Depois de uma temporada em que voltou a terminar no 4.º lugar, o objectivo do SC Braga passa novamente por atacar um lugar entre os 3 primeiros, tendo sempre o sonho de entrar na luta pelo título. No entanto, num ano em que FC Porto e Benfica voltaram a investir muito essa ambição parece cada vez mais distante, sendo que também por isso Abel Ferreira optou por sair. O técnico de 40 anos bateu o recorde de pontos do clube na Liga em 2017/18, na época passada andou entre os primeiros durante algum tempo, mas pretendia subir o nível para incomodar cada vez mais os grandes. No entanto, optou por aceitar uma proposta do PAOK, o campeão grego, tendo António Salvador a difícil tarefa de encontrar um treinador já com a pré-época em andamento. Surpreendentemente, a escolha recaiu em Ricardo Sá Pinto, um nome bem conhecido do futebol português, mas que há muito não pisava terras lusas e que está longe de ser uma escolha consensual. O antigo internacional A português quererá certamente aproveitar aquilo que de melhor Abel fez, mantendo a equipa competitiva e competente nos vários momentos do jogo, mas também acrescentando-lhe o seu cunho pessoal, que passará sobretudo pelo maior aproveitamento dos talentos formados no clube. Nesse sentido, é de esperar que nomes como Trincão, Xadas, David Carmo ou Namora possam ter uma chance e passem a fazer parte das opções de forma regular. Ainda assim, Sá Pinto sabe que está desde logo condicionado pelos resultados, sendo igualmente importante conseguir boas prestações na Europa e nas Taças de modo a consolidar o crescimento dos Gverreiros.
Olhando para o plantel, a lesão de Raúl Silva e as saídas de Dyego Souza e do capitão Marcelo Goiano deixam mossa, sendo que Eduardo, Erick, Ailton, Fábio Martins e Marafona também abandonaram a Pedreira. No entanto, o clube reforçou-se com peças cirúrgicas em alguns lugares e conta de novo com duas soluções por posição, permitindo inclusivamente a Sá Pinto socorrer-se de vários sistemas tácticos. Na baliza, a recuperação de Matheus, um dos melhores guarda-redes da Liga, é importante e dá outra qualidade a um sector que também conta com Tiago Sá e o experiente Eduardo, que regressou ao clube para terminar a carreira. Perante tanta concorrência, Tiago Pereira foi emprestado à Académica. Na defesa, Tormena chegou para fazer o papel de Marcelo Goiano, enquanto Diogo Viana e Ricardo Esgaio poderão dar uma profundidade ao flanco direito semelhante à que Sequeira e Cajú podem oferecer à esquerda. No eixo, a lesão de Raúl Silva irá abrir a titularidade à dupla Bruno Viana e Pablo, que terão a concorrência de Lucas Cunha e do jovem David Carmo, além de Tormena que pode fazer o lugar. Na posição 6, Palhinha parece partir à frente de Claudemir, enquanto André Horta e Fransérgio estarão em vantagem sobre João Novais e Xadas. Nos flancos, Murilo Souza quererá ter o seu ano de afirmação, mas terá a concorrência feroz de Galeno, Ricardo Horta, Wilson Eduardo e Francisco Trincão. Por fim, Hassan regressa a Braga para fazer esquecer Dyego Souza, embora Paulinho deva partir como primeira opção.
Deste modo, como já é hábito, o SC Braga volta a ter um plantel homogéneo, com soluções e qualidade, sendo que a recuperação de Matheus e as chegadas de André Horta, Galeno ou Diogo Viana poderão ser upgrades em relação à época passada. Por outro lado, caso tenham espaço para revelar o seu talento, Xadas e Trincão podem ser opções mais válidas do que foram até à data na equipa principal, contribuindo para um colectivo que andará seguramente pelos lugares cimeiros e à espreita de um lugar no pódio.
Reforços: Diogo Viana (Belenenses SAD), Tormena (Gil Vicente), André Horta (Los Angeles FC), Cajú (Santos), Galeno (FC Porto).
O craque – André Horta
Melhor XI – Matheus; Ricardo Esgaio, Bruno Viana, Raúl Silva, Sequeira; Palhinha, André Horta, Fransérgio; Ricardo Horta, Galeno, Paulinho.
