E agora, quem vence: Thomas, Roglic ou Almeida? A INEOS estava com tudo e do nada perde o ciclista em melhor forma, além de ser o que tinha mais capacidade para atacar de longe e obrigar Primoz a correr como não gosta. Ainda por cima a equipa também fica mais reduzida (Sivakov ficou lesionado e Ganna já tinha abandonado).
A 11.ª etapa do Giro ficou marcada pelo abandono de Tao Geoghegan Hart, que era 3.º na geral apenas a 5 segundos da liderança. O britânico, que já venceu a prova em 2020, caiu juntamente com Thomas ou Roglic, mas enquanto os veteranos conseguiram recuperar as lesões que sofreu obrigaram-no a ser transportado de ambulância. Quanto à etapa, Pascal Ackermann, da UAE, levou a melhor ao bater no sprint Milan, Cavendish e Pedersen. Na geral Thomas continua líder, enquanto João Almeida subiu à 3.ª posição.
Crash in the bunch, @taogeoghegan and the Maglia Rosa are involved
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Caduta in gruppo. @taogeoghegan e la Maglia Rosa a terra#Giro #GirodItalia pic.twitter.com/KeUeNko5eF— Giro d'Italia (@giroditalia) May 17, 2023


15 Comentários
GrammarPolice
Cursed giro… o crash do Oscar Rodriguez 2 min depois do crash do Tao e companhia foi assustador!
Antonio Clismo
Foi uma queda feia com direito a deslize em alcatrão o que nunca é bom.. Não sei até que ponto Thomas e Roglic não vão ter repercussões nos próximos dias.
Antonio Clismo
A INEOS agora só tem 5 corredores para lutar para um ferido Thomas quando nos aproximamos da última semana de Giro que é onde está a maior parte da montanha e da complexidade técnica, estratégica e física.
Etapa muito má para a equipa inglesa.
João Almeida parece estar a saber guardar as energias para quando for realmente necessário. Espera-se que não seja como no ano passado quando se deixou ir abaixo na última semana (Covid 19).
deus_Ex_machina
Thomas não ficou ferido. Aliás os 3 primeiros já caíram, hoje foi o dia do Roglic e do Thomas. O João já tinha caído nos primeiros dias. Este tempo de chuva é uma porcaria. Vamos ver se não há mais problemas, seria péssimo para o espetáculo.
Antonio Clismo
Agora nas etapas de montanha a descer vai ser giro vai… Espero que mais ninguém se magoe, mas uma coisa é certa. Quem não tiver medo de descer com este piso molhado vai ganhar o Giro.
Cambiasso
O Roglic até tem tido algum azar, nada de grave mas já esteve envolvido em pequenas quedas, ou com gente que cai ao lado dele. O Thomas igual. Ainda assim o João teve a queda mais grave ou pelo menos a que ficou mais marcada na roupa e no corpo.
Mantorras
Aquela velocidade com calcoes de licra, sem proteccoes…
Assustador.
Paulo Roberto Falcao
Este Giro estaria sempre menorizado pelo que aconteceu com Remco Evenepoel, um azar horrível daquele que iria certamente vencer a prova. Geoghegan Hart era o meu cavalo preto para o resto da prova, uma vez que o rendimento de Roglic me parece irregular e que Thomas tem sempre um mau dia nas montanhas, para além daquele mau feitio de traidor que o torna no chefe de fila mais odioso do ciclismo actual, e que na INEOS não era claro quem era o número um e dois. Uma pena para o Giro.
A este ritmo de positivos no Covid o João Almeida ainda vence o Giro.
AndreChaves9
Fale-me dessa questão do Thomas. Tanto da liderança como dos dias maus na montanha
Paulo Roberto Falcao
O Geraint Thomas emerge na Sky por ter atacado várias vezes, não respeitando o seu então líder Chris Froome, e aproveitando um mau momento dele e um tour muito acidentado e marcado por quedas venceu o Tour. No ano seguinte a Sky quase perdia o Tour por ter apostado em Thomas, tendo tomado a acertada decisão de mudar de chefe de fila a meio do Tour, tendo Bernal vencido. Apesar disso, e do colombiano ser da sua equipa, Thomas atacou-o como se fosse de uma equipa rival, facto que caiu muito mal na época, enfatizando o perfil de falso, de egoísta e de traidor que muitas vezes lhe põem. Se acrescentarmos a isso que Froome, o seu antecessor, na linha do que fez Lance Armstrong, fazia de vez em quando um anúncio com toda a equipa, o que permitia ter gregários satisfeitos uma vez que a receitas dele eram partilhadas, e Thomas nunca o fez.
Quanto aos dias maus na montanha são um ponto fraco dele. É um bom ciclista no contra relógio, excelente em corridas rasgadas e combativas, e excelente na média montanha. Acima dos 7% em corridas de três semanas costuma ter sempre um dia mau em que perde 4-5 minutos para a frente, nos tours dele isso é um clássico.
É acima de tudo inglês, a potência número um do ciclismo na última década, e digamos que ser o sucessor dos melhores ciclistas ingleses da história, Bradley Wiggins e Chris Froome, não lhe fez bem, e já demonstrou diversas vezes não ter o perfil para ser um chefe de fila e liderar uma equipa. Se ainda tivesse a potência de Pogacar, mas não tem.
