compromisso que temos que honrar.
Portanto falamos de lastro que vinha detrás, não de investimento em jogadores de futebol. Vendemos os dois médios centro e comprámos um jogador ao Portimonense e um grego manhoso para os substituir. Isto chama-se desinvestir, e a mim não me vendem gelados pela testa. Se o Morita se percebe que claramente era uma aposta do treinador, aposta que aliás está a ser de sucesso, no caso do grego foi um recurso gasto sem sentido, no qual RA nunca apostou.
allsportsmatter
Boa noite. Não querendo fugir do texto nem comparar Rúben Amorim a um Sir Alex, e não querendo comparar a década de 80 com os tempos “modernos” mas… além do sucesso todo do Sir no United, só alguns anos depois de ter chegado ao clube é que houve regularidade. As primeiras 4/5 épocas ficavam tanto em segundo como em 11º ou 13º lugar. Queria só frisar que os clubes são projetos e os projetos demoram tempo. O Amorim é um excelente treinador e parece-me uma pessoa exemplar, sem grandes fitas, e vejo pedidos a disparar para o homem sair. Isto é o futebol actual e é triste, são apenas mentalidades resultadistas, a esmiuçarem tudo ao segundo. Recordo-me que o carro da família Conceição foi apedrejado por 2 ou 3 resultados mal conseguidos e de repente já tudo estava a fazer a festa da passagem aos oitavos. Vivemos numa sociedade que perdoa pouco e esquece rápido. Bom domingo!
RuiMagas
A diferença atual depois de ler uns comentários aqui no blog é que Amorim desiste demasiado cedo dos seus jogadores.
EXEMPLO: Sérgio Conceição desce a vassourada e rasga em praça pública os seus jogadores mas não desiste deles mesmo que não façam parte do seu esquema tático (relembrar Luis Diaz que demorou a ser a real aposta) mas continua a insistir neles até retirar o que ele realmente quer deles.
Já Amorim faz completamente o oposto: o jogador faz um mau jogo e não cai no seu agrado tático ou pessoal e desiste dele facilmente exemplos temos o Ruben Vinagre e agora o Sotiris. Mas depois aposta cegamente em jogadores que já não oferecem nada ao clube e as suas ambições: Esgaio ou Paulinho.
Depois ele é muito inexperiente no cargo de treinador e a culpa também passa pela direção que não dá a cara e esconde-se atrás do treinador com 37 anos porque ele que está a dar a cara, ele que está a desgastar a sua imagem e quando der o barraco vem o grandíssimo presidente Varandas rasgar o Ruben Amorim depois de despedi-lo e ser o salvador da pátria mais uma vez… Se o Sporting tivesse em anos de eleições certamente a coisa era totalmente diferente.
Antonio Clismo
Não houveram assim tantas mudanças de um ano para o outro. Se bem me lembro o Sporting no ano passado já era uma equipa bastante estudada e previsível contra estes adversários mais fechados da Liga Portuguesa.
As alterações no Verão no papel até pareciam ter lógica (foram buscar jogadores teoricamente com qualidade e grande margem de progressão).
Mas na prática a equipa perdeu a consistência defensiva (sensação que qualquer bola na área pode dar golo sofrido). Só isso.
DCosta
Muitos desvalorizaram a a saída do Palhinha apontando Ugarte como substituto, que é um excelente jogador.
Essa consistência defensiva perdeu-se quando o jogador foi vendido.
O Ugarte é um misto de 6/8 mas não tem as qualidades defensivas que o Palhinha dava à equipa. Nota-se bem que esta época que o Sporting está mais fragil neste aspecto.
Napoleon
Amorim vive muito, ou melhor, parece muito dependente de um jogador superlativo que carregue a equipa. No primeiro ano teve um Pote a nível absurdo (e um contexto muito específico que permitiu jogar com calma e menos pressão) e a época passada de um jogador fenomenal para a nossa liga que era Sarabia. Sporting viva dos golos de ambos, com poucos ou nenhuns goleadores no resto da equipa, aparecendo de vez em quando o Coates para ajudar.
Coates desceu de forma (como seria expectável), Pote parece mais um one season wonder e Sarabia foi embora.
E isso fez o Amorim, talvez por as coisas correrem bem, achar que podia ser um novo Guardiola e jogar sem avançado. O problema é o nível dos executantes numa tática de falso 9. No City há Bernardo, Foden, Mahrez, Gundogan, havia Gabriel Jesus e no Sporting há Rochinha, nunca entendi em nada esta contratação, Trincão, que é um flop em toda a linha até ao momento, Arthur, que não parece ter qualidade para um nível superior, tem um drible curto interessante mas pouco mais, Pote, que parece ter acabado o gás e se não dá golo, contribui perto de 0 para o jogo da equipa e Edwards, um excelente jogador e aqui sim, um jogador de qualidade mas com muito menos golo que Sarabia por exemplo.
Mais, faz um ataque móvel com jogadores de estatura pequena e durante 90 minutos abusa dos cruzamentos para os defesas contrários agradecerem e cortarem com facilidade.