Jovem a seguir – Francisco Trincão
Prognóstico VM – 4.º lugar
Rodrigo Ferreira
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10 Comentários
oMeuUserName
Não concordo com algumas coisas do texto:
– Namora e David Carmo muito dificilmente jogarão pela equipa A esta época. O primeiro ainda nem se afirmou na equipa B, e o segundo parte como 6º central na hierarquia, sendo que nem jogou na pré-época, deverá jogar na B e tentar fazer uma época melhor do que a que fez no ano passado.
– Tormena vinha para fazer de Goiano, mas com a saída de Abel isso mudou. Diogo Viana e Esgaio são as opções para a lateral direita e Tormena tem contado como central (nos jogos da pré-época à porta aberta, jogou sempre a central e nunca a lateral), sendo que é neste momento o 3º da hierarquia (4º assim que o Raul volte).
– Xadas e Trincão já estão bem atrás da concorrência. Ambos tiveram bastantes oportunidades na pré-época e ambos desiludiram muito. Xadas apenas foi convocado para um dos quatro jogos oficiais e tarda em afirmar-se. Trincão tem sido mais vezes convocado (perdeu o lugar para o Galeno em Alvalade) e entrou bem nos 2 jogos que foi utilizado, além de ser mais novo. Dado o rendimento do Murilo nestes primeiros jogos (jogar tão dentro não o favorece nada), acho que o Trincão já começa a justificar a ultrapassagem ao Murilo na hierarquia. Por isso, penso que o Trincão ainda se poderá afirmar esta época, o Xadas já tenho as minhas dúvidas. Assumindo que o meio-campo será sempre Palhinha/Claudemir + A. Horta, sobra um lugar, para o qual, além do Xadas, há Fransérgio, Novais e até R. Horta.
– Não faz muito sentido referenciares o Erick nas saídas, visto que nunca foi um jogador do plantel principal, sendo que na época passada até esteve emprestado ao Vitória do Brasil. Faria mais sentido falar do Singh e do Ryller que fizeram jogos pela equipa A na época passada mas, falando dele, faria sentido falar também em Rosic, Alef, Assis, Bakic, Lukic, Stojiljkovic, Crislan e até Ricardo Ferreira.
– No melhor XI, não concordo com Esgaio nem com Galeno (para já). Sei que o objectivo é fazer uma previsão a médio prazo da época, mas Esgaio é neste momento o elo mais fraco da equipa, claramente, e o Galeno ainda não mostrou mais do que o Wilson. É previsível que ultrapasse o Wilson, mas também convém não esquecer que o Galeno rende mais pela esquerda, e aí há R. Horta, que deve ser o único extremo indiscutível neste momento. A alternativa poderá passar por colocar o R. Horta a 10 com Galeno na esquerda e Wilson/Murilo/Trincão na direita, que foi mais ou menos como o Braga acabou o jogo em Alvalade.
De resto, boa análise.
coach407
Galeno parte atrás do Wilson Eduardo. Acredito que o Braga pode ficar em 3° à frente do Sporting. O 11 é muito mais fraco que o do Sporting, mas o plantel é muito nivelado. Têm várias opções de um nível semelhante para quase todas as posições. Do que vi até agora o Braga é uma equipa. O Sporting é um conjunto de jogadores com bastante mais qualidade, mas ainda não vi uma equipa.
Joao X
Concordo. Sinto que pode ser este o ano em que isso acontece, ao contrário do que sentia em anos anteriores, em que não tinha dúvidas que o Sporting acabaria à frente do Braga.
coach407
Também é verdade que o primeiro milho é para os pardais… e mesmo assim o Sporting ganhou ao Braga. A tendência deverá ser melhorar.
MM
Boa analise.
Para mim o plantel é bom, embora falta um 8/10 (emprestava o xadas, so esta na equipa pelo nome), e falta um pl (deveria sair um extremo, pois temos 5). A dd tambem nao esta a carbursr, mas ai penso que seja pela opcao de jogar o esgaio, que esta claramente num momento depressivo ao nivel do futebol.
De resto, apesar da escolha surpreendente do sa Pinto e que nao lembra a ninguem, a verdade é que gosto do 4 2 3 1 que montou (melhor que o 4 4 2 do abel) e esta a ler bem o jogo na altura das substtiicoes.