Jan the Man
Eu não sou o maior fã do Geraint Thomas, mas esta publicação parece-me mais ódio do que outra coisa…São várias as imprecisões aí relatadas.
O Tour que o Thomas ganha, fá-lo porque simplesmente foi o ciclista mais forte da Sky nesse ano. É certo que Froome cai no primeiro dia numa altura crucial e acaba a perder algum tempo, mas em nenhum momento demonstrou estar melhor que o companheiro de equipa. Aliás, na etapa 17 tentou atacar mas não aguentou o ritmo e acabou ainda mais distante. Nesse ano, se a aposta não tem sido em Thomas, seria Dumoulin o vencedor do Tour.
No ano seguinte, apenas no dia anterior à famosa etapa do Col d’Iseran Bernal ultrapassou Thomas na CG, e acho que qualquer adepto de ciclismo considera que a classificação desse ano ficou bem desvirtuada devido à forma como terminou. A INEOS em nenhum momento mudou de chefe de fila, simplesmente tinha 2 hipóteses a tentar apanhar Alaphilippe.
Sobre o resto, parece-me que o Thomas é um ciclista que conseguiu subir a pulso dentro das estrutura onde está, passando gradualmente de 1 para 3 semanas (desde que passou a líder nas GVs, tem 3 pódios no Tour e alguns DNF nas restantes tentativas – a outra GV que terminou, ficou bastante afectado por uma queda inicial). É normal que com a idade vá perdendo capacidades, e têm sido vários os reforços da equipa ao longo das últimas temporadas para uma substituição natural, mas a verdade é que ele lá vai continuando e é um nome que não se pode descartar na luta pela vitória final.
Paulo Roberto Falcao
É outra opinião.
A minha é que um colega nunca ataca um líder, NUNCA, e o Thomas foi traidor com o Froome e com o Bernal. Não sou eu que o digo, foram eles, eles e o Bradley, que passou o Tour todo que ele venceu a mandar-lhe bocas. Devem estar todos errados e tu certo, há essa possibilidade. Isto quanto ao ódio.
Quanto ao resto é uma questão de gosto, e eu gosto de outro tipo de ciclistas, e ele tinha tudo para ser um excelente gregário, e foi um mau líder e um mau gregário. Mas são gostos.
Cambiasso
O Bradley? No Tour que venceu teve vários confrontos com o Froome. O Thomas não esteve no Tour de 2012.
Syd Barrett
O Bradley é bom para falar disso de facto. Ainda me lembro de ver o froome a atacar o seu líder Wiggins e revoltar se por ser obrigado a esperar. Eram tão amigos que tinham preparadores diferentes, treinos diferentes…
Contador atacou com Lance na liderança. Landa e aru no Giro…não faltam casos desses. E eu nem acho que o pelotão veja o G Thomas dessa forma.
Paulo Roberto Falcao
Sim e muito antes disso o Hinault atacou o LeMond, etc.
É um clássico das equipas de egos, pessoalmente não gosto, viola o código de ética do ciclismo tradicional e Old School. E sim desgasta a equipa, que tem que se concentrar num líder para ter objectivos, os ciclistas são profissionais, e sabem, ou deveriam saber, que o seu único objectivo é ajudar o líder a vencer. Simplesmente quem dirige a equipa tem que ter a inteligência para escolher o cavalo certo para esse objectivo.
Exemplos? Há muitos, e para todos os gostos.
O exemplo de uma má escolha de líder viu-se quando emerge Joaquim Agostinho na sua primeira Volta a Portugal, e é obrigado a esperar pelo seu líder Leonel Miranda. Resultado? Américo Silva, do Benfica, ganha a Volta. No ano seguinte o Sporting muda de líder e nascia a lenda de Agostinho.
O exemplo de um líder indiscutível deu-se na famosa etapa rainha do Tour de 1969, o primeiro de Eddy Merckx, na qual ele venceu todas as classificações e estabeleceu o padrão ouro que desde então nunca mais ninguém igualou. Na véspera da etapa um gregário anuncia a Merckx que vai deixar a equipa para ser líder. Na primeira montanha do dia, só o Tourmalet, esse gregário foge ao pelotão e Merckx apanha-o no topo do Tourmalet. Estava a 140 quilómetros da meta e faltavam o Aspin, o Peyresourde e o Aubuisque. Seguiu-se magia, 140 quilómetros a solo, com o pelotão a persegui-lo. 8 minutos ganhos no final e Tour vencido. A maior etapa da história do ciclismo ficou para a lenda, mas tudo começou com um conflito com um gregário.
Também há exemplos de líderes à força, o maior de todos Miguel Indurain, que por personalidade era um tímido, e que todos perceberam a sua força na vitória na etapa rainha do Tour mal apareceu. Dizem que foi um líder relutante, que não gostava de ter o foco em sim, simplesmente era tão bom que se impôs de forma natural.
E sim também há o caso de Bradley Winggis e do Froome, que quando apareceu na Sky foi uma força da natureza, e se percebeu logo que teria vencido o Tour de Winggis, se a equipa não o tivesse metido na ordem e ensinado o aprisco dos humildes. A guerra não rebenta no segundo ano, como dizes, rebenta no primeiro, simplesmente fizeram aquele típico pacto, tu ajudas-me a ganhar o Tour e eu vou ser o teu gregário de luxo nos próximos anos.
Em suma, é ciclismo. Os ciclistas profissionais cumprem ordens, mas são desportistas e têm egos.