Depois o maior erro de todos, Paulinho. Nunca teve golo, nunca vai ter e “ah mas dá muito ao jogo”, mas no que mais interessa na posição dele, avançado, dá absolutamente 0 sendo uma autêntica nulidade a avançado.
E ainda a insistência na mesma tática sem plano B. No primeiro ano, algo novo, deu para surpreender, o ano passado já um ou outro dissabor e este ano o descalabro. Nunca desfaz a linha de 3, faz substituições para manter na mesma a linha de 3 seja qual for o resultado. Poderia ter já há muito um plano B criado, fosse 4-4-2, 4-3-3 o que quisesse mas que permitia a equipa encarar os jogos de forma diferente.
Por fim, também parece que acabou aquela aura de discurso coerente e flashs interviews com um bom discurso. Já vai para as mesmas nervoso e a disparar respostas.
Este ano é diferente com Mundial agora em Novembro, mas acredito que num ano normal, como a coisa está a correr, Amorim em Dezembro sairia do Sporting. Tendo Mundial, tem cerca de um mês para montar algo de novo ou então vai ser uma época longa com 1/2 jogos bons e depois 2/3 maus, sem nunca conseguir dar uma boa sequência aos bons momentos.
batalha34
Excelente texto que faz um trabalho muito bom a resumir os principais erros que foram feitos até agora, que não começaram nesta temporada e que se estão a pagar caro neste momento.
Mantenho que acho que RA é um excelente treinador, tem pouca versatilidade ainda mas mesmo dentro do sistema do 3-4-3 a equipa já apresentou formas de jogar diversas e em geral joga sempre bem. Até quando se mete jogadores de qualidade muito dubia consistentemente a ideia do treinador está lá e os jogos são controlados com maior ou menor dificuldade.
Agora a questão que o texto aborda muito bem, é que parece que o preço a pagar quando se traz RA para o clube é que se ele fixa a ideia num jogador paga-se valores absurdos mesmo que isso comprometa claramente o futuro do plantel.
O empréstimo de Vinagre e Esteves é quase criminoso, o 1º tendo em conta o que jogou e o que foi pago por ele, o 2º tendo em conta que a alternativa é Esgaio. Ambos os casos seriam geridos de forma diferente por um treinador mais experiente com um perfil menos casmurro.
Ter trazido Arthur por 4M quando já havia Jovane é outro caso que levanta a sobrançelha, outro jogador que RA queria a todo o custo.
O caso Paulinho já foi esmiuçado aqui várias vezes.
Vamos a ver jogadores que o RA fetichou nos ultimos anos em que a qualidade era dubia apriori de serem contratados e a conta é alta
Arthur 4M, Vinagre 10M, Trincão 10M, Paulinho 16M, St. Juste 10M
Temos aqui um total de 50M de euros gastos em jogadores que me arrisco a dizer que nenhum deles vale metade do que foi pago por eles.
E agora é obrigatorio perguntar, mas não dava para fazer um plantel muito mais competitivo com estes 50M? Havia necessidade de andarmos com esta defesa e meio campo completamente remendados metade dos jogos da epoca? Diz-se que não há dinheiro, mas o que não me parece haver é capacidade para dizer que não quando o negócio é obviamente desfavorável ao sporting.
O sporting joga bem à bola, mas a conta começa a ser alta e as prospectivas futuras não me parecem as melhores, RA tem de ganhar maior versatilidade e tem de aprender a trabalhar com jogadores que não alinhem a 100% na personalidade que ele quer.
Posto isto, continuo a achar que é o homem certo no lugar certo, mas tarda em aprender algumas lições e isso parece que vai uma saida prematura do clube infelizmente
Napoleon
Dava sim senhor para construir um plantel mais competitivo com os mesmo 50M. A título de exemplo, o Benfica este ano gastou 68/70M e trouxe Neres, Enzo, Aursnes e João Vitor. Dois jogadores de meio campo, um central e um extremo desiquilibrador, exactamente como o Sporting necessitava e também contratou, mas de qualidade mais duvidosa.
Sporting foi buscar Morita, Sotiris, Trincão, St. Juste. Morita um belíssimo jogador e parece-me a contratção mais acertada do Sporting e o dinheiro mais bem investido. Sotiris parece que já não conta, Trincão como já referi um flop enorme e St. Juste com uma condição física horrível.
Filipe22
Há que ter em conta que o Benfica tem algo que o Sporting ainda não tem. Muito mais facilmente o Benfica consegue sacar uma jovem promessa porque tem como argumentos a projeção de David Luiz, Di María, Ederson, João Félix, Rúben Dias, Renato Sanches entre muitos mais. Sabem que tendo sucesso no Benfica, facilmente vão para uma liga mais forte. Por isso duvido que com o mesmo dinheiro tivessem convencido o Enzo
Dario Nunes
O Amorim devia ter saído quando o Sporting ganhou o campeonato, qualquer um via via que seria muito complicado voltar a fazer uma época tão boa. Depois, devia ter saído o ano passado, que não tendo sido tão boa como a primeira ainda foi bastante boa. Agora, se nada mudar o que pode acontecer é ele ser despedido e não arranjar nenhum clube tão bom.