Falta o raul silva rexuperar e o bruno viana jogar o que sabe para sofrermos menos golos.
Alem do plantel, é importante trabalhar a parte psicologica…fruto dos sucessivos desvarios contra os grandes estamos condicionados mentalmente. Ainda ontem se viu isso, o braga na 2a parte encostou o sporti g às cordas, mas precipita se na finalização. E a entrada na 1a parte foi mt mt ma.
Posto isto, nao esperamos grandes alegrias este ano, talvez numa taça..no campeonato dificilmente conseguiremos o 3o lugar do sporting, apesar de termos plantel e estrututa para isso
Estigarribia
Algumas curiosidades sobre o SC Braga:
Maior goleada na 1ª Divisão: 7-0 ao Belenenses (1953/1954) e ao Torreense (1957/1958)
Maior goleada sofrida na 1ª Divisão: 0-8 do Sporting (1950/1951)
Jogador com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Zé Nuno Azevedo, 274 jogos (1992/1993 a 2002/2003)
Jogador com mais golos pelo clube na 1ª Divisão: Mário, 67 golos (1947/1948 a 1954/1955)
Treinador com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Manuel Cajuda, 212 jogos (1994/1995 a 1996/1997 e 1998/1999 a 2001/2002)
Saudações Leoninas
Miguel Lopes
Excelente análise Rodrigo.
Eu considero que o Braga está muito melhor estruturado que o Sporting, e eu sou do Sporting.
Têm 2 jogadores por posição com qualidade, um jogador que faz a diferença, haja apenas uma boa gestão do Sá Pinto dos jogadores que estão à disposição.
Penso que se tivessem um central com mais qualidade do que têm e seriam candidatos ao 2º lugar.
Miguel Lopes
Acrescento que gostava de ter os 2 Hortas no Sporting.
O Sequeira dava muito jeito e o Galeno, grande compra do Braga.
O Palhinha está a fazer tanta falta. Andamos a jogar sem um 6 e ele no outro lado da barricada.
Tiago Silva
Para mim o XI seria: Matheus, Diogo Viana, Bruno Viana, Raúl, Sequeira, Palhinha, André Horta, Xadas, Trincão, Ricardo Horta e Paulinho. Mas o plantel do Braga é muito bom e têm mantido boas dinâmicas, conseguiram manter muitas das coisas boas que o Abel deixou. A saída de bola continua a ser a 3+2, mas desta vez com os laterais subidos e o 6 a recuar entre os centrais ou então num 3+1 quando o André Horta desce para alongar o jogo, com muitos homens lá na frente. Depois vemos os extremos a jogar mais por dentro, o que tem beneficiado o Ricardo Horta. Os irmãos Horta serão fundamentais esta época!
Lobo
Também acho que André e Ricardo Horta são os jogadores mais decisivos. E também acho que Sá Pinto tem sabido aproveitar bem o trabalho do seu antecessor, adicionando no entanto um pouco do seu próprio carácter guerreiro aos jogadores, vendo-se já muito mais garra na reacção, não só à perda da bola (que é um facto!), como às próprias incidências da partida — como se viu na Dinamarca, ao reagir positivamente com dois golos de rajada ao golo inicial do Brøndby, e agora em Alvalade, na maneira como a perder por 2-0, foi para cima do adversário, sem se dar por vencido (muita diferença já em relação ao modo como pareceu baixar os braços durante as derrotas que sofreu na Luz e em Alvalade na época passada).
Acho, porém, que a ausência (momentânea, é certo, mas prolongada) de Raúl Silva retira muita qualidade à defesa arsenalista, que aliás sofreu golos em todos os jogos até agora, e isso será talvez o calcanhar de Aquiles na luta pelo pódio.
Outra coisa que noto também são os constantes maus inícios de jogo — como se a equipa precisasse de sofrer um golo ou um susto inicial, para ‘entrar’ no jogo.
Em conclusão, acho que a equipa não ficou a perder com a mudança de treinador. O plantel é dos mais equilibrados da Liga, mas para chegar mais longe na classificação falta talvez um defesa central e um ponta-de-lança (gosto de Paulinho, mas não tanto para jogar fixo na frente, e o Hassan, apesar de eu achar que tem muita qualidade, ainda não convenceu de todo em Braga).